12/27/2012

Natal reinventado


Há alguns anos que abandonei a "tradicional" "celebração" das "Festas"(tradução: febre consumista e bulímica que se vive entre Dezembro e Janeiro).
Comecei por trocar as prendas massificadas por prendas com alguma mensagem positiva (produtos biológicos, de comércio justo, reciclados, etc). Depois fui mesmo reduzindo as prendas a só meia dúzia de pessoas mais importantes. Passados alguns anos de desmame, sinto-me finalmente desintoxicada da obrigação de dar prendas e simplesmente deixei de o fazer e não sinto qualquer tipo de remorsos ou preocupação pelo que os outros possam pensar de mim. Mas foi um processo lento e doloroso. Ah ah ah!
Ocasionalmente sentia vontade de fazer algum tipo de decoração natalícia, mas isso agora tornou-se difícil desde que vendi em 2ª mão todos os enfeites que possuía, pelo que até isso são águas passadas. Ou talvez não ;)
Este ano tinha por aqui uma antena de tv pronta para ser entregue num ecocentro, quando tive uma visão de como ela poderia ser reciclada e tornada útil nesta "época festiva". E surgiu assim a árvore de Natal feita com uma antena de tv, cápsulas de café e cabos informáticos. Pretende ser decorativa e ao mesmo tempo uma crítica artística ao consumo, desperdício e alienação em que todos acabamos por nos ver envolvidos, não apenas no Natal, mas no quotidiano.
Não quero ser o Grinch, não vejo nada de errado na celebração religiosa do Natal para quem isso tem significado, nem vejo nada de errado na festa da família para quem vive o Natal de forma mais secular, mas causa-me alguma perturbação a forma como nós, indivíduos, nos sentimos pressionados a responder às expectativas da família, amigos, conhecidos e sociedade, quando chega esta altura do ano. Eu sei o que isso é, porque já senti essa pressão. Frequentemente
as pessoas confessam-me em surdina que, por elas, gostariam era de aproveitar as pequenas férias de Natal e fim-de-ano para relaxar, em vez de andarem num corre-corre a gastar dinheiro em presentes e a fazer cozinhados. E em surdina dizem-me também que no fundo acabam por o fazer, não porque isso lhes dê muito gozo, mas por causa do papão que são as expectativas dos outros e a ameaça de se tornarem a ovelha negra se não lhes corresponderem.
Por isso digo: tenham boas festas, mas por favor, não tenham medo e libertem-se!



9/01/2012

Pão integral caseiro em máquina de pão

O pão nosso de cada dia cada vez se parece menos com pão. Em vez de água, farinha e fermento, a lista de ingredientes da maioria dos pães, mesmo os que se fazem passar por tradicionais, contém uma dúzia de ingredientes, vários dos quais são "Es" químicos sintéticos. Mesmo os pães mais básicos, com menos artifícios, são feitos de farinha de trigo refinada, desprovida de nutrientes e por isso só serve para encher e dar calorias, mas não verdadeiramente nutrir e alimentar. Por tudo isto, já não dá gozo comprar pão, excepto pão caseiro com farinha integral biológica, mas esse é quase sempre demasiado caro e difícil de obter para a maioria das pessoas. Andei por isso a estudar alternativas e encontrei uma farinha integral não biológica no supermercado, bastante mais em conta que a biológica nas lojas da especialidade e que, não sendo a melhor opção em termos ambientais e de saúde, é talvez a melhor em termos de balanço custo-benefício para quem não pode ter grandes despesas. Perdoem-me a publicidade, mas é tão difícil encontrar farinha integral num supermercado, que fiquei verdadeiramente contente em conhecer a farinha Dona Flor que, ao que parece, não é mistura de farinha branca com farelo como muitas outras supostas farinhas integrais à venda, mas sim farinha integral a sério, da moagem dos grãos de trigo inteiros e com casca.
Uma embalagem de 500g de farinha e um pacotinho de fermento de pastelaria, servem para fazer dois lindos e saborosos pães numa máquina de fazer pão recuperada da casa da minha mãe, por um preço aproximado de 1 EUR.

