8/23/2016

Quinta das Raposinhas


Depois das colheitas do Outono passado, basicamente entrámos em modo standby, porque arranjei um emprego das 9 âs 6. Fazia falta dinheiro para investir em algumas infraestruturas (e continua a faltar). Mesmo assim o meu pai conseguiu fazer por aqui algumas obras e estamos decididos a não deixar de fazer o que nos propomos, embora muito lentamente.
Decidimos aproveitar o que já temos naturalmente - ervas aromáticas espontâneas - e know-how a fazer doces e começámos a estar na feira de Alhandra a vender os nossos primeiros produtos. Entretanto também começámos a vender mel de um produtor amigo e por vezes temos germinados.
Demos nome ao nosso lugarejo e criámos uma página no facebook, como forma de nos comprometermos a ir avançando com isto.

QUINTA DAS RAPOSINHAS

Decidimos chamar-lhe Quinta das Raposinhas, pois temos a visita regular de um casal de raposinhas aqui na nossa quintinha que tanto nos delicia.
Visitem a nossa página, visitem-nos na feira, encomendem-nos produtos pela internet, agradecemos a vossa colaboração!

7/29/2015

Começo do Outono

Estive sem dar notícias praticamente todo o Verão, mas basicamente foi tempo de ir colhendo os frutos do trabalho da Primavera. Não foi um sucesso estrondoso, mas para primeira época, a experiência não foi má. Colhemos mais de 100 kg de vegetais e frutas da horta e pomar. De momento ainda temos tomateiros a dar frutos, porque não tive "coragem" de arrancá-los e vou deixar que eles decidam por si quando querem parar de produzir. Comecei entretanto a germinar as culturas de Inverno no viveiro e já deram um ar de sua graça com as primeiras chuvas. Na terra tenho a crescer ainda couves, alho-francês, alhos e cebolas. Em torre de pneus e sacos, estão as batatas-doce já bastante desenvolvidas (a parte aérea, porque ainda não vi se produziram alguns tubérculos).
Apanhei hoje a penúltima dose de dióspiros (faltam ainda amadurecer alguns) e agora aguardo a vez dos citrinos começarem a frutificar.
Devido à escassez de água, não pudémos expandir os cultivos e focámo-nos em procurar soluções para o futuro. Pedimos orçamentos para furos e pedimos a um especialista que nos fizesse um projecto de aproveitamento de água da chuva. 
Já temos caleiras e depósitos a aproveitar a água das chuvas que cai nos telhados, mas isso apenas permite regar a horta e o pomar nos dias secos entre os dias de chuva no Outono/Inverno. Mas não temos depósitos suficientes para guardar água para todo o Verão e muito menos para irrigar futuras áreas a ser cultivadas. Teríamos de encher metade do terreno com depósitos para regar a outra metade. Uma alternativa seria criar um lago ou represa que armazene água em grande quantidade, mas devido à topografia do terreno, não é fácil encontrar uma solução eficaz a um preço razoável. Existe a possibilidade de criarmos "swales" no terreno, que promovam a infiltração das águas de escorrência, mas isso também não resolve todas as necessidades de irrigação que temos nos nossos planos. É apenas mais uma ferramenta que deveríamos utilizar juntamente com outras, para termos garantidamente água no nosso terreno. Em breve, penso ter tudo isto melhor definido e orçamentado. 
Até lá vão-se fazendo outras obras e arranjos necessários. A quinta ainda parece um estaleiro e não tem um ar bonitinho para impressionar as visitas, mas a transformação não se faz dum dia para o outro, especialmente quando o orçamento é limitado. Há que ter paciência e ir fazendo o que se pode.

Pragas e doenças

A horta continua a dar tomatinhos. Já tirei muitos quilos de tomate cherry e agora começam a surgir tomates doutras qualidades: chucha amarelo, coração de boi, redondo acastanhado (não me recordo do nome da variedade) e até um variegado que penso ser resultante duma polinização cruzada, pois os tomates misturaram-se todos e devem ter ocorrido ali alguns cruzamentos não-programados.

