4/24/2015

Ervas comestíveis I

Enquanto as plantas crescem lentamente na horta, dediquei-me ao estudo das plantas espontâneas comestíveis que por aqui crescem e concluí que a natureza é pródiga e dá-nos muito alimento sem que tenhamos de o semear ou plantar. Só é preciso ter um espírito aberto e o conhecimento certo, para evitar envenenamentos.
Há tempos fiz um arroz de urtigas, erva cujas propriedades alimentícias já conhecia há anos, mas que por aqui não abunda. Mas hoje decidi provar outras que nunca antes tinha comido e que se encontram aqui com mais abundância.
Apanhei folhas jovens de serralha...


de tanchagem...


 e de mostardeira negra...


e cozi-as todas como se fossem espinafres. Comemos ao almoço a acompanhar arroz e grão de bico e fiquei positivamente surpreendida, pois eram bastante palatáveis. Também colhi flores da mostardeira, mas estavam cheias de insectos e perdi a vontade de as comer...
Para compensar, juntei umas quantas flores de capuchinha - felizmente livres de insectos - e o prato ficou um pouco mais colorido.


Proximamente irei testar outras ervas comestíveis, esperando ficar mais sabedora sobre a sua identificação, os seus usos e os seus sabores.

4/14/2015

Granola caseira


O que fazer com um montão de pacotes de flocos de cereais de mel (vulgo nestum) que ninguém em casa tem por hábito comer? Fiz uma pesquisa online e encontrei a receita ideal de granola caseira com esses cereais. Não estava muito certa de que resultasse, mas o resultado foi excelente.
Misturei a olho meia taça grande de flocos de cereais de mel, com mais ou menos 2/3 dessa quantidade em aveia e juntei em doses aproximadas e generosas, sementes de sésamo, linhaça e sementes de girassol. Envolvi tudo em azeite e mel mornos e espalhei a massa resultante num tabuleiro forrado a papel vegetal. O forno foi previamente aquecido durante 10 minutos e a granola só necessitou de mais uns 15 minutos, com uma reviradela a meio da cozedura para uniformizar. E ficou excelente, aprovado por toda a família. 

3/29/2015

Pomar

A quinta já tinha um pomar com 48 macieiras Bravo Esmolfe plantadas, mas devido ao abandono em que se encontrava, muitas das árvores já tinham morrido. Sobravam 28 macieiras ainda vivas, embora sedentas, que pensamos ainda poderem desenvolver-se. Entretanto era preciso preencher os espaços deixados livres pelas árvores mortas e entre trocas e compras, adquiri para o pomar dois pessegueiros, duas laranjeiras, três macieiras, uma clementineira, uma tangerineira e oito pereiras, que já começaram a ser plantadas.


O sistema de rega já estava instalado e só precisámos de limpar um pouco o terreno com a roçadora e verificar os gotejadores em falta.
A bomba de rega funcionou e já começámos a regar o pomar. Algumas árvores já têm botões a despontar.
Entretanto reparou-se que pelo menos uma das árvores mais antigas estava um pouco roída na base do caule, o que trouxe à baila a necessidade de protegê-las dos roedores. Por isso tenho estado a colocar tubos de rede protectores em todas elas.


Noutros locais da quinta também temos nespereiras, figueiras, ameixeiras, kiwizeiros e outras árvores ainda não identificadas. Estou ansiosa por as ver a dar frutos!

3/22/2015

Tralhas por plantas

Os trabalhos na horta continuam. As plantas começam a germinar.
 


Já temos o motor de rega arranjado, mas ainda não o testámos. As tubagens começam a estar prontas para a rega. Ontem andei a ver se finalmente arranjava uns depósitos de 1000 litros para armazenar a água. Tentei arranjar por troca e não consegui, agora estou a tentar comprar usados em bom estado, mas está difícil. Tenho um vizinho que me vende os dele por 50 EUR, mas alguns estão demasiado ferrugentos para o meu gosto. Talvez fique só com dois que estão melhorzinhos. Em breve a horta e o pomar estarão em "funcionamento".