7/19/2012

Barras de cereais caseiras

Precisava de preparar comida para 3 dias sem acesso a cozinha, restaurante ou supermercado. Uma das ideias que tive foi levar comigo barras de cereais, mas confesso que não sou fã de nenhuma das que já comi até hoje, mesmo as das lojas de produtos naturais, que apesar de menos enjoativas e menos artificiais, são carrérrimas. Então decidi tentar produzir as minhas próprias barrinhas.
Não segui nenhuma receita. Improvisei a 100%.
Triturei uma mistura de frutas secas (alperces, ameixas, maçãs, passas), juntei-lhe flocos de aveia, sementes de sésamo e mel e mexi até ficar bem homogéneo.




Coloquei esta mistura numa caixa de plástico rasa (que serviu de forma). Depois de bem comprimida a mistura, virei a caixa e coloquei esta placa de cereais e fruta num tabuleiro.




Repeti a tarefa e enchi dois tabuleiros. Um levei ao forno durante uma meia hora, o outro deixei secar ao ar.
No fim, cortei as placas em barrinhas e fiquei com um fornecimento que me deu para os 3 dias e para distribuir pela família e amigos.
Ambas as versões ficaram saborosas, mas a melhor foi a que secou ao ar. A que foi ao forno acabou por cozer e ficou tipo bolo. A outra deu origem a verdadeiras barrinhas de cereais, com as quais me deliciei!
 

5/31/2012

Frescos, biológicos e locais

"Locavore" é o termo inglês que designa quem procura consumir alimentos produzidos na sua área de residência, como forma de apoiar a economia local, consumir produtos frescos e nutritivos e reduzir a pegada ecológica (especialmente em termos de CO2 que é poupado, com a redução significativa das distâncias de transporte dos alimentos).  Não existe um termo equivalente em português, seria algo como locávoro, que soa mesmo muito mal, mas já existe muito boa gente que tenta aplicar este princípio na hora das compras.
Uma das minhas mais recentes preocupações era precisamente passara consumir mais localmente, mas hoje em dia mesmo nos mercados só se encontram basicamente produtos importados. Aminha mãe costuma comprar a alguns poucos velhotes que ainda têm as suas hortinhas e garantem não usar químicos, mas são uma espécie em vias de extinção.
Eis quando - estando eu ainda a planear um dia pensar melhor no assunto - o homem dos sete ofícios que veio fazer algumas obras a casa da minha mãe mencionou ter iniciado uma pequena produção biológica de hortícolas, no seu terreno a escassos 2-3 kms da nossa casa. Adoptado!
Visitamos o blog dele para saber das novidades, mas ele também nos liga quando tem algo para vender. Mais ou menos a cada semana e meia vamos buscar a nossa encomenda. 


E é um prazer consumir estes produtos fresquinhos, nutritivos e locais. 
Em troca levamos-lhe os nossos resíduos orgânicos, para juntar à sua pilha de composto. Numa família de 4 pessoas que consomem imensos frutos e vegetais, chegam a ser cerca de 75 lts (3 sacos grandes) de resíduos. Estamos a negociar com ele um descontozinho com base nessa troca, mas sabemos que será apenas simbólico. O maior valor ganho com este negócio é a satisfação de apoiarmos um agricultor local e consumirmos Alimentos com "A" grande, não aquelas coisas que se parecem vagamente com comida, mas são basicamente celulose com água e nitratos.

