11/03/2006

Vida simples

Como disse, consigo ter uma pegada ecológica muito menor aqui em Bruxelas do que quando vivia em Portugal. Por várias razões, algumas delas que me foram impostas e não voluntariamente aceites, mas que eu resolvi abraçar como uma oportunidade de recuperar um estilo de vida mais simples.
Estou a viver num mini-mini-mini-apartamento, que não mede mais de 7m2 e que é basicamente um quarto com casa-de-banho, um micro-ondas e um frigorífico. O meu dia-a-dia sofreu uma simplificação muito grande graças a isto, porque o espaço é limitado para a acumulação de bens e eu tenho que possuir apenas o essencial. Além de cama, o material de cozinha mínimo indispensável, um guarda-roupa com muito menos roupa do que eu estava habituada a ter e uma estante com livros, só tenho o meu portátil e um pequeno rádio. Ah, também tenho uma gaiola com um rato albino que encontrei perdido na rua, mas estou a pensar dá-lo a alguma família adoptiva que prometa tratar bem dele, porque neste momento não posso ter nenhum animal dependente de mim.
Tenho poupado muita água, por várias razões. A água do meu banho é aquecida numa pequena caldeira com pouco volume de água, por isso se eu quero evitar terminar o meu banho com água fria, tenho que gastar apenas a água essencial para me molhar e enxaguar rapidamente. Depois não tenho lava-loiça, apenas o lavatório da casa-de-banho e é lá que tenho que lavar a loiça e os legumes. Para evitar situações menos higiénicas, comprei dois alguidares para colocar no lavatório alternadamente: um para quando lavo a cara e os dentes e outro para quando lavo a loiça. Como resultado, recolho toda a água consumida e desde que aqui cheguei há 2 meses, praticamente só usei o autoclismo 5 vezes, porque todas as outras vezes utilizei a água recolhida nos alguidares.
Por questões económicas fui forçada desde o início a procurar lojas e feiras de produtos em 2ª mão para comprar o máximo daquilo que necessitava, o que tem sido excelente, porque desde o ferro de engomar, passando pelos tachos e panelas e acabando em roupas e sapatos, tenho comprado quase tudo em 2ª mão, o que é bastante mais ecológico do que comprar novo.
Este mês vou fazer a experiência de comprar apenas produtos biológicos e ecológicos. Obviamente toda a gente me diz que o dinheiro que eu recebo por mês não chega para isso. Talvez não, mas eu estou convencida que sim e vou tentar provar isso. Claro que se a meio do mês já não tiver mais dinheiro para isso, vou ao mercado comprar legumes cheios de pesticidas, mas vou tentar. Acho que se me focar no essencial e cortar nas coisas que não são realmente necessárias, isso é possível. O problema das pessoas é que antigamente praticamente todo o seu rendimento era gasto na alimentação, mas hoje em dia querem ter dinheiro para ir ao cinema, para andarem de automóvel, para comprarem cds e jogos para a Playstation e já não estão dispostos a dar mais que uma percentagem mínima do seu rendimento para se alimentarem como deve ser. Lembrei-me agora mesmo do comentário duma colega minha aqui do escritório que diz que eu como demasiada fruta e verduras. Quando eu lhe perguntei o que raio queria dizer com isso, uma vez que a fruta e as verduras nunca são demais, ela diz que são alimentos muito caros comparados com cereais, feijões, batatas, etc, que enchem mais a barriga. Ela é quase vegetariana, praticamente não come carne, no entanto nunca a vejo comer fruta e verduras, apenas glúcidos e mais glúcidos. Se eu comesse como ela, neste momento pesava 80 kilos, mas penso que ela tem um metabolismo mais acelerado que eu, por isso continua magra. Mas a questão não é essa, a questão é que as pessoas só pensam no balanço dinheiro/calorias e acham que gastar dinheiro em nutrientes em vez de calorias é dinheiro mal gasto. Esquecem-se que a coisa mais preciosa que temos é a nossa vida e que para ela ser longa e frutífera, temos que ser saudáveis e que para sermos saudáveis não são as calorias ingeridas que contam, mas a quantidade de nutrientes.
Não sei para onde vou e fazer o quê, depois desta minha experiência em Bruxelas, mas seja aonde for, quero prosseguir com este estilo de vida: sem carro, sem tv, com o mínimo de produção de resíduos e de consumo de água e electricidade, com uma pegada ecológica bem mais reduzida, porque dá-me muita tranquilidade finalmente viver como sempre desejei mas nunca consegui.

10/29/2006

Compras em Bruxelas

Em Bruxelas é muito mais fácil ser-se ecológico e ter uma menor pegada ecológica do que em Lisboa. No entanto a pegada ecológica dos Bruxelenses é uma das mais altas da Europa. Alguém tem que puxar as orelhas aos bruxelenses...
Hei-de falar um pouco de várias questões relacionadas com a ecologia em Bruxelas, mas hoje começo pelas compras.
Aqui os mercados, feiras e lojas em 2ª mão são inúmeros e muito frequentados e toda a gente tem carrinhos para transportar as suas compras, que em Portugal só as velhotas usam para ir ao mercado. Também há uns quantos supermercados, mas parece-me que os mercados e feiras têm mais sucesso e ao domingo o metro enche-se de pessoas com os seus carrinhos, a irem ou a virem dum mercado local ou duma feira.
As lojas e feiras de produtos em 2ª mão são um sucesso. Abundam e vendem de tudo um pouco. A mais conhecida é Le Petit Riens, pertencente a uma associação que aceita roupas, móveis, electrodomésticos, cds, bibelots, brinquedos e tudo o que se possa imaginar, para vender depois em 2ª mão. Os lucros revertem a favor de pessoas sem-abrigo e carenciadas, algumas das quais estão directamente envolvidas no funcionamento das várias lojas por todo o país. A associação possui uma oficina que recupera móveis e li que, por exemplo, das 100 toneladas de móveis que recolheram o ano passado, 95% foi recuperada ou reciclada e apenas 5% teve mesmo que ir para o lixo. Esta associação é um exemplo excelente de permacultura em acção.
Passado algum tempo em Bruxelas percebi que o carrinho de compras era mesmo essencial, mas os que se encontram à venda ou são demasiado pequenos ou demasiado caros (alguns chegam a custar 150 euros). Decidi construir o meu próprio carrinho. Comprei uma estrutura metálica com rodas no IKEA por 5 euros, para transportar sacos e caixotes e comprei duas mochilas em 2ª mão no Petit Riens por outros 5 euros, et voilá, montei o meu próprio carrinho de compras, muito mais original que todos os outros que encontro na rua. Já fui várias vezes às compras com ele e funciona perfeitamente. Só tem um defeito - faz um bocado de barulho em piso mais acidentado, um chocalhar metálico que ainda não consegui eliminar por completo, mas quando está carregado de compras o barulho desaparece.

