11/23/2005

3 semanas em standby

Durante as próximas 3 semanas não vou poder dedicar muito tempo à horta. Estou a terminar o meu trabalho de estágio e preciso de todo o tempo que puder arranjar para me dedicar a ele.
Até lá o meu trabalho de horti-permacultura irá resumir-se a adicionar matéria orgânica à pilha de composto, a reunir sementes e a procurar arbustos e árvores para a horta.
Finalmente recebi por correio meio kilo de chícharos, enviados pela Elsa, do Monte Samoqueiro perto de Odemira. Foi um gesto muito simpático da parte dela, pois não pediu nada em troca, apenas sementes, quando eu também dipuser de algumas interessantes em quantidade suficiente...
Entretanto eu tinha pedido sementes de variedades antigas da região, a uma vizinha dos meus avós, e ela arranjou-me feijão-branco, cevada, coentros, ervilhas e grão-de-bico. A cevada já é semeada pelo pai dela há cerca de 30 anos, mas as outras sementes são todas mais recentes - cerca de 5-10 anos. Seja como for sempre estão melhor adaptadas a esta zona do que outras compradas na loja ou vindas de longe.
Também ando à procura de arbustos e árvores tipicamente portuguesas, para plantar na horta. Procurei em hortos e viveiros, mas é raro encontrar alguma espécie de interesse nestes locais, porque eles apostam sobretudo em espécies ornamentais, geralmente exóticas. Procurei também no Jardim Botânico da Ajuda - onde fiquei de passar um dia mais tarde para ir buscar várias das espécies que eu procurava - e descobri que o Departamento de Engenharia Florestal do Instituto Superior de Agronomia também tem algumas espécies interessantes para venda. Ando também de olhos abertos para ver se encontro por aí estas espécies e se lhes posso tirar frutos/sementes e/ou raminhos para fazer estacas.
E por agora é tudo :)

11/07/2005

Sementeira

Prometi semear quando caíssem as primeiras chuvas. Não estava muito convencida de que fosse chover tão depressa, mas lá choveu qualquer coisa! Infelizmente não foi o suficiente para acabar com a seca, mas já foi uma boa ajuda para a germinação de sementes.
Alguns dias após as primeiras chuvadas veio novamente o sol e eu aproveitei para semear uma das parcelas da horta com leguminosas:
- uma fila de ervilha-torta e tremoço (variedades antigas disponibilizadas pela Rede de Sementes);
- uma fila de tremoço (biológico comprado na BIOCOOP);
- uma fila de ervilha-de-trepar (outra variedade antiga disponibilizada pela Rede de Sementes);
- três filas de favas (da produção do ano passado do meu avô);
- duas filas de feijão-frade (biológico comprado na BIOCOOP).
Não eram bem as leguminosas que eu tinha planeado semear, mas foram as que eu consegui arranjar até ao momento.
Alguns dias mais tarde,
semeei centeio na outra parcela da horta. Este centeio é da minha produção do ano passado, da minha outra horta na Moita do Norte e foi inicialmente comprado no Celeiro. Era centeio biológico para ser cozinhado, mas resolvi semeá-lo e o resultado foi bastante satisfatório.
Obviamente não estou a pensar obter grandes produções. Mesmo para consumo próprio as quantidades de feijões, tremoços, ervilhas e cereal que vou obter vão ser quase insignificantes, mas não estou preocupada com isso porque não é esse o meu principal objectivo.
O meu principal objectivo é o de produzir matéria-orgânica para servir de adubo verde (e também fixar azoto no solo no caso da parcela das leguminosas). Optei por semear leguminosas versus cereal, para observar as diferenças que estes tipos de plantas terão na evolução da estrutura do solo e da sua fertilidade - embora à partida eu esteja convencida de que as leguminosas serão mais eficazes a melhorar o solo, nunca se sabe se não terei uma surpresa. Deve haver imensos estudos com ensaios deste género, mas não tenho tido tempo para os procurar, pelo que fico na expectativa quanto aos resultados do meu próprio ensaio.