5/27/2012

Café bio em cápsulas

Esta nova moda dos cafés em cápsula que servem exclusivamente na máquina de café de determinada marca, incomodou-me desde o primeiro dia.
Primeiro, quem compra uma máquina de determinada marca, fica obrigado a consumir exclusivamente café daquela marca, o que é um atentado à liberdade de escolha. Se a empresa falir ou por alguma razão deixar de fabricar aquele tipo de cápsulas, será que reembolsa o cliente pelo investimento na máquina? Ou se simplesmente decidir subir o preço das cápsulas e a pessoa quiser mudar de sistema, quem a reembolsa do investimento na máquina?
Segundo, o custo ambiental de se fazerem cápsulas de plástico ou alumínio para cada dose de café, mais o custo ambiental destas irem para o lixo ou mesmo serem recicladas é muito superior ao de uma embalagem de café com 30 ou 40 doses.
Claro que ninguém é obrigado a aderir a estes sistemas de cápsulas, mas com a explosão de marcas que agora oferecem esta opção, há a possibilidade de um dia não termos senão essa opção. O pensamento monopolista por trás de todo este conceito está errado.
Curiosamente, apesar das questões que me incomodam com estas máquinas, acabaram por vir parar uma a casa da minha mãe e outra à minha.
Claro que eu não podia deixar de fazer alguma coisa para contornar os problemas que elas levantam. Experimentei vários métodos de piratear as cápsulas usadas para poder usá-las com outro café, especificamente café biológico e de comércio justo. E depois das contas feitas, não é que fica 3 a 4 vezes mais barato do que o café convencional de comércio "injusto"?


Uma das máquinas é da Nespresso e o método que funcionou melhor com estas cápsulas foi colocar um pedaço de filtro de café entre a cápsula e a grelha em que esta encaixa. [É preciso retirar o depósito de cápsulas usadas e colocar a cápsula e o filtro na posição certa, ajudando a posicioná-la por cima e por baixo]. Tentei com papel de alumínio, mas era frágil de mais e encarquilhava em vez de furar. Talvez resulte se for um papel de alumínio forte e não aquele que se usa para embrulhar sanduíches, mas eu prefiro o filtro de café, pois é biodegradável.



A outra máquina é da Lavazza e com esta o papel de alumínio funciona muito bem e permite que se preparem as cápsulas com antecedência e se coloquem de reserva, ao contrário das outras que têm que ser preparadas na hora, mas também hei-de experimentar com papel de filtro.



As marcas destes cafés desaconselham a reutilização das cápsulas argumentando que o método poderá estragar as máquinas. Não vou dizer que é mentira, pois poderá acontecer, uma vez que estes sistemas estão desenhadas para funcionar a certas pressões e qualquer perturbação poderá causar desarranjos a longo prazo. Mas até agora não tive qualquer problema, excepto durante as minhas primeiras experiências em que entupi a máquina Nespresso algumas vezes (mas nada que uma passagem de água não resolvesse) e desde que encontrei o método mais adequado, não voltou a acontecer.

5/24/2012

Andorinha Primavera

Ao sair de casa, a minha mãe encontrou uma andorinha moribunda, literalmente a ser devorada por insectos. Percebeu que a coitadita ainda mexia, pegou-lhe e removeu os bicharocos todos que a atormentavam. Quando a trouxe para casa, estava tão chochita que não acreditávamos que pudesse recuperar. Apenas esperávamos poder dar-lhe algum conforto.

Coloquei-a numa cesta de verga aconchegada por uma toalha. Dei-lhe água com uma seringa mas ela mal parecia sorver alguma coisa. Pesquisei na net sobre a o que dar de comer a uma andorinha resgatada. Algumas pessoas sugeriam papa de pão com leite se fosse uma cria, mas isso pareceu-me inadequado a um animal insectívoro. Encontrei então uma sugestão de fazer uma papa com ração seca de gato, especialmente uma que fosse à base de carne e não de cereais. Inicialmente dei-lhe a papa muito diluída através da seringa, porque ela continuava a não querer comer. 
Dei-lhe muito quentinho e carinho, mantendo-a grande parte do tempo enroladinha num pano de encontro ao peito. Se há coisa que aprendi ao tomar conta de muitos animais doentes, foi que acima de tudo eles precisam de estar em contacto connosco. Diz-se sempre que se devem deixar os pássaros num local escuro, silencioso e sem interacção, mas eu descobri que aquilo que lhes posso dar melhor que comida e água, é a minha energia. Muitos animais que eu sei que teriam morrido mesmo com os melhores cuidados médicos, só se safaram porque lhes dediquei essa atenção carinhosa. 
Mesmo sem comer grande coisa, a andorinhita arrebitou muito durante a primeira tarde. Como receei que morresse durante a noite, fui vê-la de 2 em 2 horas, mas ela ferrou no sono e não acordou toda a noite. Dormiu muito melhor que eu.
No segundo dia já mostrou mais interesse na comida e já começava a dar às asas. Percebi então que tinha uma das asas magoada e que não conseguia voar. Quando ela própria percebeu essa situação, rendeu-se aos meus cuidados e durante alguns dias ficou perto de mim enquanto eu trabalhava, pedindo-me comida e água de hora a hora.

