6/28/2006

Colheitas, sementes e germinados

Depois de colhidas as alfaces, algum alho-francês, rabanetes, acelgas, ameixas e alperces, que estavam prontinhos a ser consumidos, estou agora dedicada à recolha de sementes de couves, alfaces e aromáticas e a acompanhar atentamente a evolução do milho, tomates, pimentos e couves, que são as próximas principais colheitas.
As abóboras estão a crescer bem e sem necessidade de cuidados, os alhos e cebolas estão já bons para ser consumidos e têm sido apanhados consoante as necessidades.
As couves que foram plantadas este ano não têm tido muito sucesso. Mesmo onde aplicámos composto elas não se têm desenvolvido muito e nalguns locais foram vítimas de piolho. Tenho-as pulverizado com chorume de urtiga e estou a preparar mais chorume para adubo líquido, na tentativa de lhes dar uma "forcinha" extra ao seu desenvolvimento.
Também temos cenouras, mas praticamente não cresceram, tal como os rabanetes e as batatas, pois a terra é muito argilosa e compacta e tudo o que são tubérculos e raízes não consegue expandir-se.
As aromáticas estão bem e recomendam-se. Temos coentros, salsa, menta, hortelã, alecrim, salva, erva-príncipe, funcho, tomilho, arruda, rúcola. Ainda são pequenas quantidades, mas estão a crescer bastante bem.
Uma vez que tenho mexido em sementes, lembrei-me das minhas tentativas falhadas de fazer germinados em casa e senti vontade de tentar novamente. Em tempos tinha comprado um germinador de barro, mas nele as sementes acabavam sempre por se encher de fungos e estragar-se antes de estarem consumíveis. Então procurei desenvolver uma alternativa caseira e descobri que posso germinar sementes em caixas de cd's!
Tinha algumas caixas redondas de 50 cd's vazias guardadas, porque tinha a certeza de que iria descobrir-lhes uma qualquer utilidade e finalmente descobri a função ideal para elas.

Para germinar as sementes eu inverto as caixas, coloco as sementes na caixa transparente, cubro-as com àgua e no dia seguinte escorro-as apenas invertendo a caixa, pois a tampa deixa sair a água facilmente. Depois viro novamente a caixa e deixo as sementes germinarem. Geralmente ao fim de 2 dias já estão prontas para serem consumidas numa bela salada. Outro facto interessante destas caixas é o facto de poderem ser empilhadas umas em cima das outras, formando uma torre que cabe em qualquer canto da cozinha. E nunca mais tive problemas com fungos.

6/16/2006

Venda na BIOCOOP

A venda de produtos na Harpa não tem tido muito sucesso - poucas pessoas conhecem a quinta e menos ainda compram os seus produtos quando por lá passam. Por isso decidiu-se vender alfaces e outros produtos da horta na BIOCOOP, que excepcionalmente concordou em recebê-los para venda.
Tem chovido imenso e a horta está um lamaçal, pelo que eu tenho evitado andar por lá a pisoteá-la, mas hoje a chuva deu tréguas durante a manhã e lá fui apanhar umas quantas alfaces e acelgas para entregar na BIOCOOP. Eu queria colher muito mais, até porque tinha ordens de colher o máximo possível, mas o meu carro é pequeno e as alfaces são enormes. Tudo o que consegui levar foram 30 alfaces (25 kg no total) e uma caixa de acelgas (5 kg). Deitei os bancos de trás e enchi a parte traseira do carro com a mercadoria.

A minha tia Elisa apareceu para me ajudar e lá fomos nós até à BIOCOOP.
Quando lá chegámos, deram-nos uma lição de como apresentar as hortícolas para venda, pois da maneira como estavam, segundo o Fernando, ninguém sequer lhes iria pegar. Entre a risota, chamaram-nos aprendizes de agricultoras, o que não considerei ofensivo, pois é a mais pura das verdades :)))
Antes de colocarmos as alfaces e acelgas à venda tivémos que as lavar, cortar restos de raízes e caules e encaixotá-las de novo.
Enquanto iniciávamos esta tarefa, começaram a surgir interessados nas nossas alfaces: primeiro uma senhora que queria 4, depois outra que queria 3, depois um casal de boca aberta com o tamanho delas e que queria a maior que lá tivéssemos (infelizmente não havia sacos onde elas coubessem e as pessoas acabavam por levar das mais pequenas)! Não conseguíamos lavá-las e prepará-las ao ritmo a que as pessoas as compravam. Eu diria que foi um sucesso :)
Já me pediram que levasse mais coisas para vender.

