3/11/2015

Sementeira de Primavera

A Primavera ainda não chegou oficialmente, mas já começa a dar sinais de vida. Algumas árvores de fruto já estão floridas, as estacas feitas este Inverno, começam a dar folhas, o calorzinho do sol já aquece o coração...


Mas temos a sementeira de Primavera atrasada. Estive em viagem durante duas semanas, o que atrasou a sementeira e plantação para a horta e jardim.
O meu pai semeou algumas coisas enquanto estive fora, mas até ao momento germinaram apenas meia dúzia de plantinhas. Uma das razões poderá ser a idade das sementes que ele usou, outra poderá ser a terra demasiado pesada que ele usou nos tabuleiros de germinação.

Para compensar, dediquei-me nestes últimos dias, a semear dezenas de variedades em quantidade superior ao que necessitamos para a horta e jardim, para prevenir eventuais falhas de germinação. E usei algumas sementes mais antigas e outras deste ano, para evitar o cenário em que nada germine.


Não precisei de comprar vasos e tabuleiros, pois tive a sorte de há 2 anos atrás ir dar uma palestra sobre OGMs num evento nos Olivais e em troca trazer o carro cheio de tabuleiros e vasos que tinham sido adquiridos pela organização para um workshop e foram oferecidos no final do evento a quem os quisesse levar. Não queria parecer açambarcadora, por isso deixei que outras pessoas levassem também o que queriam, no entanto não me fiz rogada a trazer o mais que pude depois de outros se servirem. Na altura não sabia ainda onde e quando lhes iria dar uso, mas sabia que me iriam dar jeito em breve.

Quanto ao substrato, ao longo dos anos fui comprando uns pacotes de fibra de côco comprimida (um bloco tipo tijolo, misturado com água, dá 10 litros de substrato), porque achei barato e fácil de armazenar e sabia que um dia iria ser útil. Fui buscar os ditos blocos que estavam guardados no sotão e comecei por usar este substrato nos primeiros tabuleiros. É muito leve e fácil de trabalhar e bom para germinação, mas tem o inconveniente de não reter bem a humidade e por isso tenho que ter os tabuleiros sempre cobertos ou andar a regá-los constantemente. Nos tabuleiros seguintes optei por fazer uma mistura da fibra de côco com terra local (um pouco argilosa) e algum estrume bem curtido que havia no terreno. A mistura parece-me ter ficado ideal em termos de estrutura e capacidade de retenção de água. Agora veremos se as sementes não me falham.



Nos últimos 5 anos fui amealhando sementes, através das trocas que faço. Também fui recebendo sementes de oferta de amigos com hortas e quintas. Não sabia bem quando lhes iria dar uso, mas sabia que era importante ter o meu próprio mini-banco de sementes para quando fosse necessário.

Apesar dos cuidados de preservação: em pacotes de papel, dentro de latas de alumínio, com dessicante para proteger da humidade, guardadas no sotão em local escuro e seco - é possível que muitas delas tenham perdido capacidade germinativa ao longo dos anos.

Em paralelo, fui também adquirindo pacotes de sementes comerciais (evitando as variedades híbridas e transgénicas, obviamente), para ter uma maior diversidade, mas também como garantia de que em caso de necessidade, algumas sementes estariam em condições de germinar (assumindo que os pacotes comerciais preservam melhor as sementes do que os meus métodos caseiros).

Nesta sementeira procurei criar um equilíbrio entre as sementes trocadas/ofertadas e as sementes compradas, para garantir uma maior taxa de sucesso. Se umas falharem, as outras compensarão.
 

Sem ser a lista exaustiva de tudo o que semeei, ficam aqui algumas das plantas semeadas:

Tomate chucha, refego, riscado, cereja amarelo
Couve galega, negra, romanesco, branca
Espinafre verde e vermelho
Beterraba diversas cores
Cenoura diversas cores
Acelga diversas cores
Cebola vermelha e roxa
Pimentos diversos
Pimentas, piri-piri
Nabo branco e roxo
Alfaces e chicórias
Ruibarbo
Pastinaca
Rabanete
Agrião de terra
Courgette
Rábano
Alho francês
Girassóis diversos
Goji
Stévia
Physalis
Salsa, Coentros, Tomilho, Cebolinho, Manjericão

Em estacas temos, entre outros:

Alecrim
Alfazema
Groselheira vermelha e negra
Goji
Marmeleiro
Romãzeira
Mirtilo e framboesa (poderão estar mortas, pois foram vítimas de interesse canino, mas veremos...)
Hortênsias
Rosas



Resta esperar para ver como vão crescer.

Entretanto ando a preparar o solo da horta (muita cavadela para remover muitos detritos que por lá foram sendo deixados) e o meu pai anda a tentar aproveitar as mangueiras e bomba avariada do sistema de irrigação do dono anterior, para reutilização na nossa horta. Se não funcionar, teremos de investir em material novo.