As courgetes estavam com uma produção brutal, tirei algumas dezenas de quilos que usei em inúmeros pratos, sopas e cheguei a fazer doce e bolo com elas, mas começaram a ser atacadas por míldio e agora só dão umas courgetezinhas atarracadas ou elas apodrecem antes de se desenvolverem. 


Comecei por remover o máximo de folhagem afectada para ver se controlava a disseminação do fungo, mas só consegui atrasar a contaminação. Neste momento já está novamente instalada em força e começa a afectar outras plantas, como as acelgas. Pelo que sei, só a calda bordalesa consegue combater isto eficazmente. É uma solução permitida em agricultura biológica, mas da qual convém não abusar e como a mim me parece demasiado com a utilização de químicos em agricultura convencional, continuo à procura de soluções alternativas. 
Tenho experimentado uma solução de vinagre, pois o vinagre costuma ser bom a combater fungos e bactérias. Na verdade, o míldio foi lavado das folhas só com a pulverização do meu preparado, mas receio que o ácido possa queimar as folhas, ou altere o pH do solo causando ainda mais problemas. Mas estou em fase de experimentação e vou arriscando para aprender com os erros. 
Entretanto comprei mesmo os ingredientes da calda bordalesa e estou a preparar a mistura para experimentar em paralelo e comparar com os efeitos do vinagre. Na loja onde comprei os produtos, acabei a dar lições de ecologia ao vendedor, pois fico sempre chocada com a ligeireza e ignorância com que as pessoas lidam com estes produtos e outros bem piores. O senhor dizia-me que misturasse meio quilo de sulfato de cobre para 1 quilo de cal e eu dizia-lhe que a receita que eu tinha era para gramas de produto por litro de água, não quilos. Ele torceu o nariz como que a dizer que isso não dava para nada e que não tivesse receio de usar em quantidade, que aquilo era inócuo para as plantas. Só deveria ter cuidado com a cal, que essa sim podia queimar as plantas se aplicada em excesso. Ao que eu repliquei que o sulfato de cobre causa acumulação de cobre no solo e que devemos sempre usar a formulação mais diluída possível. Ele condescendeu só para me fazer feliz, mas obviamente vai continuar a incentivar os clientes deles a aplicarem carradas daquilo desnecessariamente, para que voltem lá muitas vezes para comprarem mais.




As ameixas têm apodrecido antes mesmo de amadurecerem. Concluí que andavam a ser atacadas por moscas da fruta, que com as suas larvazinhas a esburacar a fruta, a deixavam vulnerável a fungos que faziam o resto do trabalho. Tirei todas as ameixas podres das árvores que consegui e pendurei garrafinhas-armadilha com atractivo de açúcar e vinagre, que funciona às mil maravilhas. Ainda vão surgindo algumas ameixas picadas, mas cerca de 80% já parecem estar a desenvolver-se sem mazelas. E as armadilhas estão cheias de mosca da fruta. Infelizmente há outros bichinhos que acabam por cair nas armadilhas, principalmente moscas e formigas e uns mosquitinhos pequeninos, cuja morte prematura, penso, não irá desencadear nenhum cataclismo ecológico na horta. 
Custa-me ter de matar animais, mesmo que sejam "apenas" insectos, mas tive de aceitar a inevitabilidade de haver sempre "danos colaterais" quando se trabalha no campo.












As alfaces já espigaram. Não cheguei a apanhar nenhuma, apenas fui colhendo algumas folhas para provar os sabores delas, porque queria mesmo era ter sementes para uma próxima campanha. As sementes de origem foram-me dadas por uma amiga. Germinaram muito poucas, sendo todas elas de variedades diferentes, pelo que fiz questão de deixá-las desenvolver-se para sementes e encher a barriga de alface numa ocasião futura quando já tiver pelo menos uma dúzia de cada a crescer.