6/09/2006

Quinta da Harpa II

Quando comecei a trabalhar na quinta da Harpa, o Zé já tinha cultivado, entre outras coisas, couves, cebolas e alhos. Ele queixava-se que todas as semanas tinha que arrancar ervas do meio destas hortícolas, por isso decidi fazer mulching nestes canteiros. Arranquei as ervas, deixei-as no solo, cobri com jornais e por fim tapei com palha. Quando ele viu o que eu tinha feito, ia-lhe dando uma coisa... :)




Ele não confia muito na inocuidade dos jornais e cartões, os primeiros por terem tintas e os segundos por terem colas. Mas eu tentei assegurá-lo de que qualquer impacto menos bom que estes compostos tenham no solo, são largamente compensados pelo trabalho que nos poupam e pela retenção da humidade no solo. Quanto à redução do trabalho ele já se convenceu, pois desde que fiz o mulching, há cerca de um mês, nunca mais tivémos de nos preocupar com ervas daninhas. Quanto à humidade do solo, não está tão convencido.
Infelizmente, a rega da horta é feita por aspersão, o que significa que só após haver encharcamento dos jornais é que a água chega ao solo e como resultado disso, muitas vezes observamos que após a rega, o solo fica pouco húmido e apenas junto da superfície. Não sei se em resultado disso, mas parece que sim, as couves em que apliquei o mulching estão a desenvolver-se muito pouco.
Penso que a solução ideal não será eliminar o mulching, mas sim mudar o tipo de rega para gota-a-gota, até porque poupa bastante mais água relativamente à rega por aspersão. Já lhe falei nisso, mas esse investimento está em lista de espera nas prioridades da quinta.
Também cobri o solo onde foi cultivado milho e apesar de aqui ter usado cartão em vez de jornal, o milho tem crescido muito bem, porque a rega aqui faz-se com mangueira, directamente sobre as plantas e não por aspersão. Penso que isto confirma que o mal não é do mulching mas sim do tipo de rega.



Existem algumas pilhas de composto em diversos pontos da quinta. Tenho usado algum desse composto e gostava que houvesse mais disponível. Ofereci-me para iniciar uma outra pilha de composto, maior que as existentes, mas o problema é que o composto na quinta é produzido segundo o modo biodinâmico e portanto precisa de levar preparados biodinâmicos específicos. Não temos destes preparados na quinta e sempre que são necessários, é preciso pedir a quem os tenha. O Zé disse-me que esperasse pelos preparados antes de fazer a pilha de composto, mas eu ando a pensar fazer uma sem eles. Mais vale composto não-biodinâmico que composto nenhum.
Eis uma foto de uma das pilhas de composto, com cerca de 6 meses, de onde tenho estado a retirar composto.



Tenho usado este composto em redor de árvores e arbustos plantados recentemente na quinta e sobre o qual também coloco jornais e palha. Comecei pela fila de arbustos de amoras que estavam a ser engolidos pelas ervas e irei continuar a aplicá-lo noutras árvores e arbustos.


Também apliquei composto num canteiro de morangos que se encontra numa encosta da quinta. Estes morangueiros não foram cultivados da maneira mais favorável e praticamente não deram frutos, mas numa tentativa de ainda os salvar, cobri o solo à volta deles com muito composto e tenho-lhes dado alguma atenção. Os próximos serão cultivados em terraços e com muito composto logo de início.