Pequeno detalhe que falta referir: as plaquinhas de identificação nos vasos e tabuleiros são todas de plástico reutilizado. Cortei embalagens de champô e até colares isabelinos (de uso veterinário) - que as minhas cadelas são especialistas em destruir quando forçadas a usar - e fiz plaquinhas de identificação (basicamente tiras) onde escrevo com marcador de acetato. São bastante resistentes aos elementos naturais. Já tinha experimentado tiras de madeira e escrever a lápis, mas não resultou muito bem (a madeira incha, apodrece, estraga-se e deixa de se conseguir ler o que lá está escrito). No final da época, ou reutilizo as tiras, limpando-as com álcool, ou simplesmente coloco-as na reciclagem e faço mais com outras embalagens de plástico.


1/26/2015

Progessos II - máquinas

O meu pai anda impaciente com o andamento lento das coisas na quinta. Há tanto para fazer e é impossível fazer tudo ao mesmo tempo.. Há um pomar para tratar, uma horta para plantar, uma estufa para montar, sistema de rega para recuperar e completar, capoeira por terminar, muito terreno ainda por desbravar e ainda a casa e anexos estão em fase de obras e acabamentos.

O meu plano, além de ir fazendo observações e uma planificação integrada (evitando remendos aqui e acolá e acabando com uma manta de retalhos descoordenada), é ir adquirindo as máquinas e instalando as infraestruturas básicas. 

Comprei uma roçadora, que já tem sido posta a bom uso. Pensei em adoptar cabras para me irem limpando o terreno, mas nesta fase não estou preparada para assumir o compromisso de ter e cuidar de mais animais, além dos domésticos. Podia pedir emprestadas ou alugá-las, mas isso também não será muito fácil e além disso foi-me dito por diferentes pessoas, que as cabras e ovelhas são boas para a manutenção do terreno a longo prazo, desde que se consiga controlar e delimitar os locais a que têm acesso (e vejo aí imensas dificuldades), mas não tão boas para um desbravamento inicial de um terreno dado o tempo que demorariam a terminar a tarefa. A ideia não está totalmente posta de parte, mas nesta fase a roçadora e outras ferramentas parecem ser a escolha mais adequada neste caso.

Comprei também uma biotrituradora, para triturar ramos de podas e especialmente silvas. As silvas são um grande problema por aqui, mas não quero queimá-las como muita gente faz, prefiro compostá-las. Só que para isso, precisam de ser reduzidas a lascas, ou seria um pesadelo manuseá-las e geri-las, além de que os caules cortados e arrancados, podem facilmente pegar e dar origem a novas plantas. Este fim-de-semana experimentei a máquina durante cerca de uma hora. Eu e o meu pai triturámos silvas que se acumulavam numa pilha e ficámos satisfeitos com o resultado. Juntei as lascas à pilha de composto e um problema foi transformado em solução.



O meu avô pretende oferecer-me uma motoenxada que ele tem numa arrecadação há anos sem uso. Aparentemente, está com problemas de funcionamento e irei tentar que seja arranjada para a usar por aqui. Tenho cavado com enxada a zona da horta e acho que de todo o trabalho agrícola, é sem dúvida o pior de todos e não é de forma alguma exequível fazê-lo num hectare de terreno. Eu sou admiradora do Fukuoka e acredito piamente que o ideal é não remexer o solo, mas isso implica seguir todo um caminho que não me encontro preparada ainda para percorrer. Obviamente não irei nunca remexer o solo profundamente e revirá-lo, mas uma mexidela superficial para ajudar a controlar as ervas e silvas parece ser uma opção adequada neste terreno.

Existe a questão do consumo energético. Todas estas máquinas consomem gasolina ou energia eléctrica. Não foi de ânimo leve que eu as comprei e/ou decidi utilizar. Há sempre por detrás a consciência de que não estou a desenvolver em pleno a minha auto-suficiência ou a reduzir drasticamente a minha pegada ecológica, ao habituar-me a depender destas máquinas. Mas essa independência poderá vir a ser criada mais tarde, através de fontes alternativas de energia ou com a transição para outros métodos. 

Estou, por exemplo, a ponderar arranjar, de seguida, uma bomba para a água do poço, embora tenha em mente a eventual criação de um lago e sistema de captação e armazenamento de água da chuva, que permita a rega sem consumo energético. Mas enquanto uma bomba custa umas centenas de euros, criar um lago de boa dimensão e swales e valas de drenagem, ficar-me-ia talvez por milhares de euros. E quando o orçamento é limitado e os recursos humanos também, por vezes é necessário recorrer a soluções mais imediatas. De qualquer forma, o objectivo futuro será ter diversas fontes com a mesma função, pelo que a bomba no poço nunca se tornará obsoleta mesmo que venha desenvolver outros métodos de irrigação. Convém ter sempre na manga mais do que uma forma de efectuar a mesma função - um dos princípios da permacultura.