Entretanto já convenci o meu chefinho a ter um compostor na varanda e estou a fazer planos para encher o resto do espaço com legumes. Houve alguma oposição à ideia, porque estes ecologistas de trazer por casa acham que isso é excelente quando se está no campo mas não num escritório em Bruxelas. Mas se tivessem feito um curso de Permacultura iriam perceber porque é que é mais importante compostar e ter legumes numa varanda em Bruxelas do que numa horta no campo. Mas vão acabar por perceber, quando virem na prática o que isso representa.

9/28/2006

Canteiros na cidade

Bruxelas tem uma coisa que me agrada imenso: além dos muitos espaços verdes e da imensidão de árvores e pequenos jardins em frente às casas, as pessoas ainda aproveitam os pequenos canteiros em redor das árvores nos passeios para plantarem flores, tomates, couves, aquilo que lhes apetecer. E para marcarem o seu território constroem cercas em redor estes pequenos canteiros, que vão desde os mais improvisados aos mais "profissionais.
Ainda só tenho 2 exemplos para mostrar, mas gostaria de fazer uma colecção de fotos destes canteiros, pois são verdadeiramente inspiradores. Só é pena que haja mais com flores do que com couves, mas que tenham flores já é uma maravilha, comparado com o betão que prolifera nas cidades portuguesas.


9/21/2006

Voltei!

Olá amigos! Perante tantos pedidos insistentes, cá estou eu a dar notícias novamente (como aliás tinha prometido fazer).
Já estou em Bruxelas e apesar de andar bastante ocupada com o trabalho, em breve vou voltar a postar coisas neste blog. Já tenho algumas ideias a cozinhar no forno ;) Até breve.

8/07/2006

Despedidas!

O meu trabalho na Harpa terminou oficialmente, mas ainda vou lá voltar algumas vezes durante este mês para terminar umas tarefas que ficaram pendentes. O meu último trabalho realizado na quinta foi a adaptação de um canteiro de plantas numa mansão para tartarugas!
Metade do canteiro estava coberto de ervas espontâneas. Aproveitei esse espaço para fazer um laguinho. Cavei o buraco, forrei com um plástico preto resistente, enchi com água e prendi as bordas com terra e pedras. Ficou um bocado improvisado, mas para minha primeira experiência não ficou assim tão mal. Fiz um caminho de lajes de pedra até ao laguinho, para não ser necessário pisotear as plantas quando se anda no canteiro. Ainda falta vegetação em redor do lago e plantas aquáticas no seu interior. Nas zonas do canteiro onde a terra ficou nua semeei luzerna e calêncula, mas não sei se alguém o regou na minha ausência, pelo que pode não ter germinado nada.


Na 2ª foto, do lado direito em baixo, talvez consigam distinguir entre as folhas de uma consolda, uma casinha que fiz com 2 telhas, para a tartaruga se recolher. A ideia foi tão bem sucedida que assim que coloquei a tartaruga no canteiro e após ela tomar a sua primeira banhoca no lago, se dirigiu de imediato para lá onde descansou feliz da vida.
Resta acrescentar que a tartaruga vivia em minha casa há quase dez anos, num aquário que começava a ser uma prisão física e mental. Eu não gosto nem aprovo que os animais sejam mantidos em cativeiro. Acho que toda a gente deveria adoptar pelo menos um cão ou um gato (adoptar e não comprar!), se tiver condições mínimas para lhes oferecer uma vida confortável e com amor, mas não compreendo que se mantenham em cativeiro animais como tartarugas, que dispensam "o nosso amor" e claramente só desejam viver livremente os seus instintos no seu habitat natural.
Mas há cerca de 10 anos atrás uma pessoa ofereceu-me duas tartarugas e como eu nunca as abandonaria por aí, pois não são nativas do nosso país, nem sequer do nosso continente, tive que me responsabilizar pelo seu bem-estar. Uma delas morreu ainda pequenina, mas a outra aguentou-se e já mede cerca de 15 centímetros. Precisava de uma casa nova e mais "natural" e conversa puxa conversa, decidiu-se que a tartaruga iria ser a nova habitante da quinta da Harpa.

Há uma outra razão para que eu tenha entregue a tartaruga à Harpa e que é a mesma razão porque terei de abandonar o meu projecto de Á-do-Barriga, pelo menos por agora. Vou para Bruxelas, pelo menos durante um ano, trabalhar na IFOAM. É uma oportunidade única e estou muito entusiasmada, mas irei sentir muita falta do campo, das hortas, dos trabalhos manuais... Vou fazer Agricultura Biológica de escritório :)
Não sei se irei continuar a publicar textos neste blog, pois não há grandes perspectivas de eu vir a fazer horticultura em Bruxelas, mas nunca se sabe se não irei lá desenvolver algum projecto em permacultura, uma vez que ela se aplica a tudo e não apenas ao cultivo e jardinagem.
Prometo voltar a dar notícias!

