12/21/2005

Estou de volta!

Após umas semaninhas de intervalo, estou de volta à Permacultura e à Horticultura :)
Por enquanto não tenho muito para contar, uma vez que a única coisa que tenho feito é esperar que as favas, feijões e ervilhas cresçam.
Ontem fui visitar a horta e tive boas e más notícias. A boa notícia é que apesar da selva de ervas que se desenvolveram na horta, as favas estão a crescer viçosas. A má notícia é que além das favas, só vislumbrei o que me pareceram ser alguns tremoços no meio da erva. Não encontrei quaisquer outras leguminosas, nem um pé de centeio na outra parcela da horta aonde o semeei. Brevemente voltarei à horta e arrancarei umas quantas ervas, para ver se algo mais está a crescer por baixo delas.
Na fotografia vêem-se as filas de favas a crescer. Mas no meio dessas filas era suposto haver filas de ervilhas, feijão-frade e tremoço.
Veremos se elas ainda aparecem ou se foram desta para melhor...

Ando a tentar propagar arbustos por estacas, mas até agora não tive muito sucesso. Penso que tenho uma estaca de alfazema e uma ou duas de salva que pegaram. Queria ter um pouco mais de sucesso até à Primavera, para poder plantar uns quantos arbustos no terreno, mas se não conseguir terei de recorrer à compra de plantas adultas para desenrascar.
Vou também dedicar-me à aprendizagem sobre poda de árvores. Já fiz pseudo-poda nalgumas, mas tenho receio de estar a danificá-las e quero fazê-lo como deve ser.
Entretanto vou começar a frequentar um grupo de estudos sobre Agricultura Biodinâmica na Associação Harpa, com o qual espero aprofundar a minha relação com as plantas e aumentar as minhas hipóteses de sucesso na germinação, propagação e tratamento das plantas. Já tive muitas oportunidades de perceber que há muitas "influências invisíveis" sobre elas, com as quais eu não tenho cooperado o que muitas vezes torna o meu trabalho contra-producente.

11/23/2005

3 semanas em standby

Durante as próximas 3 semanas não vou poder dedicar muito tempo à horta. Estou a terminar o meu trabalho de estágio e preciso de todo o tempo que puder arranjar para me dedicar a ele.
Até lá o meu trabalho de horti-permacultura irá resumir-se a adicionar matéria orgânica à pilha de composto, a reunir sementes e a procurar arbustos e árvores para a horta.
Finalmente recebi por correio meio kilo de chícharos, enviados pela Elsa, do Monte Samoqueiro perto de Odemira. Foi um gesto muito simpático da parte dela, pois não pediu nada em troca, apenas sementes, quando eu também dipuser de algumas interessantes em quantidade suficiente...
Entretanto eu tinha pedido sementes de variedades antigas da região, a uma vizinha dos meus avós, e ela arranjou-me feijão-branco, cevada, coentros, ervilhas e grão-de-bico. A cevada já é semeada pelo pai dela há cerca de 30 anos, mas as outras sementes são todas mais recentes - cerca de 5-10 anos. Seja como for sempre estão melhor adaptadas a esta zona do que outras compradas na loja ou vindas de longe.
Também ando à procura de arbustos e árvores tipicamente portuguesas, para plantar na horta. Procurei em hortos e viveiros, mas é raro encontrar alguma espécie de interesse nestes locais, porque eles apostam sobretudo em espécies ornamentais, geralmente exóticas. Procurei também no Jardim Botânico da Ajuda - onde fiquei de passar um dia mais tarde para ir buscar várias das espécies que eu procurava - e descobri que o Departamento de Engenharia Florestal do Instituto Superior de Agronomia também tem algumas espécies interessantes para venda. Ando também de olhos abertos para ver se encontro por aí estas espécies e se lhes posso tirar frutos/sementes e/ou raminhos para fazer estacas.
E por agora é tudo :)