7/15/2015

Raposinha

Afinal a raposinha talvez tivesse sede e não fome. Não me tinha ocorrido, mas a verdade é que mesmo os javalis andaram pelo leito do rio seco a fazer escabeche, provavelmente à procura das últimas poças.
A seca continua e os animais não devem ter facilidade em encontrar água.

Alguns homens que andam aqui perto a fazer obras na estrada, disseram ter visto a raposa de manhã a sair de um ribeirinho seco. Sò então me ocorreu que talvez ela andasse em busca de água. O meu pai teve a mesma ideia nesse dia.

Felizmente, eu tinha deixado água junto com a comida e no dia seguinte verifiquei que tinha sido bebida. A comida desapareceu mais gradualmente, mas também foi desaparecendo. Desde então comecei a deixar-lhe água todos os dias. Comida não voltei a colocar, pois não quero que ela se torne dependente, apenas quero dar-lhe um reforço da dieta de vez em quando. 

Já a vimos mais duas vezes e mesmo quando não a vemos, quase todas as noites os cães dão sinal das visitas dela.

 



7/13/2015

Verão

O Verão está instalado e estamos à míngua de água. O poço não consegue acompanhar as nossas necessidades de rega e os ribeiros estão secos. Já sabia que isso poderia acontecer, mas no fundo tinha esperança que não acontecesse. Agora estamos a estudar e orçamentar soluções possíveis para termos água nos próximos Verões.
Entretanto vamos regando as árvores e a horta o mínimo possível, com água da rede, para não perdermos as plantas que já temos.

Tive uma boa colheita de beterrabas e courgettes. Ao ponto de ter de pensar em formas de as transformar, pois não conseguia consumi-las frescas ao ritmo a que se iam acumulando na cozinha. Experimentei desidratar as beterrabas no forno solar e ficaram excelentes. Com uma pitada de sal, sabem melhor que batatas fritas!


Tentei fazer o mesmo com as courgettes, mas tive mais dificuldades, por terem tanta percentagem de água. Demoram muito mais tempo a secar e ficam reduzidas a uma folha tão fina que se cola aos tabuleiros de rede. Depois de duas tentativas falhadas, optei por procurar receitas de doce de courgette, que pus em prática e ficou delicioso.

  

Hoje já colhi tomate cereja e tomate chucha, mas a quantidade é modesta e vou aguardar que amadureçam mais tomates (há muitos, mas verdes) para lhes tirar fotos. O mesmo se passa com as amoras. Há imensas silvas carregadinhas pelo tereno fora, mas a maior parte das amoras ainda está verde. Daqui a uma ou duas semanas devem estar no ponto.

Tinha semeado alguns girassóis que finalmente deram o ar da sua graça, mas vão servir basicamente para aproveitamento de sementes, se os passarocos não as comerem todas.



Por causa da falta de água, coloquei as culturas todas em standby, apesar da minha vontade de continuar a expandir a horta. Mas quando começaram a grelar umas batatas-doce que eu tinha comprado para comer, decidi aproveitar uns pneus abandonados no terreno, para experimentar a técnica de cultivo em torre. Vi algures que também funciona com batata doce. Mas já comecei mal, pois devia tê-las plantado no chão e assim desaproveitei um nível de pneu... Paciência.


Aproveitei para testar também uma técnica de rega, com garrafas PET e cones cerâmicos de enroscar, que vão libertando a água por osmose. Tinha comprado os cones há um par de anos para a minha horta de varanda e acabei por nunca os usar, até hoje. Estão agora a ser testados com as batatas-doce e algumas árvores de fruto. Se resultarem bem, gostava de comprar mais uns quantos destes cones para usarmos em plantas de acesso mais difícil, que geralmente regamos com regador e nos obrigam a algumas acrobacias. No AKI estão a vender estes cones a 7 EUR cada, mas eu lembro-me de os ter comprado no Continente em promoção, tipo fim de stock, por pouco mais de 1 EUR cada. Trouxe todos quantos havia disponíveis, infelizmente não eram mais de meia-dúzia.