7/15/2006

Homenagem aos ténis mais velhos do mundo

Esta semana decidi (finalmente!) fazer o funeral a um par de ténis que me acompanharam durante cerca de 10 anos da minha vida. Comprei-os para praticar aeróbica, depois serviram para tudo um pouco que fosse actividade física e ao ar livre. Usei-os durante estes mesitos de trabalho na quinta, o que os condenou definitivamente à morte, após anos e anos de doença crónica.
Durante estes meses, todos os dias a minha mãe me pediu que não entrasse em casa com eles calçados e me rogava que os deitasse fora. Só acedi a esse pedido agora, pois os buracos de lado deixavam que todo o tipo de picos e espinhos se espetassem nos meus pés, o que estava a começar a ser doloroso.
Mas antes de os deitar fora, achei que a história deles merecia ser contada e que uma última foto merecia ser tirada, pois estes ténis ganhariam concerteza o concurso dos ténis mais velhos, sujos e maltratados do planeta :)


Mudando de assunto, algumas das minhas últimas tarefas na quinta foram o transplante de feijões para o meio dos pés de milho (foto da esquerda), para que possam crescer trepando pelo milho e a plantação de tabaco (é um bom insecticida natural) e abóboras, entre as filas de milho (foto da direita). Tirei os cartões que usei para fazer mulching em redor do milho e reutilizei-os nestas novas plantinhas. Os cartões não estavam já a servir de muito, porque as ervas cresciam debaixo deles e levantavam-nos, mas são muito úteis nas fases iniciais de crescimento das plantinhas, para lhes dar avanço sobre as ervas espontâneas.

As fotografias que tenho apresentado não têm boa qualidade - na verdade têm muito má qualidade - e peço desculpa por isso a quem se queixou desse facto. A minha máquina digital estava com problemas (entretanto já está a ser arranjada) e entretanto comecei a fotografar com a câmera do telemóvel, que tira fotos ainda piores. Espero que mesmo assim percebam as ideias que quero transmitir e assim que tiver a minha máquina a funcionar em pleno, espero começar a ter fotografias melhores para apresentar.

6/28/2006

Colheitas, sementes e germinados

Depois de colhidas as alfaces, algum alho-francês, rabanetes, acelgas, ameixas e alperces, que estavam prontinhos a ser consumidos, estou agora dedicada à recolha de sementes de couves, alfaces e aromáticas e a acompanhar atentamente a evolução do milho, tomates, pimentos e couves, que são as próximas principais colheitas.
As abóboras estão a crescer bem e sem necessidade de cuidados, os alhos e cebolas estão já bons para ser consumidos e têm sido apanhados consoante as necessidades.
As couves que foram plantadas este ano não têm tido muito sucesso. Mesmo onde aplicámos composto elas não se têm desenvolvido muito e nalguns locais foram vítimas de piolho. Tenho-as pulverizado com chorume de urtiga e estou a preparar mais chorume para adubo líquido, na tentativa de lhes dar uma "forcinha" extra ao seu desenvolvimento.
Também temos cenouras, mas praticamente não cresceram, tal como os rabanetes e as batatas, pois a terra é muito argilosa e compacta e tudo o que são tubérculos e raízes não consegue expandir-se.
As aromáticas estão bem e recomendam-se. Temos coentros, salsa, menta, hortelã, alecrim, salva, erva-príncipe, funcho, tomilho, arruda, rúcola. Ainda são pequenas quantidades, mas estão a crescer bastante bem.
Uma vez que tenho mexido em sementes, lembrei-me das minhas tentativas falhadas de fazer germinados em casa e senti vontade de tentar novamente. Em tempos tinha comprado um germinador de barro, mas nele as sementes acabavam sempre por se encher de fungos e estragar-se antes de estarem consumíveis. Então procurei desenvolver uma alternativa caseira e descobri que posso germinar sementes em caixas de cd's!
Tinha algumas caixas redondas de 50 cd's vazias guardadas, porque tinha a certeza de que iria descobrir-lhes uma qualquer utilidade e finalmente descobri a função ideal para elas.

Para germinar as sementes eu inverto as caixas, coloco as sementes na caixa transparente, cubro-as com àgua e no dia seguinte escorro-as apenas invertendo a caixa, pois a tampa deixa sair a água facilmente. Depois viro novamente a caixa e deixo as sementes germinarem. Geralmente ao fim de 2 dias já estão prontas para serem consumidas numa bela salada. Outro facto interessante destas caixas é o facto de poderem ser empilhadas umas em cima das outras, formando uma torre que cabe em qualquer canto da cozinha. E nunca mais tive problemas com fungos.

6/16/2006

Venda na BIOCOOP

A venda de produtos na Harpa não tem tido muito sucesso - poucas pessoas conhecem a quinta e menos ainda compram os seus produtos quando por lá passam. Por isso decidiu-se vender alfaces e outros produtos da horta na BIOCOOP, que excepcionalmente concordou em recebê-los para venda.
Tem chovido imenso e a horta está um lamaçal, pelo que eu tenho evitado andar por lá a pisoteá-la, mas hoje a chuva deu tréguas durante a manhã e lá fui apanhar umas quantas alfaces e acelgas para entregar na BIOCOOP. Eu queria colher muito mais, até porque tinha ordens de colher o máximo possível, mas o meu carro é pequeno e as alfaces são enormes. Tudo o que consegui levar foram 30 alfaces (25 kg no total) e uma caixa de acelgas (5 kg). Deitei os bancos de trás e enchi a parte traseira do carro com a mercadoria.

A minha tia Elisa apareceu para me ajudar e lá fomos nós até à BIOCOOP.
Quando lá chegámos, deram-nos uma lição de como apresentar as hortícolas para venda, pois da maneira como estavam, segundo o Fernando, ninguém sequer lhes iria pegar. Entre a risota, chamaram-nos aprendizes de agricultoras, o que não considerei ofensivo, pois é a mais pura das verdades :)))
Antes de colocarmos as alfaces e acelgas à venda tivémos que as lavar, cortar restos de raízes e caules e encaixotá-las de novo.
Enquanto iniciávamos esta tarefa, começaram a surgir interessados nas nossas alfaces: primeiro uma senhora que queria 4, depois outra que queria 3, depois um casal de boca aberta com o tamanho delas e que queria a maior que lá tivéssemos (infelizmente não havia sacos onde elas coubessem e as pessoas acabavam por levar das mais pequenas)! Não conseguíamos lavá-las e prepará-las ao ritmo a que as pessoas as compravam. Eu diria que foi um sucesso :)
Já me pediram que levasse mais coisas para vender.