Algumas plantinhas já germinaram, mas a horta ainda não parece uma horta. Apesar disso tirei fotografias, para comparar com as que tirei logo no início desta experiência. A horta estava coberta de ervas altas e secas que quase não deixavam ninguém lá entrar. Agora já tem um aspecto limpo e domado. Se as minhas sementeiras tiverem sucesso, então a horta deverá ficar interessante :)

11/06/2005

Eco-casa - Parte II

Sempre quis ter vasos com aromáticas na cozinha, mas não havia nem um canto aonde os pudesse ter, porque mesmo no chão tenho sempre imensa tralha (des)arrumada. Até que um dia destes ao passar no IKEA, encontrei a solução para o meu problema: um suporte vertical, do chão ao tecto, no qual se podem encaixar diversos vasos metálicos, aonde por sua vez se podem colocar vasos com plantas.
É uma ideia muito simples e eficaz a aumentar o espaço disponível, ao tornar utilizável um espaço vertical habitualmente vazio - é o tipo de ideias que a permacultura tanto gosta!
Ainda não tenho muitas plantas, apenas alguma hortelã e salsa, mas quero ver se encho estes vasos com muitas aromáticas, para que jà esta Primavera rebentem com força e encham a cozinha de cor e vida :)

Tenho uma mini-varanda que é tão pequena (cerca de 50 cm por 2m), que ninguém no meu bairro com varandas idênticas lhes dá uso. Há muitos anos atrás a minha mãe tinha lá umas plantas decorativas resistentes à seca, mas mesmo assim acabaram por morrer com falta de cuidados. Desde então tive lá alguns vasos temporariamente, mas nada digno de nota. Agora finalmente resolvi torná-la produtiva. Coloquei vasos rectangulares no chão de ambos os lados e pendurei vasos no gradeamento da varanda, mais uma vez para criar espaço antes indisponível. Neste momento estou a germinar e crescer plantas que transplantarei depois para a minha horta e jardim em À-do-Barriga. Tenho alfazema, rosmaninho, arruda, salva, rúcola, beldroegas e até soja, mas a composição de espécies estará sempre em mudança. Ao meio tenho um caixote aonde recolho os restos de comida da semana toda e que depois levo para a pilha de composto na horta. Por vezes fica com mosquitos, mas basta tapar bem os restos com terra, para esse problema ser minimizado. E até agora nunca se desenvolveram maus cheiros.

Infelizmente a minha vizinha de baixo reclama por tudo e por nada e já se queixou que quando chove, a água que salpica da minha varanda vem com terra e suja-lhe a parede e a varanda. Tenho tentado manter a varanda mais limpa de terra e tapei o escoadouro de água, para ver se ela deixa de se queixar
Um outro vizinho do prédio em frente fica sempre muito curioso quando eu despejo os restos de comida no caixote ou quando estou a tratar das plantas e já o vi várias vezes a espreitar pela janela discretamente, para tentar perceber o que eu ando a fazer. Quando a minha varanda estiver cheia de verde, espero que todos comecem a olhar e a interrogar-se sobre o que eu ando a fazer. Pode ser que depois queiram fazer o mesmo e me venham perguntar como :)

Há tempos criei uma outra pequena solução ecológica para a casa. Há vários anos que pensamos colocar algo na porta de entrada da casa, porque ela tem uma grande folga em relação ao chão e é uma entrada de frio e saída de calor que incomoda bastante no inverno. Mas por falta de atenção e de ideias sobre o que ali colocar para isolar a porta, fomos adiando a resolução do problema. Estive quase para comprar algo que vi no D-Mail e depois no AKI, mas era incrivelmente caro para o material de que era feito - cerca de 20€ num local e 15€ no outro, por uns tubos de borracha.
A peça consistia em dois tubos envolvidos numa espécie de borracha, que encaixa debaixo da porta, ficando cada tubo de um lado e do outro da porta. Achei que a ideia era boa, mas não quis gastar tanto dinheiro, por isso comprei um tubo do mesmo género com cerca de 3 mts, que custou 0,75€ no AKI e fiz eu mesma a peça com um resto de tecido de umas calças que foram transformadas em calções.


Não custou nada a fazer e resultou lindamente - acabaram-se as correntes de ar por baixo da porta! Ainda mais ecológico seria fazer uns chouricinhos de pano, cheios de qualquer material biodegradável e uni-los também com pano para criar o mesmo efeito. Experimentem.

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