Forno de lenha

A nova casa tem um forno de lenha incorporado no centro da casa. É grande e não muito prático ou económico para ser usado no quotidiano.


No entanto eu estava ansiosa por o experimentar. Só que escolhi mal o dia para a experiência, pois não tinha acendalha suficiente e a lenha também estava um pouco húmida e foi extremamente difícil ateá-lo. Só com ajuda de muito cartão e paciência, é que se conseguiu atear um fogozinho, mas, concluí que só ia dar para cozinhar umas bolachinhas, estava fora de questão cozinhar algo maior.
Infelizmente não esperei que o lume se extinguisse e ainda havia muito fumo no interior do forno, o que fez com que as bolachas ficassem a saber a fumado. Quem beneficiou disso foram os meus cães, que adoraram os biscoitos.


Para cozer pão ou cozinhar alguma refeição, terei de gastar muito mais lenha e criar uma braseira muito maior. Só compensa se for em ocasiões especiais ou para grandes quantidades. Haverão novas tentativas no futuro.

1/03/2015

Progressos

Passaram-se 4 meses na quinta. Confesso que não tenho passado muito tempo lá fora e por isso não posso dizer que tenha feito muito trabalho no exterior. Há ainda muito que fazer dentro de casa, além de haverem outros assuntos a manterem-me ocupada. Felizmente conto com a ajuda do meu pai e da minha mãe e por isso houve alguns progressos.

Algumas partes do terreno foram desbravadas. A área é grande e tem mato alto com muitas silvas. Mesmo uma roçadora profissional tem tido dificuldade em cortar certa vegetação. Mas foram abertos alguns caminhos, descobriram-se patamares na encosta, assim como mangueiras e tubos de rega já instalados ainda em boas condições, cercas e vedações, dezenas de pinheiros escondidos debaixo do mato... E também muita tralha e lixo. Paletes e madeiras diversas, tubagens e redes, ainda utilizáveis, mas também plásticos e restos de óleo queimado, infelizmente.

Em frente à casa e num nível abaixo, existe um patamar com algumas árvores de fruto e espaço para criação de uma horta. Controlámos as silvas, é preciso controlar a grama e era preciso também impedir que os cães continuassem a usar o espaço como WC e recreio, por isso fizeram-se cercas, com paletes encontradas na propriedade, para fechar ambas as extremidades. 




O único senão deste espaço é que é muito ensombreado, por estar numa colina virada ligeiramente a noroeste. Nesta altura do ano, o sol só começa a banhar um dos lado a partir das 10h e só pelas 12h é que já ilumina quase todo o patamar. Os dias têm sido muito frios e pela manhã o solo costuma estar coberto de geada, que só derrete quando o sol lhe toca. Poderá ser um problema quando tivermos culturas instaladas. O muro de pedra poderia criar um efeito de estufa, mas como não chega a apanhar sol, o calor armazenado nas pedras é reduzido. Estou a pensar criar uma pilha de composto ao longo do muro, mas ainda não estou certa dessa escolha.

Já tive a má experiência de transplantar aromáticas para um canteiro grande de pedras que existe no lado norte da casa, e os meus cães darem conta delas em pouco tempo. Eles gostam de comer ervas e cavar buracos e fazer cocó nos canteiros e eu não tive isso em conta. Estou agora a usar canas para criar uma bordadura alta em redor do canteiro e terei de plantar novamente algumas das plantas. Só resistiram um Aloé e um bom molho de hortelã. Cerca de meia dúzia de outras espécies foram comidas, arrancadas e espezinhadas...

Já podámos as árvores na zona circudante à casa. Existem oliveiras e figueiras mais abaixo no terreno, mas só agora se está a começar a chegar lá.


Começámos a instalar um sistema de caleiras a toda a volta da casa, com a dupla intenção de reduzir as quedas de água que incomodam e causam certos danos, devido às escorrências e infiltrações daí derivadas e também com a finalidade de direccionar essas águas para depósitos, para serem usados em regas. Depois de vistos muitos tipos de depósito diferentes, estamos a pensar optar por aqueles quadrados de plástico com 1m3, para colocar em diferentes locais e servirem diferentes áreas. Para reduzir o impacto visual, vou tentar escondê-los atrás de plantas trepadoras e até mesmo envolvê-los em tela verde que além de os camuflar, poderá reduzir a formação de limos no seu interior. É outra questão ainda em estudo.