6/09/2006

Quinta da Harpa II

Quando comecei a trabalhar na quinta da Harpa, o Zé já tinha cultivado, entre outras coisas, couves, cebolas e alhos. Ele queixava-se que todas as semanas tinha que arrancar ervas do meio destas hortícolas, por isso decidi fazer mulching nestes canteiros. Arranquei as ervas, deixei-as no solo, cobri com jornais e por fim tapei com palha. Quando ele viu o que eu tinha feito, ia-lhe dando uma coisa... :)




Ele não confia muito na inocuidade dos jornais e cartões, os primeiros por terem tintas e os segundos por terem colas. Mas eu tentei assegurá-lo de que qualquer impacto menos bom que estes compostos tenham no solo, são largamente compensados pelo trabalho que nos poupam e pela retenção da humidade no solo. Quanto à redução do trabalho ele já se convenceu, pois desde que fiz o mulching, há cerca de um mês, nunca mais tivémos de nos preocupar com ervas daninhas. Quanto à humidade do solo, não está tão convencido.
Infelizmente, a rega da horta é feita por aspersão, o que significa que só após haver encharcamento dos jornais é que a água chega ao solo e como resultado disso, muitas vezes observamos que após a rega, o solo fica pouco húmido e apenas junto da superfície. Não sei se em resultado disso, mas parece que sim, as couves em que apliquei o mulching estão a desenvolver-se muito pouco.
Penso que a solução ideal não será eliminar o mulching, mas sim mudar o tipo de rega para gota-a-gota, até porque poupa bastante mais água relativamente à rega por aspersão. Já lhe falei nisso, mas esse investimento está em lista de espera nas prioridades da quinta.
Também cobri o solo onde foi cultivado milho e apesar de aqui ter usado cartão em vez de jornal, o milho tem crescido muito bem, porque a rega aqui faz-se com mangueira, directamente sobre as plantas e não por aspersão. Penso que isto confirma que o mal não é do mulching mas sim do tipo de rega.



Existem algumas pilhas de composto em diversos pontos da quinta. Tenho usado algum desse composto e gostava que houvesse mais disponível. Ofereci-me para iniciar uma outra pilha de composto, maior que as existentes, mas o problema é que o composto na quinta é produzido segundo o modo biodinâmico e portanto precisa de levar preparados biodinâmicos específicos. Não temos destes preparados na quinta e sempre que são necessários, é preciso pedir a quem os tenha. O Zé disse-me que esperasse pelos preparados antes de fazer a pilha de composto, mas eu ando a pensar fazer uma sem eles. Mais vale composto não-biodinâmico que composto nenhum.
Eis uma foto de uma das pilhas de composto, com cerca de 6 meses, de onde tenho estado a retirar composto.



Tenho usado este composto em redor de árvores e arbustos plantados recentemente na quinta e sobre o qual também coloco jornais e palha. Comecei pela fila de arbustos de amoras que estavam a ser engolidos pelas ervas e irei continuar a aplicá-lo noutras árvores e arbustos.


Também apliquei composto num canteiro de morangos que se encontra numa encosta da quinta. Estes morangueiros não foram cultivados da maneira mais favorável e praticamente não deram frutos, mas numa tentativa de ainda os salvar, cobri o solo à volta deles com muito composto e tenho-lhes dado alguma atenção. Os próximos serão cultivados em terraços e com muito composto logo de início.


6/07/2006

Quinta da Harpa

Uma das razões porque deixei de escrever tão frequentemente no blog foi ter começado a trabalhar em part-time na Quinta de São João dos Montes, pertencente à Associação Harpa (onde frequento o Grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica).
Estou a cuidar da horta e ajudo nas diversas tarefas da quinta. Também estou a ajudar na organização de festas de aniversário para crianças na Quinta aos fins-de-semana. Como contrapartida, deixei de ter tempo e vontade para me dedicar à minha própria horta, a qual não visito há quase 2 meses e que deve estar uma desgraça.
O meu projecto de transformação do terreno em À-do-Barriga passou para 2º plano e por razões que revelarei mais tarde, é provável que tenha que o abandonar por completo... Mas estou a aproveitar esta oportunidade de trabalho para continuar com as minhas experiências e aprendizagem em horticultura e permacultura, pelo que continuarei a escrever neste blog.
A Harpa é uma associação com raízes na Antroposofia e dedica-se principalmente à Educação, realizando vários tipos de cursos e seminários para adultos ao longo do ano e tendo também em funcionamento um infantário que segue os princípios da Pedagogia Waldorf. Esta associação pretende pôr a Quinta de São João dos Montes a produzir frutos e hortícolas, segundo os métodos da Agricultura Biodinâmica, para consumo interno e para venda.
Na Quinta, trabalha a tempo inteiro o Zé, que se tem esforçado imenso para pôr as coisas a mexer. Mas o trabalho que tem de ser feito é interminável e nem sempre ele consegue dar conta do recado, por isso a Harpa decidiu contratar-me temporariamente para o ajudar, uma vez que eu andava desesperadamente em busca de um part-time.
A minha principal responsabilidade é fazer a manutenção da horta, que foi em grande parte cultivada pelo Zé e pelo grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica. Também participo em qualquer outra actividade em que a minha ajuda seja necessária: desde a monda de árvores de fruto até à produção de doces e elixires com frutos da Quinta, já fiz de tudo um pouco. Até agora ainda não faltou trabalho para fazer e entusiasmo da minha parte também não :)
Para começar a apresentar a Quinta, mostro aqui uma foto-montagem e uma vista aérea, com uma indicação grosseira dos limites (a vermelho) e o ribeiro que a atravessa (a azul).
A Quinta tem uma zona de patamares junto ao ribeiro, onde se localiza um pequeno pomar de citrinos e a horta. É nesta zona que se encontra também um tanque que vai ser recuperado. Perto dos citrinos foram recentemente transplantadas amoreiras e serão cultivadas leguminosas para adubo verde, pois nessa área o solo é bastante pobre em matéria orgânica. No patamar acima, onde se encontra a horta, estão cultivados neste momento, milho, couves, brócolos, alfaces, cenouras, tomates, pimentos, rabanetes, couves-rábano, acelgas, abóboras, consolda, calêndula, chagas e milefólio. Na zona de encosta, mais afastada do ribeiro, encontra-se um pomar, que devido ao seu estado de abandono e tamanho, precisa de muito trabalho e dedicação. Nessa zona há também uma pequena área de aromáticas e morangos a crescerem em terraços.
Desde que comecei a trabalhar na Quinta, há cerca de mês e meio, que o meu maior contributo foi para a evolução da horta. Em baixo mostro a horta no seu início e como está neste momento.



