1/03/2015

Progressos

Passaram-se 4 meses na quinta. Confesso que não tenho passado muito tempo lá fora e por isso não posso dizer que tenha feito muito trabalho no exterior. Há ainda muito que fazer dentro de casa, além de haverem outros assuntos a manterem-me ocupada. Felizmente conto com a ajuda do meu pai e da minha mãe e por isso houve alguns progressos.

Algumas partes do terreno foram desbravadas. A área é grande e tem mato alto com muitas silvas. Mesmo uma roçadora profissional tem tido dificuldade em cortar certa vegetação. Mas foram abertos alguns caminhos, descobriram-se patamares na encosta, assim como mangueiras e tubos de rega já instalados ainda em boas condições, cercas e vedações, dezenas de pinheiros escondidos debaixo do mato... E também muita tralha e lixo. Paletes e madeiras diversas, tubagens e redes, ainda utilizáveis, mas também plásticos e restos de óleo queimado, infelizmente.

Em frente à casa e num nível abaixo, existe um patamar com algumas árvores de fruto e espaço para criação de uma horta. Controlámos as silvas, é preciso controlar a grama e era preciso também impedir que os cães continuassem a usar o espaço como WC e recreio, por isso fizeram-se cercas, com paletes encontradas na propriedade, para fechar ambas as extremidades. 




O único senão deste espaço é que é muito ensombreado, por estar numa colina virada ligeiramente a noroeste. Nesta altura do ano, o sol só começa a banhar um dos lado a partir das 10h e só pelas 12h é que já ilumina quase todo o patamar. Os dias têm sido muito frios e pela manhã o solo costuma estar coberto de geada, que só derrete quando o sol lhe toca. Poderá ser um problema quando tivermos culturas instaladas. O muro de pedra poderia criar um efeito de estufa, mas como não chega a apanhar sol, o calor armazenado nas pedras é reduzido. Estou a pensar criar uma pilha de composto ao longo do muro, mas ainda não estou certa dessa escolha.

Já tive a má experiência de transplantar aromáticas para um canteiro grande de pedras que existe no lado norte da casa, e os meus cães darem conta delas em pouco tempo. Eles gostam de comer ervas e cavar buracos e fazer cocó nos canteiros e eu não tive isso em conta. Estou agora a usar canas para criar uma bordadura alta em redor do canteiro e terei de plantar novamente algumas das plantas. Só resistiram um Aloé e um bom molho de hortelã. Cerca de meia dúzia de outras espécies foram comidas, arrancadas e espezinhadas...

Já podámos as árvores na zona circudante à casa. Existem oliveiras e figueiras mais abaixo no terreno, mas só agora se está a começar a chegar lá.


Começámos a instalar um sistema de caleiras a toda a volta da casa, com a dupla intenção de reduzir as quedas de água que incomodam e causam certos danos, devido às escorrências e infiltrações daí derivadas e também com a finalidade de direccionar essas águas para depósitos, para serem usados em regas. Depois de vistos muitos tipos de depósito diferentes, estamos a pensar optar por aqueles quadrados de plástico com 1m3, para colocar em diferentes locais e servirem diferentes áreas. Para reduzir o impacto visual, vou tentar escondê-los atrás de plantas trepadoras e até mesmo envolvê-los em tela verde que além de os camuflar, poderá reduzir a formação de limos no seu interior. É outra questão ainda em estudo.




10/30/2014

Galinheiro

Ainda não me virei muito para o trabalho da quinta, apenas arranquei algumas ervas e plantei e semeei algumas PAM (plantas aromáticas e medicinais) num canteiro. Mas tenho feito observações e planos de acordo com os princípios da Permacultura.
Planos à parte, quando soube que um amigo iria matar as galinhas dele, eu ofereci-me para lhas comprar, vivas! Por causa dessa precipitação, tive de colocar a preparação do galinheiro como prioridade número um.

A quinta já possuía uma estrutura bastante razoável que deve ter albergado patos e galinhas. Estava envolta num matagal de silvas, as telas de ensombramento estavam rasgadas e no interior eram necessários muitos melhoramentos.


O espaço foi limpo e está ainda em processo de reparação, mas entretanto o meu amigo mudou de ideias e já não quer matar nem vender as galinhas. A urgência, portanto, é menor, mas a ideia de vir a ter galinhas permanece. 

Eu sou praticamente vegan e a família também é praticamente vegetariana, mas existe alguma procura de ovos e mesmo eu consumo-os com alguma regularidade. Tento que sejam biológicos e caseiros, mas estou ciente de que a sua produção implica sempre a morte dos animais. Os pintos machos são mortos, salvo raras excepções quando há interesse em que se reproduzam e quem vende ovos, mata as galinhas aos 2 anos, quando deixam de ser tão produtivas.
É a "recompensa" que damos a estes animais pelo serviço que nos prestam... Mas eu seria incapaz de tal gesto e quando tiver galinhas, pretendo deixá-las morrer de velhas. Acho que merecem uma reforma digna depois de trabalharem para mim.