11/07/2005

Sementeira

Prometi semear quando caíssem as primeiras chuvas. Não estava muito convencida de que fosse chover tão depressa, mas lá choveu qualquer coisa! Infelizmente não foi o suficiente para acabar com a seca, mas já foi uma boa ajuda para a germinação de sementes.
Alguns dias após as primeiras chuvadas veio novamente o sol e eu aproveitei para semear uma das parcelas da horta com leguminosas:
- uma fila de ervilha-torta e tremoço (variedades antigas disponibilizadas pela Rede de Sementes);
- uma fila de tremoço (biológico comprado na BIOCOOP);
- uma fila de ervilha-de-trepar (outra variedade antiga disponibilizada pela Rede de Sementes);
- três filas de favas (da produção do ano passado do meu avô);
- duas filas de feijão-frade (biológico comprado na BIOCOOP).
Não eram bem as leguminosas que eu tinha planeado semear, mas foram as que eu consegui arranjar até ao momento.
Alguns dias mais tarde,
semeei centeio na outra parcela da horta. Este centeio é da minha produção do ano passado, da minha outra horta na Moita do Norte e foi inicialmente comprado no Celeiro. Era centeio biológico para ser cozinhado, mas resolvi semeá-lo e o resultado foi bastante satisfatório.
Obviamente não estou a pensar obter grandes produções. Mesmo para consumo próprio as quantidades de feijões, tremoços, ervilhas e cereal que vou obter vão ser quase insignificantes, mas não estou preocupada com isso porque não é esse o meu principal objectivo.
O meu principal objectivo é o de produzir matéria-orgânica para servir de adubo verde (e também fixar azoto no solo no caso da parcela das leguminosas). Optei por semear leguminosas versus cereal, para observar as diferenças que estes tipos de plantas terão na evolução da estrutura do solo e da sua fertilidade - embora à partida eu esteja convencida de que as leguminosas serão mais eficazes a melhorar o solo, nunca se sabe se não terei uma surpresa. Deve haver imensos estudos com ensaios deste género, mas não tenho tido tempo para os procurar, pelo que fico na expectativa quanto aos resultados do meu próprio ensaio.

Algumas plantinhas já germinaram, mas a horta ainda não parece uma horta. Apesar disso tirei fotografias, para comparar com as que tirei logo no início desta experiência. A horta estava coberta de ervas altas e secas que quase não deixavam ninguém lá entrar. Agora já tem um aspecto limpo e domado. Se as minhas sementeiras tiverem sucesso, então a horta deverá ficar interessante :)

11/06/2005

Eco-casa - Parte II

Sempre quis ter vasos com aromáticas na cozinha, mas não havia nem um canto aonde os pudesse ter, porque mesmo no chão tenho sempre imensa tralha (des)arrumada. Até que um dia destes ao passar no IKEA, encontrei a solução para o meu problema: um suporte vertical, do chão ao tecto, no qual se podem encaixar diversos vasos metálicos, aonde por sua vez se podem colocar vasos com plantas.
É uma ideia muito simples e eficaz a aumentar o espaço disponível, ao tornar utilizável um espaço vertical habitualmente vazio - é o tipo de ideias que a permacultura tanto gosta!
Ainda não tenho muitas plantas, apenas alguma hortelã e salsa, mas quero ver se encho estes vasos com muitas aromáticas, para que jà esta Primavera rebentem com força e encham a cozinha de cor e vida :)

Tenho uma mini-varanda que é tão pequena (cerca de 50 cm por 2m), que ninguém no meu bairro com varandas idênticas lhes dá uso. Há muitos anos atrás a minha mãe tinha lá umas plantas decorativas resistentes à seca, mas mesmo assim acabaram por morrer com falta de cuidados. Desde então tive lá alguns vasos temporariamente, mas nada digno de nota. Agora finalmente resolvi torná-la produtiva. Coloquei vasos rectangulares no chão de ambos os lados e pendurei vasos no gradeamento da varanda, mais uma vez para criar espaço antes indisponível. Neste momento estou a germinar e crescer plantas que transplantarei depois para a minha horta e jardim em À-do-Barriga. Tenho alfazema, rosmaninho, arruda, salva, rúcola, beldroegas e até soja, mas a composição de espécies estará sempre em mudança. Ao meio tenho um caixote aonde recolho os restos de comida da semana toda e que depois levo para a pilha de composto na horta. Por vezes fica com mosquitos, mas basta tapar bem os restos com terra, para esse problema ser minimizado. E até agora nunca se desenvolveram maus cheiros.