 

Entretanto comprei numa loja para animais uma ração mais apropriada, para aves insectívoras. Instalei diversas armadilhas para moscas nas janelas e varandas da minha casa, mas durante dias, nem uma lá caiu e a pobrezita teve que continuar a comer papa.
Cada vez que ela se sentia com mais coragem, indicava-me que estava pronta para dar às asas e eu deixava-a esvoaçar pela sala. A recuperação foi lenta. Demorou cerca de 2 semanas e meia até a andorinha começar a voar perto da sua melhor forma. Mas entretanto começou a ter diarreia de estar à tanto tempo numa dieta que lhe era pouco natural.
Consegui reverter isso rapidamente dando-lhe alguns bichos que encontrava esmagados num passadiço junto ao rio onde inúmeros bichos-da-conta e outros insectos são acidentalmente esborrachados pelos transeuntes. 
Um dia ou dois depois, totalmente recuperada da diarreia e a voar aparentemente sem problemas, começou a dar sinais de impaciência, indicando-me que queria ir embora. Eu queria dar-lhe a liberdade, mas já me custava deixá-la ir. Afeiçoei-me muito à pequenita. Passou muito tempo ao meu colo, ou aninhada nos meus ombros e cabeça. Subia para o meu dedo e passeava comigo pela casa. Deixava que lhe fizesse festas e lhe desse beijinhos e fazia um ar muito doce, derretidinha com os mimos.
Mas se não a libertasse, tudo isto teria sido em vão.
Com ela empoleirada no dedo, levei-a até à marquise e abri a janela. Olhou para mim desconfiada como quem dizia "É mesmo a sério? Posso ir embora?". Ri-me e disse-lhe "Vai, és livre de ir para casa." Ela deu uma volta na marquise em jeito de despedida e lançou-se janela fora. No exterior deu umas quantas piruetas de alegria por poder voltar a voar na vastidão do céu e depois juntou-se a um bando de andorinhas que nidificam no prédio do lado. Ainda a segui com o olhar durante um tempo, mas depois perdi-a no meio das outras, mas percebi que tinha voltado a casa e fiquei feliz.
Passados dias, comecei a desconfiar que ela me estava a visitar, ao notar uma certa andorinha a passar todos os dias a rasar a janela da marquise. O "chirp-chirp" dela é-me muito familiar e mesmo que eu esteja dentro de casa distraída com alguma coisa, se ouvir aquele "chirp-chirp" no meio de tantos outros, levanto logo a cabeça e sinto que é ela.
Uma destas manhãs acordei com uma canção maravilhosa no parapeito da janela do meu quarto. Até os meus gatos estavam em polvorosa, como se reconhecessem aquele canto. Então vimos que era a nossa andorinhita que nos tinha vindo visitar. No dia seguinte a mesma coisa e ficou durante bastante tempo ali a cantar. Agora deixo-lhe sempre no parapeito um pequeno recipiente de água e outro de comida (caso queira um suplemento ou sobremesa), mas ela não tem dias certos para vir. Deve ser quando lhe dá jeito lá na sua agenda :)

5/06/2012

Leite de aveia cru

Há muitos anos que deixei de consumir lacticíneos e em concreto de beber leite de vaca. Depois de ter deixado de beber o leite materno, biologicamente nunca  mais deveria ter bebido leite e muito menos leite que é naturalmente destinado a bezerros. No entanto - questão  cultural - cresci a beber leite de vaca e ficou-me o hábito de colocar qualquer bebida esbranquiçada no café ou a acompanhar os cereais. Quando decidi deixar os lactcíneos, decidi então virar-me para os leites vegetais.