Entretanto comecei à procura de galinhas para comprar e foi então que percebi  que existem pelo menos 4 raças autóctones portuguesas consideradas raras e que precisam de ser promovidas e preservadas.

Reportagem sobre galinhas portuguesas ameaçadas de extinção

Info sobre as raças portuguesas autóctones

Eu não tenho uma fixação por conservar espécies "per se", apesar da minha formação de bióloga. Preocupo-me mais com o bem-estar dos indivíduos, sejam de que espécie for, do que na conservação de uma espécie ou raça. No entanto compreendo o valor de se preservar a biodiversidade como forma de resiliência dos ecossistemas e o valor de se utilizarem raças autóctones, mais adaptadas e resistentes a condições locais, como forma de se fazer uma agricultura ecológica e de menor impacto. 
Por isso estava a pensar comprar umas galinhas de alguma ou algumas destas raças. Mas entretanto já tive várias ofertas de amigos com quintas que me dão galinhas ou as trocam por outros produtos da minha quinta, e eu estou a pensar aceitar, sem preocupação com a raça. Veremos. Por agora, a adopção das galinhas está adiada até à Primavera.

9/16/2014

Um novo capítulo

Finalmente mudei-me para o campo. Vou iniciar um novo capítulo, o tão ansiado projecto de permacultura que torne a família mais resiliente e auto-suficiente.

É claro que, entre o sonho e a dura realidade de trabalho que me espera pela frente, há um mundo inteiro por desbravar. Vai ser difícil, poderei falhar redondamente, mas tenho de tentar. Na pior das hipóteses, fico com uma agradável casa no campo rodeada de mato e vida selvagem. Na melhor das hipóteses, talvez consiga que esse campo produza comida e outros recursos para a minha família. De qualquer forma, não perco nada em tentar.  

Ainda estou a desencaixotar as tralhas que trouxe comigo e pouco pude observar ou trabalhar no exterior. Já apanhei frutas que estavam maduras nas árvores, comecei uma pilha de composto perto da cozinha e está em curso a abertura dum caminho para um galinheiro pré-existente no terreno. Entretanto começaram as chuvas outonais, cedo demais comparativamente a anos anteriores, mas apesar do incómodo de não me deixarem fazer os primeiros trabalhos ainda em tempo seco, estou grata por elas, pois ainda não tenho forma de regar as árvores e arbustos que começavam a mostrar sinais de sede.

Vou seguir o exemplo do caracol, sair devagarinho da casca e avançar lentamente para a chuva.

7/31/2014

Óleo hidratante natural para o corpo

Na continuação da produção caseira de produtos de higiene e cosmética, deixei de usar cremes ou óleos hidratantes de qualquer espécie no corpo. Interiorizei um princípio muito importante: se não se poder comer, não se deve pôr na pele! Ainda não aplico isso a 100%, mas aos poucos vou-me convertendo.
Fica aqui então a receita para um óleo corporal que apetece (e se pode) comer, e também deixa a pele maravilhosamente suave e cheirosa.

150 ml de azeite virgem (bio)
150 ml de óleo de linho/linhaça (bio)
150 ml de óleo de amêndoas doces (bio)
10 gotas de óleo essencial de alfazema ou outro do agrado pessoal (bio)


4/13/2013

Economia paralela

Há anos que eu tenho anúncios de coisas usadas para venda na net, mas para lá estavam esquecidos e sem grandes ambições.  A "crise" trouxe algo de positivo: uma afluência de gente a comprar e vender usados como nunca antes eu tinha visto. Os portugueses em geral ainda se sentem embaraçados de entrar numa loja de  2ª mão (o que é que os outros vão pensar?), mas na net o negócio é feito de particular para particular e essa discrição parece desinibir uma enorme massa de gente. De repente, o meu negócio de coisas usadas tornou-se os meus 100 EUR/mês de pipocas (wink, wink, say no more).
Mesmo assim, o ritmo de escoamento das tralhas não me estava a satisfazer. Às vezes simplesmente ofereço coisas através do freecycle, só para libertar espaço em casa, mas frequentemente espero ter algum retorno e o freecycle é mesmo só para actos de altruísmo.
Descobri então o troca-se.pt. Parece-se com um habitual site de vendas de usados, com uma lista de itens, sistema de feedback, etc, mas onde não é permitido atribuir valor monetário às peças. É permitido fazerem-se propostas de trocas e negociar mais ou menos itens para se alcançar o valor subjectivo que cada utilizador atribui às suas coisas, mas tentativas de compra e venda são banidas. Já realizei perto de 100 trocas graças a este site, num valor aproximado de 1000 EUR. Mil euros que não ganhei, mas que também não gastei em objectos que de outra forma possivelmente teria comprado. Há pessoas desonestas que tentam impingir-nos bens partidos, avariados ou que nem sequer os enviam (quando a troca se realiza por correio). Já tive três más experiências desse género, mas em 100, representaram apenas 3% de más trocas.
O sistema de feedback dá-nos algumas garantias de honestidade das pessoas, mas é útil ter um bom instinto para se perceber quem é sério e quem não é com apenas duas ou três mensagens trocadas. Há pessoas a desistir das trocas, porque são enganadas todos os dias. Não é portanto para totós, mas quem tenha algum dedo de testa e se saiba precaver contra os aldrabões, pode ser incrivelmente útil.
A todos quantos tenham tralha sem uso em casa, aconselho vivamente a aderirem às vendas ou trocas na internet. Além do dinheiro que se poupa, recupera ou não se gasta, estamos a aliviar o ambiente de um enorme desperdício de bens que iriam para o lixo ou compraríamos novos e ainda temos o prazer de conhecer algumas  pessoas interessantes pelo caminho.