6/07/2006

Quinta da Harpa

Uma das razões porque deixei de escrever tão frequentemente no blog foi ter começado a trabalhar em part-time na Quinta de São João dos Montes, pertencente à Associação Harpa (onde frequento o Grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica).
Estou a cuidar da horta e ajudo nas diversas tarefas da quinta. Também estou a ajudar na organização de festas de aniversário para crianças na Quinta aos fins-de-semana. Como contrapartida, deixei de ter tempo e vontade para me dedicar à minha própria horta, a qual não visito há quase 2 meses e que deve estar uma desgraça.
O meu projecto de transformação do terreno em À-do-Barriga passou para 2º plano e por razões que revelarei mais tarde, é provável que tenha que o abandonar por completo... Mas estou a aproveitar esta oportunidade de trabalho para continuar com as minhas experiências e aprendizagem em horticultura e permacultura, pelo que continuarei a escrever neste blog.
A Harpa é uma associação com raízes na Antroposofia e dedica-se principalmente à Educação, realizando vários tipos de cursos e seminários para adultos ao longo do ano e tendo também em funcionamento um infantário que segue os princípios da Pedagogia Waldorf. Esta associação pretende pôr a Quinta de São João dos Montes a produzir frutos e hortícolas, segundo os métodos da Agricultura Biodinâmica, para consumo interno e para venda.
Na Quinta, trabalha a tempo inteiro o Zé, que se tem esforçado imenso para pôr as coisas a mexer. Mas o trabalho que tem de ser feito é interminável e nem sempre ele consegue dar conta do recado, por isso a Harpa decidiu contratar-me temporariamente para o ajudar, uma vez que eu andava desesperadamente em busca de um part-time.
A minha principal responsabilidade é fazer a manutenção da horta, que foi em grande parte cultivada pelo Zé e pelo grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica. Também participo em qualquer outra actividade em que a minha ajuda seja necessária: desde a monda de árvores de fruto até à produção de doces e elixires com frutos da Quinta, já fiz de tudo um pouco. Até agora ainda não faltou trabalho para fazer e entusiasmo da minha parte também não :)
Para começar a apresentar a Quinta, mostro aqui uma foto-montagem e uma vista aérea, com uma indicação grosseira dos limites (a vermelho) e o ribeiro que a atravessa (a azul).
A Quinta tem uma zona de patamares junto ao ribeiro, onde se localiza um pequeno pomar de citrinos e a horta. É nesta zona que se encontra também um tanque que vai ser recuperado. Perto dos citrinos foram recentemente transplantadas amoreiras e serão cultivadas leguminosas para adubo verde, pois nessa área o solo é bastante pobre em matéria orgânica. No patamar acima, onde se encontra a horta, estão cultivados neste momento, milho, couves, brócolos, alfaces, cenouras, tomates, pimentos, rabanetes, couves-rábano, acelgas, abóboras, consolda, calêndula, chagas e milefólio. Na zona de encosta, mais afastada do ribeiro, encontra-se um pomar, que devido ao seu estado de abandono e tamanho, precisa de muito trabalho e dedicação. Nessa zona há também uma pequena área de aromáticas e morangos a crescerem em terraços.
Desde que comecei a trabalhar na Quinta, há cerca de mês e meio, que o meu maior contributo foi para a evolução da horta. Em baixo mostro a horta no seu início e como está neste momento.



As hortícolas foram transplantadas e semeadas nas datas propícias, segundo um calendário biodinâmico e nelas foi aplicado o preparado 500 (há informação sobre estes preparados na internet). Ainda estou a tentar perceber a forma como funcionam, mas não tenho dúvidas que funcionam, pois tentei transplantar algumas hortícolas sem ligar a estes cuidados biodinâmicos e apesar de algumas terem sobrevivido, os resultados foram muito maus. As alfaces que transplantei e sobreviveram ficaram raquíticas - não tenho fotografias, mas garanto que não passaram dos 12 cms de diâmetro. E em oposição vejam só o tamanho destas alfaces biodinâmicas! Muitas delas têm cerca de 40 cms de diâmetro e algumas campeãs ultrapassam os 50 cms de diâmetro.
Brevemente escreverei mais acerca dos meus trabalhos nesta Quinta.

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