[Antes que algum purista argumente que leite é só o dos mamíferos, lembro que de acordo com diversos dicionários, qualquer substância leitosa pode ser chamada de leite. Ou também acham que se deve proibir de se chamar leite corporal aos hidratantes ou leite de magnésia ao antiácido? A campanha "anti leite vegetal" foi lançada pelo lobby dos lacticíneos, num esforço para diferenciar as ""bebidas vegetais" do "leite". Embora discorde do argumento linguístico, curiosamente considero que têm razão num ponto: realmente estas bebidas não são comparáveis. Os leites vegetais são bem mais saudáveis!]

Um litro de qualquer leite vegetal é geralmente bem mais caro que um litro de leite de vaca, com excepção actual do leite de soja, que já tem um preço muito mais acessível graças à vulgarização do seu consumo. Por isso, há alguns anos que compro pacotes de leite de soja. Mas para alguém sempre crítico como eu, este consumo levanta-me diversas questões.


Antes de mais, a não ser que o leite seja biológico (logo, mais caro), nunca tenho a certeza absoluta de que a soja utilizada não seja parcialmente transgénica. Na Europa, como os alimentos transgénicos têm de ser rotulados, as empresas optam por não os vender directamente ao consumidor, que os rejeita (vão antes para as rações animais), mas a contaminação acontece e a fiscalização é esporádica, por isso corre-se sempre algum risco no consumo de soja. 

Em seguida, preocupa-me a quantidade de pacotes tetrapak que semanalmente separo para reciclagem e ainda algumas questões por estar tão dependente diariamente de um produto tão "fabricado" ou processado, algo que eu procuro cada vez mais eliminar da minha dieta.

Para garantir que o meu leite de soja não era transgénico, mas também numa tentativa de poupar dinheiro, cheguei a investir numa máquina com a qual fazia leite de soja em casa a partir de grão de soja biológica. Mantive essa rotina durante cerca de um ano, até que uma borracha isolante da máquina se rompeu e ninguém foi capaz de a reparar, ficando a máquina inutilizada. Acho que nunca cheguei a amortizar o valor investido e por isso não senti qualquer motivação para comprar outra máquina. Voltei ao leite de soja convencional de pacote. Até agora.

Decidi tentar fazer o meu próprio leite novamente, sem máquinas especiais e sem complicações. Pesquisei as alternativas e optei por experimentar fazer leite de aveia cru. Razões: facilidade, economia, rapidez, nutrição! 
 
Mais à frente pretendo tentar fazer leite de arroz, amêndoas e nozes, mas para já o de aveia pareceu-me ser o mais adequado e simples.
Guiei-me, grosso modo, por diversas receitas encontradas online, mas na prática fiz tudo um bocado a olho, seguindo o meu instinto em termos de quantidades e foram estas as conclusões a que cheguei. Para 1 litro de leite, basta demolhar cerca de 100 gr de aveia durante 1 a 2 horas (mas também pode ficar de molho da noite para o dia), triturá-la com uma varinha mágica, filtrar o líquido, ajustar o volume de água até perfazer um litro e armazenar! Não é preciso sequer cozer a aveia, poupando-se energia, tempo e preservando mais dos seus nutrientes.



Há quem não goste do sabor "cru" deste leite e não abdique por isso de cozer a aveia, mas eu adaptei-me perfeitamente bem ao sabor e quando quero que fique mais guloso, contento-me em adicionar-lhe uma colher de mel. 
Com o resto sólido da aveia, faço pequenas sobremesas, misturando fruta, passas, canela, mel ou o que quer que a imaginação dite no momento. 