As hortícolas foram transplantadas e semeadas nas datas propícias, segundo um calendário biodinâmico e nelas foi aplicado o preparado 500 (há informação sobre estes preparados na internet). Ainda estou a tentar perceber a forma como funcionam, mas não tenho dúvidas que funcionam, pois tentei transplantar algumas hortícolas sem ligar a estes cuidados biodinâmicos e apesar de algumas terem sobrevivido, os resultados foram muito maus. As alfaces que transplantei e sobreviveram ficaram raquíticas - não tenho fotografias, mas garanto que não passaram dos 12 cms de diâmetro. E em oposição vejam só o tamanho destas alfaces biodinâmicas! Muitas delas têm cerca de 40 cms de diâmetro e algumas campeãs ultrapassam os 50 cms de diâmetro.
Brevemente escreverei mais acerca dos meus trabalhos nesta Quinta.

5/10/2006

Compostores

Já passou muito tempo desde as minhas últimas notícias. Já colhi as minhas favas. Pelos meus cálculos, colhi cerca de 60 quilos de favas. Não tenho espaço no frigorífico nem no congelador para as guardar todas, por isso tenho-as distribuído pela família.
A rama das favas fez uma boa cobertura do solo, até à próxima sementeira naquela parcela.

Como tinha prometido, construí um compostor a partir dos tubos de cimento que tinha encontrado semi-enterrados num canto do terreno. Os tubos serviram de pilares e as paredes do compostor eram de rede. Para o composto não ficar demasiado exposto aos elementos, cobri o compostor com uma tela. Não tirei nenhuma fotografia ao compostor sem a tela, mas também não era nenhuma obra de arte.

Entretanto o meu pai avisou-me que estes tubos poderiam conter amianto. Contactei a Cimianto que me confirmou que de facto havia grande probabilidade de assim ser e me aconselhou a entregar os tubos num aterro para resíduos industriais. Resultado: desmontei logo o compostor e pouco motivada para construir outro, comprei um no LIDL que estava a um preço bastante acessível. Não é tão ecológico como construir o meu próprio compostor com materiais locais, mas sempre é melhor do que tubos com amianto. Este é o aspecto do novo compostor.

3/24/2006

Planos mais detalhados

No início deste blog apresentei um proto-projecto para o espaço que pretendo transformar. Mas passados alguns meses de observações mais detalhadas do espaço e da sua dinâmica, concluí que é preciso alterar o plano inicial de forma quase radical. Passei para o papel as minhas novas ideias e vou explicar o porquê da mudança de planos.
Mas antes de passar às mudanças de planos, começo por mostrar o esquema da parcela da horta a que me tenho dedicado nos últimos tempos. Criei canteiros e caminhos e já semeei pelo menos metade deles com ervilhas, alhos, couves, espinafres, nabiças, alfaces... Optei por um desenho em linhas rectas, porque a presença das árvores (a maior parte delas de copa muito baixa) não facilita a movimentação nesta parcela, nem a criação de um esquema mais fluido. Talvez mais tarde eu tenha alguma ideia de como organizar o espaço de outra forma, mas por enquanto vou experimentar este modelo.
Quanto aos meus novos planos, as maiores alterações que fiz foram passar o lago previsto para a parte da frente, para a parte de trás da casa e passar a pilha de composto que estava na parte de trás, para a parte da frente da casa.
Concluí, após estes meses de utilização, que o local onde iniciei a pilha de composto, apesar de ser óptimo para o composto (é abrigado do vento, do frio e do sol excessivo) não é um local prático e acessível e muitas vezes tenho que me forçar a ir lá colocar a matéria orgânica, porque não me apetece mesmo nada (fica "longe" da casa). Decidi por isso criar um compostor em frente à casa. Neste momento o local previsto é muito exposto, mas pretendo colocar vegetação à sua volta, pelo que ficará mais protegido.Nesta mesma parcela frente à casa, onde colocarei o compostor, pretendo plantar um castanheiro - no último Outono comprei castanhas biológicas e uma delas estava a germinar; coloquei-a num vaso e cresceu uma linda árvorezinha :) Plantá-la-ei no centro e à sua volta criarei canteiros elevados de ervas aromáticas em forma de espiral. O muro à volta será coberto de heras (neste momento é-o parcialmente) e enriquecerei o espaço com mais alguns arbustos de frutos, trepadeiras, enfim, o que a imaginação ditar e o espaço permitir. Decidi colocar o compostor no canto virado para o caminho empedrado, para que possa tirar o composto facilmente e levá-lo para as outras hortas, sem ter de entrar na zona ajardinada.
Quanto à parte de trás da casa, no local onde agora tenho a pilha de composto, irei construir estufins, pela mesma razão porque neste momento tenho lá o composto - porque é abrigado. Para facilitar o acesso a essa zona, e não sentir tanta preguiça de lá ir como sinto agora, pretendo criar canteiros elevados perpendiculares ao caminho cimentado, criando assim também caminhos directos aos estufins. Neste momento esta parcela de horta está a produzir bem, mas tem um aspecto um bocado caótico. Não gostei quando algumas pessoas disseram mal desta minha horta :), mas reconheço que da maneira selvática como se está a desenvolver, não é lá muito prática.
Quanto à parcela ao lado desta, decidi que era a ideal para criação de um pequeno lago e plantação de uma árvore de folha caduca. O primeiro desenho está enganado, pois é precisamente no lado direito e não no lado esquerdo, que pretendo plantar a árvore e posicionar o lago, tal como aparece no 2º desenho. Talvez esteja a cometer um erro grosseiro, mas com base no que estudei sobre ensombramento, reflexão da luz e bioclimatização, penso estar a fazer isto bem. Esta esquina da casa fica virada a sul e recebe em cheio a luz do sol. A combinação do lago e da árvore de folha caduca vai permitir que o sol seja canalizado para a casa no inverno e bloqueado no verão.