12/27/2012

Natal reinventado


Há alguns anos que abandonei a "tradicional" "celebração" das "Festas"(tradução: febre consumista e bulímica que se vive entre Dezembro e Janeiro).
Comecei por trocar as prendas massificadas por prendas com alguma mensagem positiva (produtos biológicos, de comércio justo, reciclados, etc). Depois fui mesmo reduzindo as prendas a só meia dúzia de pessoas mais importantes. Passados alguns anos de desmame, sinto-me finalmente desintoxicada da obrigação de dar prendas e simplesmente deixei de o fazer e não sinto qualquer tipo de remorsos ou preocupação pelo que os outros possam pensar de mim. Mas foi um processo lento e doloroso. Ah ah ah!
Ocasionalmente sentia vontade de fazer algum tipo de decoração natalícia, mas isso agora tornou-se difícil desde que vendi em 2ª mão todos os enfeites que possuía, pelo que até isso são águas passadas. Ou talvez não ;)
Este ano tinha por aqui uma antena de tv pronta para ser entregue num ecocentro, quando tive uma visão de como ela poderia ser reciclada e tornada útil nesta "época festiva". E surgiu assim a árvore de Natal feita com uma antena de tv, cápsulas de café e cabos informáticos. Pretende ser decorativa e ao mesmo tempo uma crítica artística ao consumo, desperdício e alienação em que todos acabamos por nos ver envolvidos, não apenas no Natal, mas no quotidiano.
Não quero ser o Grinch, não vejo nada de errado na celebração religiosa do Natal para quem isso tem significado, nem vejo nada de errado na festa da família para quem vive o Natal de forma mais secular, mas causa-me alguma perturbação a forma como nós, indivíduos, nos sentimos pressionados a responder às expectativas da família, amigos, conhecidos e sociedade, quando chega esta altura do ano. Eu sei o que isso é, porque já senti essa pressão. Frequentemente
as pessoas confessam-me em surdina que, por elas, gostariam era de aproveitar as pequenas férias de Natal e fim-de-ano para relaxar, em vez de andarem num corre-corre a gastar dinheiro em presentes e a fazer cozinhados. E em surdina dizem-me também que no fundo acabam por o fazer, não porque isso lhes dê muito gozo, mas por causa do papão que são as expectativas dos outros e a ameaça de se tornarem a ovelha negra se não lhes corresponderem.
Por isso digo: tenham boas festas, mas por favor, não tenham medo e libertem-se!



9/01/2012

Pão integral caseiro em máquina de pão

O pão nosso de cada dia cada vez se parece menos com pão. Em vez de água, farinha e fermento, a lista de ingredientes da maioria dos pães, mesmo os que se fazem passar por tradicionais, contém uma dúzia de ingredientes, vários dos quais são "Es" químicos sintéticos. Mesmo os pães mais básicos, com menos artifícios, são feitos de farinha de trigo refinada, desprovida de nutrientes e por isso só serve para encher e dar calorias, mas não verdadeiramente nutrir e alimentar. Por tudo isto, já não dá gozo comprar pão, excepto pão caseiro com farinha integral biológica, mas esse é quase sempre demasiado caro e difícil de obter para a maioria das pessoas. Andei por isso a estudar alternativas e encontrei uma farinha integral não biológica no supermercado, bastante mais em conta que a biológica nas lojas da especialidade e que, não sendo a melhor opção em termos ambientais e de saúde, é talvez a melhor em termos de balanço custo-benefício para quem não pode ter grandes despesas. Perdoem-me a publicidade, mas é tão difícil encontrar farinha integral num supermercado, que fiquei verdadeiramente contente em conhecer a farinha Dona Flor que, ao que parece, não é mistura de farinha branca com farelo como muitas outras supostas farinhas integrais à venda, mas sim farinha integral a sério, da moagem dos grãos de trigo inteiros e com casca.
Uma embalagem de 500g de farinha e um pacotinho de fermento de pastelaria, servem para fazer dois lindos e saborosos pães numa máquina de fazer pão recuperada da casa da minha mãe, por um preço aproximado de 1 EUR.

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