Infelizmente a minha vizinha de baixo reclama por tudo e por nada e já se queixou que quando chove, a água que salpica da minha varanda vem com terra e suja-lhe a parede e a varanda. Tenho tentado manter a varanda mais limpa de terra e tapei o escoadouro de água, para ver se ela deixa de se queixar
Um outro vizinho do prédio em frente fica sempre muito curioso quando eu despejo os restos de comida no caixote ou quando estou a tratar das plantas e já o vi várias vezes a espreitar pela janela discretamente, para tentar perceber o que eu ando a fazer. Quando a minha varanda estiver cheia de verde, espero que todos comecem a olhar e a interrogar-se sobre o que eu ando a fazer. Pode ser que depois queiram fazer o mesmo e me venham perguntar como :)

Há tempos criei uma outra pequena solução ecológica para a casa. Há vários anos que pensamos colocar algo na porta de entrada da casa, porque ela tem uma grande folga em relação ao chão e é uma entrada de frio e saída de calor que incomoda bastante no inverno. Mas por falta de atenção e de ideias sobre o que ali colocar para isolar a porta, fomos adiando a resolução do problema. Estive quase para comprar algo que vi no D-Mail e depois no AKI, mas era incrivelmente caro para o material de que era feito - cerca de 20€ num local e 15€ no outro, por uns tubos de borracha.
A peça consistia em dois tubos envolvidos numa espécie de borracha, que encaixa debaixo da porta, ficando cada tubo de um lado e do outro da porta. Achei que a ideia era boa, mas não quis gastar tanto dinheiro, por isso comprei um tubo do mesmo género com cerca de 3 mts, que custou 0,75€ no AKI e fiz eu mesma a peça com um resto de tecido de umas calças que foram transformadas em calções.


Não custou nada a fazer e resultou lindamente - acabaram-se as correntes de ar por baixo da porta! Ainda mais ecológico seria fazer uns chouricinhos de pano, cheios de qualquer material biodegradável e uni-los também com pano para criar o mesmo efeito. Experimentem.

10/20/2005

Eco-casa - Parte I

A permacultura não é horticultura, nem jardinagem e não se faz apenas quando se tem terra. Em casa, no emprego, num vão de escada, podemos praticar permacultura. A permacultura é a planificação sustentável de sistemas, sejam eles quais forem e que dimensões tiverem.
As nossas casas são o sítio ideal para começarmos a modificar as nossas vidas através da permacultura. Todos podemos observar o funcionamento das nossas casas e das nossas famílias e arranjar soluções inventivas para reduzirmos o consumo de materiais e energia, reduzirmos o desperdício e a produção de resíduos, diminuirmos a nosa dependência do "sistema exterior", aumentarmos a nossa autonomia e em suma, reduzirmos a nossa pegada ecológica no planeta.

Já há muitos anos que tento introduzir pequenos hábitos cá em casa com esse fim. Lembro-me que mesmo antes de existirem eco-pontos e sequer se ouvir falar deles, eu juntava grandes sacos de papel usado e obrigava a minha mãezinha a acompanhar-me à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira para entregá-los para reciclagem.

As câmaras já recolhiam papel em eco-centros antes de começarem a recolhê-lo através dos eco-pontos, mas geralmente recebiam-no em grandes quantidades, de empresas por exemplo. Também aceitavam pequenas quantidades de papel de cidadãos preocupados, só que essa situação devia ser tão, tão rara, que sempre que eu lá ia, eles aceitavam os meus sacos com um sorriso divertido, paternalista, condescendente - aos olhos deles eu era uma jovem cheia de boas intenções mas muito patetinha.
Mas uns anos mais tarde surgiram eco-pontos um pouco por todo o lado e finalmente colocaram uns também à frente do meu prédio. Na altura senti que eram uma resposta às minhas preces e uma recompensa pelo meu esforço :)

Há também muitos anos que cultivo plantas numa marquise da minha casa, porque gosto de ter uma amostra da natureza dentro de casa, mas a minha mãe sempre se queixou que era espaço mal aproveitado (uma marquise cheia de vasos!), que fazia muito lixo (só terra no chão!), que cheirava mal (composto? isso não se faz em casa!!!)...
Agora finalmente ela expulsou-me da marquise, precisamente quando as minhas ânsias de cultivar em casa crescem exponencialmente. Mas como diz o lema da permacultura, "O problema é a solução", pelo que tive logo novas ideias de como utilizar o espaço da casa para voltar a "chafurdar na terra e nos vasos". Em breve publicarei aqui as minhas experiências de horticultura e compostagem numa varanda de 1m2 e num canto da cozinha de 0,25 m2. Nem eu sabia o quanto se pode fazer em tão pouco espaço!