Quer no caminho de entrada a partir do portão, como no caminho cimentado atrás da casa, gostava de colocar pérgolas e formar 2 túneis verdes.
Por enquanto são estas as melhores ideias que já tive. Não significa que não sofram novas mudanças pelo caminho :)

3/21/2006

Puxar o céu para baixo

Continuo a cavar. Neste momento dói-me o corpo todo, mas sinto-me satisfeita com os resultados. Não tenho fotografias para mostrar, porque queria esperar até a horta ficar toda verdinha, mas sou capaz de ainda tirar uma fotografia antes disso, só para verem os canteiros preparados e as árvores em flor.
Estes momentos de trabalho mais intensivo na horta têm-me permitido um maior contacto com os vizinhos.
Uma senhora de 86 anos que passava e me viu cavar, disse-me que sempre cavou, que ainda hoje cava um pouquinho e que isso só lhe fez bem. Encorajou-me a continuar a cavar e disse-me que "cavar é puxar o céu para baixo". Não conhecia esta expressão e achei muito bonita. Acho que além da referência óbvia ao movimento que se faz a cavar, a expressão tem também algum significado místico, pois ao trabalhar a terra o ser humano torna-se um intermediário entre as forças do céu (sol, chuva, vento, lua) e da terra. Mas se eu expusesse essa ideia à senhora, o mais certo era ela considerar-me maluquinha...
Um outro vizinho viu-me cavar e veio dar-me uma lição de como cavar correctamente e com o mínimo de esforço. infelizmente não nos entendemos muito bem pois ele insistia que a mão que aplica a força é a direita e eu insistia que apesar de não ser canhota, tenho mais força na mão esquerda. Incorporei alguns dos conselhos dele, mas continuo a cavar com as mãos "trocadas", porque a forma que ele me ensinou custa-me muito mais esforço.
E um terceiro vizinho viu-me cavar mesmo no limite do terreno que faz fronteira com o dele e veio interpelar-me com maus modos. Disse-me que eu não tinha nada que andar ali com a enxada, que aquele pedaço de terra (para aí 30 cms para lá da fronteira) lhe pertencia. Não gostei dos modos dele, mas como eu sou muito diplomata, mantive o meu sorriso e com voz cândida pedi-lhe desculpa, disse-lhe que ele tinha razão, mas que não se preocupasse pois não só eu não pretendia destruir-lhe a propriedade, como pretendia definir melhor a fronteira e plantar ali arbustos que reforçassem a estabilidade do solo e demarcassem claramente os limites do terreno de cada um. Aos poucos ele acalmou-se e pediu-me desculpa pela sua atitude. Disse-me que já tinha tido uma zanga com o dono anterior do terreno, pois este usou e abusou do que não era dele e daí ele já vir desconfiado das minhas intenções.
É impressionante este sentimento de posse que as pessoas sentem em relação à terra, que por vezes as leva a matar outras por meros 30 cms de terreno. No entanto, apesar de o repudiar, eu própria já provei desse sentimento.
Ainda não o mencionei, mas uma família vive no 2º andar da casa dos meus avós e apesar de eles só terem direito a usufruir do interior da casa, eles estão mais ou menos habituados a usar o espaço exterior sem restrições e sem autorização. Têm o hábito de usar o alpendre para estenderem roupa, de cavar a horta em busca de minhocas para a pesca e de espalhar ratoeiras e restos de comida para gatos pela horta fora. Têm filas de vasos com plantas em frente à casa (que gostaria que lá não estivessem, para que eu pudesse usar o espaço da forma que entender), mas como é algo positivo, tento não implicar com isso. Por fim têm o péssimo hábito de mexer nas minhas coisas: se coloco um vaso num sítio, da próxima vez está noutro, se encontro um bom local onde colocar sacas de terra, da próxima vez encontro-as empilhadas noutro local diferente, etc. Já lhes foi dito que não mexessem no que não lhes pertence e que se moderassem nas suas atitudes expansionistas, mas sem grandes resultados. Por isso às vezes dá-nos vontade de os expulsar dali para fora.
O meu instinto leva-me a desejar que eles desapareçam dali e que não mexam na "nossa" terra, mas eu quero ser melhor que isso, quero ser capaz de ultrapassar esse sentimento. Não quero ser como o meu vizinho do lado que ameaça os outros por causa de 30 cms de terra nua.
Por isso o melhor será tentar ter uma boa relação com eles. Estou esperançada que consoante eles forem vendo o meu projecto tomar forma, se sintam menos à vontade para mexer nas coisas sem autorização. Gostaria também de os envolver nos meus planos e transformá-los de "inimigos" a colaboradores. Uma vez que eles estão presentes todos os dias, podem melhor do que eu guardar o espaço, regar as plantas, observar se está tudo bem e o que precisa de ser feito.
Afinal de contas a Permacultura também trata de relações humanas, vida em comunidade, partilha de recursos e eu gostaria de desenvolver também essa faceta de permacultora, além das habilidades de horticultora. Mas isso será talvez a tarefa mais complicada, porque sou muito tímida, introvertida e bicho do mato e não tenho facilidade em relacionar-me com as pessoas que não conheço.