Em termos de poupança monetária, estes são os resultados dos meus cálculos (não incluindo o custo da água e da energia utilizada, considerado minúsculo).





4/24/2012

Dispensadores de sacos feitos com calças velhas

Este pequeno projecto já o fiz há mais de um ano, mas lembrei-me de o partilhar agora.
Uma vez que costumo levar os meus próprios sacos às compras, não sei como isto sucede, mas tenho sempre imensos sacos de plástico em casa. Dava-me jeito um dispensador de sacos, mas não queria cair no erro de comprar um de plástico, contribuindo ainda mais para a presença deste material no planeta.

Quando umas calças de um pijama de algodão se rasgaram, tive a ideia de fazer dispensadores de sacos com as pernas do dito cujo. Ficaram um bocado grandes, mas na verdade dá imenso jeito que assim sejam.

Deveria postar um guia passo a passo, com fotos bonitas e tal, mas ainda não cheguei a esse nível de refinamento. Além disso, quando há um ano fiz este "projecto", não tinha ideia nenhuma de vir a postá-lo no blog. 

Na foto, um dos dispensadores em acção. Sim, é mesmo grande!


Sumariamente, foram estes os passos deste projecto: 
1 - separei (cortei) as pernas da cintura elástica das calças
2 - separei as pernas uma da outra
3 - ajustei o tamanho de cada perna à altura pretandida
4 - cortei ao meio o elástico da cintura e usei as duas partes para fazer novas "cinturas" nas entradas (topo) de cada dispensador 
5 - usei o cordão que apertava as calças na cintura, para fazer aberturas reguláveis nas saídas (fundo) de cada dispensador 
7 - os dois buracos por onde passava o cordão da cintura original, ficaram localizados convenientemente nas entradas de cada dispensador e serviram na perfeição como ponto de fixação ao porta-panos de parede 

4/19/2012

Higiene oral natural

É impressionante a quantidade de químicos irritantes, cancerígenos e disruptores endócrinos que colocamos voluntariamente no nosso corpo diariamente. Cada vez que vamos comprar uma pasta de dentes, um champô, um óleo de banho, estamos a pagar para que nos envenenem. Depois surpreendemo-nos pela nossa fraca saúde.

Consciente da toxicidade dos produtos cosméticos, há anos que procuro comprar produtos o menos mauzinhos possível, mas nem sempre me mantenho fiel a isso. Mesmo quando consigo resistir à tentação de experimentar o novo champô da marca xyz, que promete revolucionar o meu mundo e espero pelo dia em que passarei no Celeiro para comprar algo mais "natural", acabo sempre desiludida pelo facto de que todos os champôs e, na verdade, todos os produtos cosméticos comercializados, por mais naturais que sejam, por mais ingredientes de origem vegetal que contenham, conterem sempre alguns químicos de síntese altamente suspeitos na sua composição. Há ainda a considerar que a sua produção industrial é sempre causadora de um impacto ambiental não negligenciável, no qual não queremos sequer pensar, dada a conveniência do "pronto a usar". 

Na senda de uma transição para um estilo de vida com um impacto mais reduzido, mais económico e frugal e também mais saudável, decidi progressivamente aprender a utilizar produtos alternativos aos cosméticos comercializados. E comecei precisamente pela pasta de dentes. 
Já usei dentífricos à base de argila e de plantas. Havia um do Celeiro com aroma de anis que era um prazer usar, mas... eram todos ou ainda demasiado químicos ou, simplesmente, demasiado caros! Experimentei um dentífrico japonês em pó, que consistia de beringela torrada e sal, mas também não era propriamente barato e, não raras vezes, deixava-me partículas pretas entre os dentes, o que era um bocado contraproducente. Decidi por isso procurar receitas de dentífricos caseiros e descobri que podemos usar simples bicarbonato de sódio para escovar os dentes. Excelente!