10/17/2005

Recuperar o solo

O solo da horta é muito mau. É demasiado argiloso e tem pouca matéria orgânica. No Inverno retém tanta água que fica completamente enlamaçado e no Verão retrai-se, ficando compactado nuns locais e abrindo rachas enormes noutros. Quando a seca é extrema, como sucedeu neste Verão, ganha um aspecto pulverulento, como se fosse cimento em pó (tem até um tom cinzento, para maior semelhança).
O meu avô ainda chegou a pedir a um homem que tem uma vacaria ali perto, para espalhar um bom monte de estrume na horta, mas isso nunca foi para a frente. Por um lado isso teria sido bom no aumento da matéria orgânica do solo, mas por outro lado não faria muito pela estrutura do solo e desconfio que até poderia prejudicar a microflora do solo, porque o estrume traria consigo todo o tipo de contaminantes (não me consta que fosse de produção biológica).
O meu pai propôs algo ainda mais radical. Segundo ele, deveríamos extrair aquele solo até uma profundidade de cerca de 50 cms e substituí-lo por terra boa. Ficaríamos então com uma espécie de piscina de terra com paredes argilosas. Eu sempre condenei essa ideia por a achar demasiado disparatada.
Primeiro: este plano assume que o solo não é recuperável e eu discordo disso em absoluto, porque já vi milagres acontecerem em solos muito, mas muito piores que este.
Segundo: este plano não é minimamente sustentável, porque exige maquinaria pesada, grande dispêndio de dinheiro e transporte de recursos entre zonas distantes e ignora completamente o potencial dos recursos locais.
Terceiro: a criação de uma piscina de terra não iria melhorar nada a drenagem da água, que ficaria retida pelas paredes argilosas em seu redor.
Eu sempre insisti que a única solução viável seria recuperar o solo existente, através da adição de matéria orgânica, preferencialmente de origem vegetal em vez de animal.
A matéria orgânica vegetal tem como vantagens o facto de melhorar a estrutura do solo, tornando-o mais leve e arejado e de dispensar os nutrientes às plantas de forma mais lenta que a matéria orgânica animal. O estrume adiciona muitos nutrientes ao solo, mas se não tiver pelo menos palha misturada, funciona de modo semelhante a um adubo químico de síntese - liberta os nutrientes muito rapidamente, estes são lixiviados pelas chuvas e vão contaminar as águas subterrâneas, a estrutura do solo continua má e a longo prazo a fertilidade não melhora.
O estrume é um bom fertilizante, mas é preciso saber quando e onde é que deve ser aplicado e na minha opinião, não deve sê-lo neste caso.
O meu plano é semear adubo verde. Estou a reunir sementes de leguminosas: já tenho favas que colhi nesta mesma horta, tremoços que comprei na BIOCOOP e variedades tradicionais de tremoço e ervilha que "adoptei" da Rede de Sementes Portuguesa. Ainda estou à espera de uns chícharos e caritos que me foram prometidos por uma pessoa e estou a pensar arranjar também luzerna ou tremocilha em maior quantidade (essas sementes terão de ser compradas, mas ando à procura de versões biológicas, para não dar dinheiro às multinacionais agroquímicas). Estas leguminosas vão fixar azoto atmosférico e adubar-me o solo sem que eu tenha de gastar tempo e dinheiro com isso e irão fornecer muita matéria verde que ao se decompôr vai melhorar a estrutura e a vida microbiana do solo.
O processo de recuperação de um solo pode demorar anos, mas num caso como este não demora tanto como a maioria das pessoas costuma pensar. Se a destruição não for total, a Natureza fá-lo com relativa facilidade.
Encontrei um bom exemplo nesta mesma horta. Apesar do estado geral do solo ser mau, nos locais onde a erva cresceu mais abundantemente e sem intervenção humana durante cerca de 2 anos, o solo é completamente diferente - está mais solto, mais húmido, mais escuro e repleto de vida animal.
Aqui está uma fotografia de um monte de ervas e do solo que encontrei debaixo dele.