3/14/2006

Atraso

A preparação do terreno tem-me dado muito trabalho. Tenho ido à horta 2 a 3 vezes por semana, por períodos de 3 horas e ainda só consegui preparar uma das duas áreas que tinha planeado cultivar esta Primavera. Começo a pensar que talvez só consiga tratar deste bocado de terra e que terei de deixar a outra área para uma outra época.
Devido a este atraso relativamente aos meus planos, comecei a pensar: Porque será que não consigo despachar o trabalho da horta tão depressa como o planeio? Será que sou lenta, preguiçosa, que faço mal as coisas e por isso demoro o dobro do tempo? Se calhar acontece um pouco de tudo isso, mas penso que também será porque o terreno estava tão abandonado e caótico, que eu estou a ter muito mais trabalho do que aquele que esperava só na preparação do terreno, atrasando todos os outros planos que quero pôr em prática.
Por exemplo, após arrancar todas as ervas do terreno (fiz uma pilha de cerca de 1m3 com elas) e de ter cavado (a pouca profundidade) todo o terreno, percebi que tinha de podar uns arbustos que estavam num dos cantos do terreno e a ocupar um bom espaço que podia ser aproveitado para cultivo. Meti mãos à obra e lá se passaram as 3 horas de trabalho... Agora tenho um monte de ramos e troncos da minha altura para cortar, serrar e arrumar algures - mais umas horas de trabalho...
(Uma destroçadora vinha mesmo a calhar, pois por enquanto não tenho destino a dar aos ramos e gostaria de usar aparas desta madeira para cobrir o solo. Mas se nenhuma cair do céu, terei de esperar até poder comprar uma. Embora eu evite comprar máquinas, acho que estas são muito úteis e penso que se incluem no que a Permacultura considera "tecnologia adequada".)
Também aproveitei o terreno estar recém-liberto de ervas, para transplantar heras ao longo de todo o muro frente à casa. Perto duma esquina do muro existe bastante hera, no entanto ela não se tem espalhado pelo resto do muro, o que eu gostava que acontecesse. Dar esta mãozinha à hera custou-me mais uma hora de trabalho. E a horta continua atrasada...

2/28/2006

Preparação para a Primavera

Com a Primavera a chegar, estou dedicada à preparação da horta para as culturas de Primavera-Verão.
Finalmente vou dar uso às parcelas de terreno em que ainda não mexi. Ando a cortar as ervas que lá cresceram durante o Inverno e ando a programar as consociações de plantas e a organização espacial dos canteiros. Já semeei em tabuleiros as hortícolas que precisam de germinar em ambiente protegido antes de serem transplantadas para a terra. Vou cultivar tomates, cenouras, cebolas, couves, alfaces, batatas e várias leguminosas. Também queria dedicar um pouco de espaço a centeio e cevada, mais para perpetuar a semente que por outra razão. O espaço não é muito para tanta coisa, por isso vou ter de optimizá-lo, recorrendo a técnicas usadas na Permacultura. Vou trabalhar nisso e depois dou notícias.

2/09/2006

Podas e "tesouros" enterrados

Não é fácil fazer horticultura e jardinagem longe de casa. Uma vez comprometidos com as plantas, elas exigem a nossa atenção quase diária, especialmente em certos períodos do ano. E quando temos a horta nem que seja a 10 minutos de carro da nossa casa, acabamos por não a visitar todos os dias e por não lhe dar toda a atenção devida.
Tenho tentado manter as estacas em terra húmida, mas não consigo ir regá-las com a regularidade desejável e já tenho encontrado a terra demasiado seca para o meu gosto. Mas as plantinhas têm-se aguentado verdes. Já as que eu transplantei para o solo não estão com tão boa cara... Nesta fase eu deveria cuidar delas todos os dias, mas não tenho disponibilidade para isso e preocupa-me que elas possam não sobreviver.
Há dias comprei ferramentas para poda e dediquei-me a podar todas as árvores de tamanho pequeno e médio. As grandinhas terão de continuar como estão, porque não tenho nem ferramentas adequadas para as podar, nem vocação para trepar por elas acima e fazer algo potencialmente perigoso.
Já tinha podado um arbusto, mas foi mais um desbaste que uma poda, porque não segui regra nenhuma, só o que o instinto me ditava.
Mas desta vez segui alguns ensinamentos sobre poda que adquiri durante uma sessão do Grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica na Associação Harpa, no qual eu participo.
Além de seguir o instinto para determinar que forma dar à árvore, tentei seguir também estas regras:
- observar toda a árvore atentamente e predefinir o que se vai cortar;
- posicionar de um lado da árvore e escolher um ramo principal desse lado;
- eliminar os ramos cruzados e bifurcados do ramo principal;
- cortar os raminhos que derivam do ramo principal de forma a que eles sejam maiores da ponta para a base do ramo;
- abrir o centro da árvore para deixar entrar a luz;
- cortar os "ladrões" (pequenos ramos que crescem da base ou do tronco da árvore).
Não sei se me esqueci de mais alguma regra importante, mas penso que foram estas que segui.
Tirei fotografias do resultado final, mas como me esqueci de tirar fotografias da situação inicial, terão que confiar em mim em como fez muita diferença :)
Por fim, qual não foi o meu espanto quando, no meio das ervas e meio enterrado na terra, encontrei um molho de colares de missangas todos idênticos. Infelizmente já deviam estar expostos aos elementos há bastante tempo, pois alguns já estavam partidos e os outros estão em risco de se partir. Mesmo assim senti-me como se tivesse encontrado um pequeno tesouro!