Tenho recorrido às trocas para aquisição de certos materiais para a quinta. Comecei por coisas simples como uma ou outra ferramenta e luvas de trabalho, mas também adquiri muitas sementes, como já tinha referido. Agora arranjei plantas aromáticas, árvores e arbustos em troca de mobiliário antigo que se estava a estragar na arrecadação do meu avô e uns halteres que já não eram necessários (a quinta é o meu ginásio).
Consegui arranjar mais uma romãzeira, um pessegueiro, duas figueiras, sete pereiras rocha, diversos pés de poejo, segurelha, cidreira, dois tipos de menta, tomilho, erva-príncipe, entre outros.




Há quem troque estrume, lenha, palha e todo o tipo de coisas que me dão jeito por aqui, mas o sucesso da troca depende de termos algo que as outras pessoas queiram em troca, o que nem sempre sucede. Mesmo assim já consegui fazer algumas trocas que me pouparam dinheiro e me livraram de tralha ao mesmo tempo. Vou continuar atenta a esse tipo de oportunidades.

3/11/2015

Sementeira de Primavera

A Primavera ainda não chegou oficialmente, mas já começa a dar sinais de vida. Algumas árvores de fruto já estão floridas, as estacas feitas este Inverno, começam a dar folhas, o calorzinho do sol já aquece o coração...


Mas temos a sementeira de Primavera atrasada. Estive em viagem durante duas semanas, o que atrasou a sementeira e plantação para a horta e jardim.
O meu pai semeou algumas coisas enquanto estive fora, mas até ao momento germinaram apenas meia dúzia de plantinhas. Uma das razões poderá ser a idade das sementes que ele usou, outra poderá ser a terra demasiado pesada que ele usou nos tabuleiros de germinação.

Para compensar, dediquei-me nestes últimos dias, a semear dezenas de variedades em quantidade superior ao que necessitamos para a horta e jardim, para prevenir eventuais falhas de germinação. E usei algumas sementes mais antigas e outras deste ano, para evitar o cenário em que nada germine.


Não precisei de comprar vasos e tabuleiros, pois tive a sorte de há 2 anos atrás ir dar uma palestra sobre OGMs num evento nos Olivais e em troca trazer o carro cheio de tabuleiros e vasos que tinham sido adquiridos pela organização para um workshop e foram oferecidos no final do evento a quem os quisesse levar. Não queria parecer açambarcadora, por isso deixei que outras pessoas levassem também o que queriam, no entanto não me fiz rogada a trazer o mais que pude depois de outros se servirem. Na altura não sabia ainda onde e quando lhes iria dar uso, mas sabia que me iriam dar jeito em breve.

Quanto ao substrato, ao longo dos anos fui comprando uns pacotes de fibra de côco comprimida (um bloco tipo tijolo, misturado com água, dá 10 litros de substrato), porque achei barato e fácil de armazenar e sabia que um dia iria ser útil. Fui buscar os ditos blocos que estavam guardados no sotão e comecei por usar este substrato nos primeiros tabuleiros. É muito leve e fácil de trabalhar e bom para germinação, mas tem o inconveniente de não reter bem a humidade e por isso tenho que ter os tabuleiros sempre cobertos ou andar a regá-los constantemente. Nos tabuleiros seguintes optei por fazer uma mistura da fibra de côco com terra local (um pouco argilosa) e algum estrume bem curtido que havia no terreno. A mistura parece-me ter ficado ideal em termos de estrutura e capacidade de retenção de água. Agora veremos se as sementes não me falham.



Nos últimos 5 anos fui amealhando sementes, através das trocas que faço. Também fui recebendo sementes de oferta de amigos com hortas e quintas. Não sabia bem quando lhes iria dar uso, mas sabia que era importante ter o meu próprio mini-banco de sementes para quando fosse necessário.