Existem métodos alternativos, como enterrar vasos ou potes de cerâmica (não vidrada) ao lado das plantas, ou até mesmo enterrar as garrafas PET pelo gargalo directamente no solo, com as tampas devidamente furadas (mas eu já tentei essa técnica e tive dificuldade em regular a saída de água das garrafas: ou desparecia num instante, ou não saía nada). Pesquisando na net, encontram-se inúmeras soluções e opiniões de quem as testou. É uma questão de investir algum tempo a ver o que resulta melhor para nós. Eu, pessoalmente, se vir mais destes cones em saldos, vou aproveitar.

Entretanto temos uma nova amiguinha. A raposa cujos olhos eu já tinha avistado na noite, tornou-se mais descarada e já veio sentar-se em frente ao nosso portão. Como os nossos cães ficaram loucos e quase saltavam a vedação para ir atrás dela, fizémos por enxotar o bichito, apesar de lhe acharmos graça. Mas agora é comum chegarmos a casa e ela sair das moitas para vir ao estacionamento ver quem chegou. A bichinha pode ser apenas curiosa, mas tenho receio de que possa estar com fome. Apesar de não me ter parecido magra ou doente, a verdade é que devido a vários factores (seca, obras barulhentas na estrada, caçadores nas redondezas) penso haver falta de coelhos e outros bicharocos que lhe sirvam de alimento. Por isso mandei à fava a velha máxima de que não se devem alimentar os animais selvagens e fui deixar alguma ração de cão e água em locais estratégicos por onde ela pode passar.
Não tenciono domesticá-la e torná-la dependente de comida artificial, apenas ajudá-la a passar uma fase mais difícil de forma a ela poder continuar viva e capaz de se alimentar quando encontrar uns coelhinhos por aí aos saltos. Mas se ela me quiser cativar, marcaremos encontro todos os dias à mesma hora :)

 

6/17/2015

Os frutos do nosso trabalho

Estive fora durante duas semanas, mas os trabalhos por aqui prosseguiram e as plantas não pararam de crescer.
A horta está verdejante, com acelgas, couves, beterrabas, courgettes e alfaces já prontos a comer e tomates, batatas, cenouras e alho-francês ainda a crescerem, mas também com bom aspecto.
As árvores e arbustos já vão dando frutos, e vamos comendo aquilo que os pássaros não apanham primeiro (são um problema a ser resolvido), como figos, pêssegos, nêsperas, ameixas e framboesas.
Infelizmente o poço está praticamente seco e estamos a racionar as regas, mas temos algumas ideias para criar reservas de água alternativas e iremos debruçar-nos sobre esse assunto nos próximos tempos.
Entretanto, aqui ficam algumas fotos da horta e de alguns produtos colhidos recentemente.










5/27/2015

Evolução da horta

A horta vai de vento em popa, embora tenha sofrido alguns percalços.
Andavam a desaparecer plantas misteriosamente. Eu transplantava uma fila para a horta e no dia seguinte faltavam dez plantas, transplantava outra fila e mais dez plantas desapareciam. Gastei quase metade das plantas germinadas em tabuleiro, a repôr plantas que desapareceram da horta.
Descobri que as minhas cadelas encontraram formas habilidosas de saltar a cerca e de entrar e sair da horta, pela calada da noite. As alfaces e espinafres foram os alvos preferenciais, mas também desapareceram cenouras e outro tipo de plantas.
Durante este processo de desaparecimentos e averiguações, acabei por não instalar mais filas de plantas e por enquanto vou adiar essa instalação por mais algum tempo. Para já vou observando o que está a crescer.





O que temos mais são courgetes, couves, acelgas, tomates, batatas e rabanetes. Os rabanetes crescem muito bem e já entraram em diversas saladas. As courgetes começam agora a ficar comestíveis. O resto precisa ainda de tempo para se desenvolver. Mais do que encher-nos a barriga, estas plantas pioneiras servem-nos como ferramenta de aprendizagem e para recolha de sementes para futuras plantações e sementeiras, mas o gozo de comer um rabanete e umas folhinhas de couve nascidas na nossa horta, também alimenta a alma.




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