A minha nova rotina de higiene oral!

Mais eficaz será uma mistura de bicarbonato de sódio com cloreto de sódio (vulgo sal de cozinha), numa proporção de 1 para 4, pois o sal, ligeiramente mais abrasivo, ajuda a remover as impurezas dos dentes, além de coadjuvar o bicarbonato como bactericida. Quem faz questão de ter um dentífrico em pasta e não em pó, pode simplesmente adicionar 3 ou 4 colheres de chá de glicerina a 1 copo deste pó, misturar bem, et voilá! Em ambos os casos, pó ou pasta, pode-se ainda adicionar umas gotinhas de óleo essencial de menta, anis, limão, ou outro que se goste e que não seja tóxico para as mucosas, para um toque aromático que torne a escovagem ainda mais agradável. 

Como complemento a este dentífrico natural, um elixir bucal à base de água oxigenada diluída em água na proporção de 1 para 10, ajuda a manter os dentes mais brancos e a boca mais desinfectada. O ideal será bochechar antes da escovagem ou mergulhar a escova no elixir antes de usar o pó ou a pasta, pois a acção combinada dos elementos tem um efeito sinergístico e diz-se que deixa os dentes ainda mais brancos (sem no entanto destruir a camada de esmalte necessária à saúde dos nossos dentes). 

Fiz uma pequena comparação de custos, com base nos preços de dentífricos e elixires à venda num hipermercado e dos ingredientes alternativos à venda no mesmo espaço, tendo em conta as diferenças de preço entre os mais baratos e os mais caros. Não garanto a correcção absoluta dos cálculos e convido-vos a fazerem-nos vós mesmos, mas pretendi ter em conta uma aproximação em termos de quantidades dos produtos comercializados prontos a usar e as suas contrapartes fabricadas em casa (pós mistura e/ou diluição dos ingredientes) e penso que os valores são indicativos daquilo que se pode poupar com esta mudança de hábitos.
 

4/10/2012

Transição

Quem me conhece sabe que eu sou extremamente atenta aos meus hábitos de consumo e que procuro sempre fazer as escolhas com menor impacto ambiental. Mas ninguém é de ferro e cheguei a uma altura em que, parecendo humanamente impossível ir mais além, dei por mim a pensar "mas porque raio hei-de eu esgotar-me com tanto esforço, se eu sozinha não posso "salvar o mundo" e os outros em redor parecem não querer saber de fazer a sua parte?".

Não deixei de fazer o que já era meu hábito, mas não tive coragem de ir mais além. Esse "mais além" seria passar a fazer os meus próprios cosméticos e produtos de limpeza caseiros em vez de comprar versões "amigas do ambiente" nas lojas. Era gradualmente comprar alimentos directamente a pequenos agricultores em vez de ir procurar biológico e português ao supermercado. Era procurar aprender artes e ofícios que me permitissem ser mais auto-suficiente.


O plano sempre esteve na minha mente, mas cansada da dedicação que isso exigia e das constantes mudanças na minha vida que me impediam de desenvolver uma rotina, decidi adiar isso para quando um dia tivesse a minha vida mais "arrumada" e, idealmente, uma casinha no campo.
Mas com a crise económica que grassa por este país - fruto do "capitaclismo" que foi sendo varrido para debaixo do tapete na esperança de ninguém desse por isso - a moda da poupança e da auto-suficiência anda por aí à solta. Os grupos de trocas de bens e serviços multiplicam-se. Os blogs com dicas para uma vida mais auto-suficiente e artesanal crescem como cogumelos. O movimento de transição e permacultura deixou de ser coisa de hippies e começou a sair à rua. E eu comecei a sentir que fazia menos para reduzir a minha pegada ecológica que a tiazinha da esquina que descobriu que fazer carteirinhas com pacotes tetrapak está muito in.
Decidi por isso ganhar novo fôlego e retomar a minha caminhada para uma vida pós-carbono. Estou oficialmente em Transição.

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