Apesar dos cuidados de preservação: em pacotes de papel, dentro de latas de alumínio, com dessicante para proteger da humidade, guardadas no sotão em local escuro e seco - é possível que muitas delas tenham perdido capacidade germinativa ao longo dos anos.

Em paralelo, fui também adquirindo pacotes de sementes comerciais (evitando as variedades híbridas e transgénicas, obviamente), para ter uma maior diversidade, mas também como garantia de que em caso de necessidade, algumas sementes estariam em condições de germinar (assumindo que os pacotes comerciais preservam melhor as sementes do que os meus métodos caseiros).

Nesta sementeira procurei criar um equilíbrio entre as sementes trocadas/ofertadas e as sementes compradas, para garantir uma maior taxa de sucesso. Se umas falharem, as outras compensarão.
 

Sem ser a lista exaustiva de tudo o que semeei, ficam aqui algumas das plantas semeadas:

Tomate chucha, refego, riscado, cereja amarelo
Couve galega, negra, romanesco, branca
Espinafre verde e vermelho
Beterraba diversas cores
Cenoura diversas cores
Acelga diversas cores
Cebola vermelha e roxa
Pimentos diversos
Pimentas, piri-piri
Nabo branco e roxo
Alfaces e chicórias
Ruibarbo
Pastinaca
Rabanete
Agrião de terra
Courgette
Rábano
Alho francês
Girassóis diversos
Goji
Stévia
Physalis
Salsa, Coentros, Tomilho, Cebolinho, Manjericão

Em estacas temos, entre outros:

Alecrim
Alfazema
Groselheira vermelha e negra
Goji
Marmeleiro
Romãzeira
Mirtilo e framboesa (poderão estar mortas, pois foram vítimas de interesse canino, mas veremos...)
Hortênsias
Rosas



Resta esperar para ver como vão crescer.

Entretanto ando a preparar o solo da horta (muita cavadela para remover muitos detritos que por lá foram sendo deixados) e o meu pai anda a tentar aproveitar as mangueiras e bomba avariada do sistema de irrigação do dono anterior, para reutilização na nossa horta. Se não funcionar, teremos de investir em material novo.

Pequeno detalhe que falta referir: as plaquinhas de identificação nos vasos e tabuleiros são todas de plástico reutilizado. Cortei embalagens de champô e até colares isabelinos (de uso veterinário) - que as minhas cadelas são especialistas em destruir quando forçadas a usar - e fiz plaquinhas de identificação (basicamente tiras) onde escrevo com marcador de acetato. São bastante resistentes aos elementos naturais. Já tinha experimentado tiras de madeira e escrever a lápis, mas não resultou muito bem (a madeira incha, apodrece, estraga-se e deixa de se conseguir ler o que lá está escrito). No final da época, ou reutilizo as tiras, limpando-as com álcool, ou simplesmente coloco-as na reciclagem e faço mais com outras embalagens de plástico.


1/26/2015

Progessos II - máquinas

O meu pai anda impaciente com o andamento lento das coisas na quinta. Há tanto para fazer e é impossível fazer tudo ao mesmo tempo.. Há um pomar para tratar, uma horta para plantar, uma estufa para montar, sistema de rega para recuperar e completar, capoeira por terminar, muito terreno ainda por desbravar e ainda a casa e anexos estão em fase de obras e acabamentos.

O meu plano, além de ir fazendo observações e uma planificação integrada (evitando remendos aqui e acolá e acabando com uma manta de retalhos descoordenada), é ir adquirindo as máquinas e instalando as infraestruturas básicas. 

Comprei uma roçadora, que já tem sido posta a bom uso. Pensei em adoptar cabras para me irem limpando o terreno, mas nesta fase não estou preparada para assumir o compromisso de ter e cuidar de mais animais, além dos domésticos. Podia pedir emprestadas ou alugá-las, mas isso também não será muito fácil e além disso foi-me dito por diferentes pessoas, que as cabras e ovelhas são boas para a manutenção do terreno a longo prazo, desde que se consiga controlar e delimitar os locais a que têm acesso (e vejo aí imensas dificuldades), mas não tão boas para um desbravamento inicial de um terreno dado o tempo que demorariam a terminar a tarefa. A ideia não está totalmente posta de parte, mas nesta fase a roçadora e outras ferramentas parecem ser a escolha mais adequada neste caso.