Este pequeno exemplo demonstra que, se a Natureza (que, segundo o paradigma científico vigente, não é uma entidade inteligente) consegue transformar tão bem um solo em tão pouco tempo, então porque não pode uma pessoa minimamente inteligente fazê-lo também? Para tal nem é necessário muito raciocínio, basta seguirem-se as lições da mãe-Natureza. O segredo está em lançar as sementes à terra. Elas farão o resto do trabalho.

10/05/2005

Mulching

No terreno encontram-se cerca de 20 árvores de fruto e quase todas elas estão doentes, raquíticas e a secar. Não posso gastar água a regá-las pelo que terão de esperar ansiosamente pela chuva, mas decidi aliviar-lhes um pouco o seu "sofrimento", fazendo mulching na sua base. Arranquei as ervas em redor das árvores e cobri o solo com elas, depois coloquei uma camada do pouco composto inacabado que tinha, juntei restos de comida, cobri com cartão molhado e por fim coloquei uma camada de palha para terminar o mulch. Também aproveitei a ocasião para cortar todos aqueles ramos que cresciam a partir da base das árvores e que não só eram pouco agradáveis à vista, como impediam os meus movimentos e retiravam vigor à copa das árvores. O resultado está à vista nestas fotografias representando o antes (as 2 de cima) e o depois (as 2 de baixo).

Cinco árvores já estão, só faltam mais 15...

10/01/2005

Primeiras acções

Na semana em que decidi começar este projecto, comecei também a separar os resíduos orgânicos em casa, pelo que, de entre as tarefas que defini como prioritárias, elegi a pilha de composto como a mais urgente.
O canto que eu escolhi para a pilha de composto estava cheio de entulho - painéis de alumínio, tubos de cimento, lajes de pedra, cepos de árvores, palha, vidros partidos, ferros e arames.
Escondido por baixo de todo o lixo, estava um monte de palha, que lá deixei ficar, para ir adicionando ao composto e para mulching. Infelizmente a palha tinha sacos de plástico misturados, que tive de retirar. O meu avô tinha o bom hábito de juntar às ervas secas alguns restos de comida, mas infelizmente achava que os sacos de plástico também eram compostáveis...
Paralelamente a ter limpo este canto, limpei também um canto do alpendre onde está um churrasco. Encontrei lá um monte de cinzas que achei excelente para enriquecer e activar a pilha de composto. Infelizmente as cinzas também não estavam prontas a ser usadas, porque estavam cheias de pregos e ferrolhos ferrugentos.
Depois de ter limpo os dois espaços, iniciei a pilha de composto, alternando camadas de palha, camadas de restos de comida e camadas de cinza. Por fim cobri-a com um plástico preto. Optei por uma pilha e não por um compostor, pois uma pilha não exige trabalho de carpintaria nem compras e, como já disse antes, quero fazer o máximo de coisas com o mínimo de tempo, trabalho e dinheiro.

Ao deambular pelo meio das ervas altas, descobri imensos pés de favas, já secos, que o meu avô deve ter semeado há uns meses e que nunca chegou a colher. Estavam carregadinhos de vagens e enchi um saco. Obviamente já não estão boas para comer, mas vão servir para semear novamente. O meu avô insistiu que não valia a pena, porque mesmo que germinem algumas favas, elas serão raquíticas, mas eu insisti em aproveitá-las. Já lhe expliquei que esta vai ser a nossa nova política de sementes - vamos produzir as nossas próprias sementes sempre que possível e de preferência arranjar variedades tradicionais que não ficam raquíticas como as compradas às multinacionais. Além deste saquito de favas, já tenho um saco de feijão-frade e outro de tremoço que comprei na BIOCOOP e estão-me prometidos por uma pessoa alguns caritos e chícharos. Continuo à procura de leguminosas para encher as duas parcelas de terreno atrás da casa. Estou a apostar nelas para fazer adubo verde e melhorar a estrutura e fertilidade do solo. Assim que caírem as primeiras chuvas (será que caem?) irei começar a semeá-las.