1/28/2006

Não são só ervas!!!

Várias pessoas que viram a minha hortinha de leguminosas, gozaram comigo dizendo "É só ervas!!!". A excepção foi a vizinha que me arranjou sementes, que ao ver a horta exclamou "Olha, que lindas ervilhas tens ali!"
Para desfazer esta ideia errada que várias pessoas têm da minha horta, resolvi tirar umas fotografias que provam que aquilo não "é só ervas", mas sim uma futura colheita abundante de leguminosas.
Eu semeei em linhas, mas elas desapareceram por causa das favas que tinham caído no solo e com cuja germinação eu não contei. Mas originalmente as minhas linhas já eram muito pouco distanciadas entre si.
Agora não tenho trabalho a arrancar ervas "daninhas", porque elas simplesmente não tiveram espaço para se desenvolver. Façamos um jogo: onde está a erva daninha?

Eis uma fotografia de pormenor:
Mesmo junto ao solo, quase não há "ervas". Apenas tremoços, ervilhas, feno-grego e calêndulas salpicadas lá pelo meio.

1/25/2006

Sebe e Jardim de Aromáticas

Estou a criar uma sebe e um jardim de aromáticas numa faixa de terreno não murada ao lado da casa. O objectivo principal deste pequeno jardim/sebe é o de segurar o solo, que aqui desliza muito devido à existência de um desnível entre a casa e o terreno do lado.
A sebe será possivelmente composta de arbustos de alecrim, de que possuo estacas em número razoável que o meu pai me arranjou. Na Primavera transplantarei aquelas que pegarem. O jardim irá conter em princípio erva-príncipe, hipericão, salva e alfazema, que são as plantas de que disponho neste momento. Já plantei vários pés de erva-príncipe que o meu pai também me arranjou e o resto das plantas está dependente do sucesso do enraizamento de inúmeras estacas que tenho.
Não vale a pena colocar fotografias enquanto não chega a Primavera, porque não terei quase nenhumas plantas no solo que valha a pena mostrar. Por enquanto mostro apenas o esquema do que pretendo fazer.
Pretendo dispôr as plantas em forma de vilosidades, para facilitar o acesso a todas elas e ao mesmo tempo maximizar o aproveitamento do espaço, ampliar o efeito de orla e dar um aspecto mais natural ao jardim, objectivos que não seriam alcançados com uma disposição em linhas rectas. Esta disposição também permite concentrar o máximo de arbustos junto da sebe, local onde é mais necessário uma concentração de raízes que segurem o solo. Se as plantas fossem dispostas em linha recta, teria de se deixar espaço de passagem entre a sebe e entre as várias filas de plantas, o que não conferiria tanto suporte ao solo naquela zona crítica. Seria de esperar que nessa situação ocorressem deslizamentos de faixas de terra consecutivas, nas zonas de quebra de densidade de raízes.

1/20/2006

Favas, tremoço e ervilhas

Tinha planeado arrancar ervas na horta, mas tive que desistir dessa intenção. A horta está de tal forma atulhada de favas que nem consigo meter-me no meio delas sem destruir parte da futura colheita. Concluí que as ervas não são um verdadeiro problema e que mais vale deixá-las estar.
Parece que não só germinaram todas as favas que semeei como germinaram também todas as favas que já tinham caído na terra antes de eu ter começado a colhê-las. Parece-me que se eu quisesse uma cultura permanente de favas naquele local, só precisaria de colher as que desejo consumir e deixar as restantes ressemearem a terra para o ano seguinte. É impressionante o sucesso que as favas estão a ter.
Lá pelo meio encontrei filas de ervilhas e tremoços, mas o feijão-frade não fui capaz de o encontrar. Apesar de menos numerosas e mais pequenas, estas leguminosas parecem estar a crescer bem. Ainda não consegui perceber se o tamanho e densidade das favas as protege das condições agrestes ou se pelo contrário estão a abafar o seu crescimento. Para a próxima separarei as filas de favas das restantes leguminosas, em vez de as alternar, para ver como estas se dão.

1/12/2006

Esboço de projecto

Fiz um primeiro esboço de projecto para o espaço em À-do-Barriga. É simples, porque o espaço é pequeno e porque ainda não tenho capacidade para mais :)
Eis algumas ideias inspiradas nas características do sítio e nos princípios da Permacultura que gostaria de pôr em prática:

- criar um túnel de pérgulas a partir do portão, coberto de plantas trepadeiras. O túnel criaria espaço extra de vegetação, que ao nível do solo não poderia ser criado, ao mesmo tempo que embeleza a entrada neste espaço.

- estender as plantas trepadeiras que cobrem parte do muro, ao resto deste e colocar treliças em paredes onde seja possível colocar mais trepadeiras, para aproveitar o espaço vertical da propriedade.

- criar um laguinho de ar natural, com plantas aquáticas que mantenham a água limpa e com um repuxo alimentado a energia solar que oxigene a água.

- cobrir ao máximo o solo com plantas rasteiras e definir caminhos com lajes de pedra.

- criar canteiros elevados na zona frente à casa onde há mais árvores, para plantação de ervas e arbustos aromáticos e medicinais e melhorar o aproveitamento do espaço, através da criação de diferentes estratos vegetais.

- criação de 2 zonas de horta na parte de trás da casa, com as plantas semeadas em linhas perpendiculares ao declive do terreno, para evitar a erosão e o deslizamento de terra.
Outras ideias interessantes para este espaço, mas que implicam maior investimento são:

- a instalação de painéis solares no telhado, passivos e fotovoltaicos, para aaquecimento da água e produção de energia eléctrica.

- instalação de um pequeno gerador eólico como fonte alternativa e complementar de energia eléctrica.

- instalação de caleiras nos telhados para captação de água das chuvas e colocação de depósitos para água no telheiro do lado direito do portão. O desnível entre o telheiro e a horta permitiria a rega com a água dos depósitos, sem necessidade de consumo de energia.

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