10/30/2014

Galinheiro

Ainda não me virei muito para o trabalho da quinta, apenas arranquei algumas ervas e plantei e semeei algumas PAM (plantas aromáticas e medicinais) num canteiro. Mas tenho feito observações e planos de acordo com os princípios da Permacultura.
Planos à parte, quando soube que um amigo iria matar as galinhas dele, eu ofereci-me para lhas comprar, vivas! Por causa dessa precipitação, tive de colocar a preparação do galinheiro como prioridade número um.

A quinta já possuía uma estrutura bastante razoável que deve ter albergado patos e galinhas. Estava envolta num matagal de silvas, as telas de ensombramento estavam rasgadas e no interior eram necessários muitos melhoramentos.


O espaço foi limpo e está ainda em processo de reparação, mas entretanto o meu amigo mudou de ideias e já não quer matar nem vender as galinhas. A urgência, portanto, é menor, mas a ideia de vir a ter galinhas permanece. 

Eu sou praticamente vegan e a família também é praticamente vegetariana, mas existe alguma procura de ovos e mesmo eu consumo-os com alguma regularidade. Tento que sejam biológicos e caseiros, mas estou ciente de que a sua produção implica sempre a morte dos animais. Os pintos machos são mortos, salvo raras excepções quando há interesse em que se reproduzam e quem vende ovos, mata as galinhas aos 2 anos, quando deixam de ser tão produtivas.
É a "recompensa" que damos a estes animais pelo serviço que nos prestam... Mas eu seria incapaz de tal gesto e quando tiver galinhas, pretendo deixá-las morrer de velhas. Acho que merecem uma reforma digna depois de trabalharem para mim.

Entretanto comecei à procura de galinhas para comprar e foi então que percebi  que existem pelo menos 4 raças autóctones portuguesas consideradas raras e que precisam de ser promovidas e preservadas.

Reportagem sobre galinhas portuguesas ameaçadas de extinção

Info sobre as raças portuguesas autóctones

Eu não tenho uma fixação por conservar espécies "per se", apesar da minha formação de bióloga. Preocupo-me mais com o bem-estar dos indivíduos, sejam de que espécie for, do que na conservação de uma espécie ou raça. No entanto compreendo o valor de se preservar a biodiversidade como forma de resiliência dos ecossistemas e o valor de se utilizarem raças autóctones, mais adaptadas e resistentes a condições locais, como forma de se fazer uma agricultura ecológica e de menor impacto. 
Por isso estava a pensar comprar umas galinhas de alguma ou algumas destas raças. Mas entretanto já tive várias ofertas de amigos com quintas que me dão galinhas ou as trocam por outros produtos da minha quinta, e eu estou a pensar aceitar, sem preocupação com a raça. Veremos. Por agora, a adopção das galinhas está adiada até à Primavera.

9/16/2014

Um novo capítulo

Finalmente mudei-me para o campo. Vou iniciar um novo capítulo, o tão ansiado projecto de permacultura que torne a família mais resiliente e auto-suficiente.

É claro que, entre o sonho e a dura realidade de trabalho que me espera pela frente, há um mundo inteiro por desbravar. Vai ser difícil, poderei falhar redondamente, mas tenho de tentar. Na pior das hipóteses, fico com uma agradável casa no campo rodeada de mato e vida selvagem. Na melhor das hipóteses, talvez consiga que esse campo produza comida e outros recursos para a minha família. De qualquer forma, não perco nada em tentar.  

Ainda estou a desencaixotar as tralhas que trouxe comigo e pouco pude observar ou trabalhar no exterior. Já apanhei frutas que estavam maduras nas árvores, comecei uma pilha de composto perto da cozinha e está em curso a abertura dum caminho para um galinheiro pré-existente no terreno. Entretanto começaram as chuvas outonais, cedo demais comparativamente a anos anteriores, mas apesar do incómodo de não me deixarem fazer os primeiros trabalhos ainda em tempo seco, estou grata por elas, pois ainda não tenho forma de regar as árvores e arbustos que começavam a mostrar sinais de sede.

Vou seguir o exemplo do caracol, sair devagarinho da casca e avançar lentamente para a chuva.

7/31/2014

Óleo hidratante natural para o corpo

Na continuação da produção caseira de produtos de higiene e cosmética, deixei de usar cremes ou óleos hidratantes de qualquer espécie no corpo. Interiorizei um princípio muito importante: se não se poder comer, não se deve pôr na pele! Ainda não aplico isso a 100%, mas aos poucos vou-me convertendo.
Fica aqui então a receita para um óleo corporal que apetece (e se pode) comer, e também deixa a pele maravilhosamente suave e cheirosa.

150 ml de azeite virgem (bio)
150 ml de óleo de linho/linhaça (bio)
150 ml de óleo de amêndoas doces (bio)
10 gotas de óleo essencial de alfazema ou outro do agrado pessoal (bio)


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