9/25/2005

Primeiras observações

Segundo a permacultura, antes de meter mãos à obra, eu deveria ter observado bem, tirado notas e feito uma planificação detalhada do meu projecto, mas confesso que não sou a pessoa mais paciente quando vejo tanto trabalho para fazer e por isso entrei logo em acção. Apesar disso, fiz algumas observações prévias.
Desenhei o esquema da propriedade e medi-o em passadas para ter uma noção mais completa do espaço e das suas potencialidades. Observei um pouco as sombras e zonas ensolaradas e também já conheço um pouco a dinâmica dos ventos no local. Terei de ir observando mais coisas com o passar do tempo, mas não posso demorar-me muito em observações, porque tenho um prazo curto para fazer o máximo de coisas possíveis.
Eis uma fotografia aérea da propriedade, com muito baixa resolução, que consegui no Google Earth e um esquema simples da propriedade tal como ela é agora (as plantas estão representadas na suas posições reais).

Estas são as observações que eu considero mais importantes sobre o espaço:

- não há outra fonte de água sem ser a canalizada e por isso seria importante instalar um sistema de captação de água das chuvas para rega das plantas (mas não vou começar por aí, porque isso exige algum investimento e eu quero começar por tudo aquilo que possa ser feito sem que eu tenha de gastar (muito) dinheiro);

- o solo é muito argiloso e muito pobre em matéria orgânica. No inverno encharca demasiado e no verão seca tanto que parece cimento;

- o terreno por trás das casa é ligeiramente inclinado e a chuva tem erodido o solo e provocado deslizamentos de terra; não só isto é mau para o cultivo, como já se notam efeitos na própria casa - um passadiço em cimento que foi construído em seu redor partiu-se e está a descair;

- a propriedade tem dois pedaços de terra com características distintas, um mais pequeno, frente à casa, virado a nordeste, quase permanentemente debaixo de sombra e outro maior atrás da casa, virado a sudoeste, muito ensolarado;

- os lados noroeste e nordeste estão murados, mas os lado sudeste e sudoeste não têm delimitações físicas.

- na parte da frente, o espaço está dividido em 3 zonas - uma entre a casa e o portão, com chão de calçada, e duas zonas em terra, uma delas aberta e com poucas plantas junto ao muro e outra murada e com árvores;

- a parte frente à casa é extremamente ventosa e a passagem entre a casa e a arrecadação para a parte de trás é um autêntico túnel de vento, fortíssimo em dias ventosos, mas parte de trás da casa é uma zona abrigada em que quase não se sente o vento.

- existem 20 árvores na propriedade, mas na sua maioria estão raquíticas, doentes, com carências nutricionais e secas. Existem plantas dos mais variados tipos, desde bambu, cactos, hera, salsa e outras aromáticas, espalhadas caoticamente pela propriedade ou em vasos.

Com base nalgumas destas observações (ou nem por isso) defini algumas ideias principais, que gostaria de pôr em prática:

- é prioritário criar uma pilha de composto e o local mais adequado parece-me ser o canto esquerdo da parte de trás do terreno, abaixo do alpendre. Está bem protegido do vento e não atrapalha ninguém, porque não tem nenhuma outra utilização (estava cheio de entulho). Não fica muito perto da casa, mas não parece haver outro local tão adequado que fique mais perto;

- é também fundamental cercar a parte de trás do terreno com sebes para travar o deslizamento da terra e a erosão do solo. Estou a procurar plantas que não só sirvam essa função, mas que também tenham aplicações alimentares e/ou medicinais;

- é fundamental aumentar a matéria orgânica no solo e uma vez que não tenho ainda composto suficiente, nem queria recorrer a materiais de outro local, optei por adubo verde - planeio semear leguminosas para cobrir o solo, fixar azoto e gerar matéria orgânica. Já disponho de algumas favas, tremoços, feijão-frade e estão-me prometidos alguns caritos e chícharos. Estou a tentar que as sementes sejam exclusivamente nacionais e de preferência locais (mas locais é mais difícil, porque já ninguém tem variedades tradicionais; até mesmo o meu avô desdenhou eu andar a apanhar sementes para a próxima sementeira, dizendo que compra sempre sementes novas na loja... o que é muito triste...).

