9/03/2008

Verde Eufémia II

Curiosamente, parece-me que desta vez o meu paizinho, que geralmente não atina com as subtilezas do meu discurso, foi quem melhor percebeu a ambiguidade que eu queria transmitir no post anterior.
Apesar disso, talvez eu não tenha sido clara o suficiente, considerando os comentários recebidos, por isso aqui fica uma continuação.
Eu também acredito que a violência só deve vir em último recurso ou mesmo em nenhum recurso, e que destruir algo é de facto uma forma de violência, mais que não seja porque gera ódio e agressividade perpetuando a incompreensão e a intolerância.
Se eu tivesse sido convidada para a acção eu teria dito que não e teria feito tudo ao meu alcance para demover os activistas de a levarem para a frente. Também eu argumentaria que há outras armas a usar antes dessa, que só iriam prejudicar a causa e a imagem dos activistas, enfim, os argumentos que vocês tão bem me apresentaram.
Mas eles diriam que já fizeram tudo o que um punhado de pessoas sem poder pode fazer e que após anos de luta infrutífera e incapacidade de despertar as pessoas da sua ignorância sobre o assunto, sentiam que não havia mais nada a fazer senão um acto "simbólico" de oposição a uma agressão gigantesca contra a humanidade e o planeta que decorre há uma década. E eu sinceramente ficaria sem força de argumentos.
Mas não tive que passar por isso, apenas fui informada do caso uma vez o mal feito.
Para mim o mais bizarro foi ver a onda de solidariedade que se gerou a nível europeu pelo Verde Eufémia enquanto que em Portugal foram outros ecologistas quem mais bateu no ceguinho, em vez de usarem a oportunidade para fazerem um discurso construtivo.
Decididamente não apoio que voltem a destruir-se campos (embora vontadinha não me falte), mas sabendo por dentro o quão injusta é esta luta e a gravidade daquilo que se passa no campo, achei que estes activistas mereciam no mínimo a minha solidariedade por terem ousado opôr-se ao Golias que nos pisa todos os dias. É só isso. Quem sentir o mesmo assina, quem não sentir passa à frente.

4 comentários:

  1. Irina eu percebi perfeitamente a ambiguidade dos teus sentimentos e estou solidaria. Penso exactamente como tu.

    Beijinho.

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  2. Anónimo22:50

    Irina, os meus desejos de força interior aí.
    Que nos oponhemos todos aos transgénicos, pacificamente se possivel. Mas defendo a desobediencia civil como aliás aconteceu num caso recente de uma coal power plant, em que o governo britânico considerou inocentes os activistas por achar que cometeram um crime mas na tentativa de remediar algo que teria um efeito muito maior e catastrofico, como as mudanças climaticas. Percebem o ponto de vista?
    Um abraço

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  3. Acho o seu espaço muito agradável.
    Cumprimentos

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  4. Olá. Acho a proposta desse blog muito válida. Fui inspirado por ele e resolvi faezr o meu próprio, onde narro as experiências de se construir uma horta na varanda. Fica o convite para passarem por lá.

    http://verdenavaranda.wordpress.com/

    Abraço,
    André Timm

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