Comprei também uma biotrituradora, para triturar ramos de podas e especialmente silvas. As silvas são um grande problema por aqui, mas não quero queimá-las como muita gente faz, prefiro compostá-las. Só que para isso, precisam de ser reduzidas a lascas, ou seria um pesadelo manuseá-las e geri-las, além de que os caules cortados e arrancados, podem facilmente pegar e dar origem a novas plantas. Este fim-de-semana experimentei a máquina durante cerca de uma hora. Eu e o meu pai triturámos silvas que se acumulavam numa pilha e ficámos satisfeitos com o resultado. Juntei as lascas à pilha de composto e um problema foi transformado em solução.



O meu avô pretende oferecer-me uma motoenxada que ele tem numa arrecadação há anos sem uso. Aparentemente, está com problemas de funcionamento e irei tentar que seja arranjada para a usar por aqui. Tenho cavado com enxada a zona da horta e acho que de todo o trabalho agrícola, é sem dúvida o pior de todos e não é de forma alguma exequível fazê-lo num hectare de terreno. Eu sou admiradora do Fukuoka e acredito piamente que o ideal é não remexer o solo, mas isso implica seguir todo um caminho que não me encontro preparada ainda para percorrer. Obviamente não irei nunca remexer o solo profundamente e revirá-lo, mas uma mexidela superficial para ajudar a controlar as ervas e silvas parece ser uma opção adequada neste terreno.

Existe a questão do consumo energético. Todas estas máquinas consomem gasolina ou energia eléctrica. Não foi de ânimo leve que eu as comprei e/ou decidi utilizar. Há sempre por detrás a consciência de que não estou a desenvolver em pleno a minha auto-suficiência ou a reduzir drasticamente a minha pegada ecológica, ao habituar-me a depender destas máquinas. Mas essa independência poderá vir a ser criada mais tarde, através de fontes alternativas de energia ou com a transição para outros métodos. 

Estou, por exemplo, a ponderar arranjar, de seguida, uma bomba para a água do poço, embora tenha em mente a eventual criação de um lago e sistema de captação e armazenamento de água da chuva, que permita a rega sem consumo energético. Mas enquanto uma bomba custa umas centenas de euros, criar um lago de boa dimensão e swales e valas de drenagem, ficar-me-ia talvez por milhares de euros. E quando o orçamento é limitado e os recursos humanos também, por vezes é necessário recorrer a soluções mais imediatas. De qualquer forma, o objectivo futuro será ter diversas fontes com a mesma função, pelo que a bomba no poço nunca se tornará obsoleta mesmo que venha desenvolver outros métodos de irrigação. Convém ter sempre na manga mais do que uma forma de efectuar a mesma função - um dos princípios da permacultura.

Forno de lenha

A nova casa tem um forno de lenha incorporado no centro da casa. É grande e não muito prático ou económico para ser usado no quotidiano.


No entanto eu estava ansiosa por o experimentar. Só que escolhi mal o dia para a experiência, pois não tinha acendalha suficiente e a lenha também estava um pouco húmida e foi extremamente difícil ateá-lo. Só com ajuda de muito cartão e paciência, é que se conseguiu atear um fogozinho, mas, concluí que só ia dar para cozinhar umas bolachinhas, estava fora de questão cozinhar algo maior.
Infelizmente não esperei que o lume se extinguisse e ainda havia muito fumo no interior do forno, o que fez com que as bolachas ficassem a saber a fumado. Quem beneficiou disso foram os meus cães, que adoraram os biscoitos.


Para cozer pão ou cozinhar alguma refeição, terei de gastar muito mais lenha e criar uma braseira muito maior. Só compensa se for em ocasiões especiais ou para grandes quantidades. Haverão novas tentativas no futuro.

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