- já juntei alguns cartões e palha e assim que tiver suficiente composto, irei fazer mulching na base das árvores.

- na zona murada em frente à casa quero plantar hortícolas, mas terei de seleccionar as que tolerem sombra.

- na zona não murada em frente à casa, quero fazer um laguinho, com plantas aquáticas, pedras e uma fonte a energia solar e talvez plantar umas aromáticas em canteiros elevados. Para o lago estou a pensar aproveitar uma banheira velha em plástico, dos meus banhinhos de bebé :)

- por fim gostava de tornar o resto do espaço mais bonito, porque neste momento impera o mau gosto e a desarrumação. Mas tal como a questão da captação da água, esta também vai envolver algum investimento, por isso essa parte fica para o fim.

9/24/2005

O terreno da experiência

O terreno dos meus avós fica em À-do-Barriga, uma terreola a 10 minutos de Alhandra na direcção de Arruda-dos-Vinhos. Tem uma casa de dois andares, uma adega/arrecadação, uma varanda/alpendre, um pequeno jardim e uma horta, num espaço com cerca de 440 m2. Está tudo um bocado degradado, há lixo acumulado em todos os cantos, o solo é muito mau e as plantas estão todas secas, doentes e a morrer.
Gostava de transformar este pequeno deserto de vida num oásis de vida.
Veremos se sou capaz... :)

9/19/2005

O início

Num grande número de fotografias da minha infância eu apareço com flores na mão ou a mexer nas ervas do chão. Mas só me lembro de começar a gostar conscientemente das plantas alguns anos mais tarde. Acho que em pequena gostava mesmo era de as destruir. Enfim, talvez não as estivesse a destruir, mas sim a analisá-las cientificamente. E talvez em resultado dos conhecimentos daí extraídos tenha nascido a minha vocação - segui o ramo científico e licenciei-me em Biologia Vegetal.O curso deu-me oportunidade de aprofundar o meu gosto e conhecimentos sobre as plantas, mas não era a ferramenta adequada ao tipo de relação que eu mais desejava ter com elas. O que eu queria mesmo era mexer nelas, vê-las crescer, cuidar delas, multiplicá-las e a maior parte do meu trabalho enquanto bióloga vegetal envolve tubos de ensaio, caixas de petri, células vegetais, mas plantas a sério, dos pés à cabeça, raramente estão envolvidas.
Algures a meio do meu curso conheci a agricultura biológica. Já era ecologista desde tenra idade e gostava de plantas, mas nunca tinha tido qualquer interesse pela agricultura. Até que devo ter lido algumas coisas que me fizeram perceber o papel crucial que esta tem em toda a existência humana, não apenas como forma de subsistência, mas como forma de relacionamento com a natureza e como forma de manutenção do equilíbrio psicológico e espiritual da humanidade.
Fiz-me sócia da AGROBIO, comecei a comprar livros sobre agricultura biológica, a fazer experiências de compostagem e jardinagem na varanda e um dia resolvi começar a praticar "mais a sério" na horta da minha avó Adélia. "Mais a sério", porque no fundo ainda era a brincar... Fiz umas quantas sementeiras e colheitas frustradas e, por falta de tempo (ou má organização), acabei por visitar a horta de mês a mês ou menos que isso, até que deixei de lhe dar atenção de todo.
Em Julho deste ano frequentei um curso técnico de Permacultura, que mais do que me ter dado conhecimentos técnicos e de ter sistematizado outros conhecimentos dispersos que eu já possuía, mudou a minha vida. Foram 10 dias literalmente fora deste mundo, que tiveram o condão de mudar as minhas rotinas quando voltei novamente ao mundo. De repente, cada minuto da vida se tornou ainda mais precioso para ser desperdiçado em coisas que não sejam para o bem da humanidade ou para o equilíbrio do planeta. Também percebi que estava a tentar dar passos grandes demais e que por isso não estava a conseguir avançar.
Então decidi mudar de horta. Comecei a jardinar em casa dos meus avós Maria e Manuel, que é bem mais pequena, mas também bem mais pertinho de minha casa. Comprometi-me a ir lá um dia por semana e a transformá-la radicalmente no espaço de um ano. Se conseguir fazê-lo, então avançarei para projectos maiores e mais ambiciosos.
Desejem-me sorte :)

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