1/03/2015

Progressos

Passaram-se 4 meses na quinta. Confesso que não tenho passado muito tempo lá fora e por isso não posso dizer que tenha feito muito trabalho no exterior. Há ainda muito que fazer dentro de casa, além de haverem outros assuntos a manterem-me ocupada. Felizmente conto com a ajuda do meu pai e da minha mãe e por isso houve alguns progressos.

Algumas partes do terreno foram desbravadas. A área é grande e tem mato alto com muitas silvas. Mesmo uma roçadora profissional tem tido dificuldade em cortar certa vegetação. Mas foram abertos alguns caminhos, descobriram-se patamares na encosta, assim como mangueiras e tubos de rega já instalados ainda em boas condições, cercas e vedações, dezenas de pinheiros escondidos debaixo do mato... E também muita tralha e lixo. Paletes e madeiras diversas, tubagens e redes, ainda utilizáveis, mas também plásticos e restos de óleo queimado, infelizmente.

Em frente à casa e num nível abaixo, existe um patamar com algumas árvores de fruto e espaço para criação de uma horta. Controlámos as silvas, é preciso controlar a grama e era preciso também impedir que os cães continuassem a usar o espaço como WC e recreio, por isso fizeram-se cercas, com paletes encontradas na propriedade, para fechar ambas as extremidades. 




O único senão deste espaço é que é muito ensombreado, por estar numa colina virada ligeiramente a noroeste. Nesta altura do ano, o sol só começa a banhar um dos lado a partir das 10h e só pelas 12h é que já ilumina quase todo o patamar. Os dias têm sido muito frios e pela manhã o solo costuma estar coberto de geada, que só derrete quando o sol lhe toca. Poderá ser um problema quando tivermos culturas instaladas. O muro de pedra poderia criar um efeito de estufa, mas como não chega a apanhar sol, o calor armazenado nas pedras é reduzido. Estou a pensar criar uma pilha de composto ao longo do muro, mas ainda não estou certa dessa escolha.

Já tive a má experiência de transplantar aromáticas para um canteiro grande de pedras que existe no lado norte da casa, e os meus cães darem conta delas em pouco tempo. Eles gostam de comer ervas e cavar buracos e fazer cocó nos canteiros e eu não tive isso em conta. Estou agora a usar canas para criar uma bordadura alta em redor do canteiro e terei de plantar novamente algumas das plantas. Só resistiram um Aloé e um bom molho de hortelã. Cerca de meia dúzia de outras espécies foram comidas, arrancadas e espezinhadas...

Já podámos as árvores na zona circudante à casa. Existem oliveiras e figueiras mais abaixo no terreno, mas só agora se está a começar a chegar lá.


Começámos a instalar um sistema de caleiras a toda a volta da casa, com a dupla intenção de reduzir as quedas de água que incomodam e causam certos danos, devido às escorrências e infiltrações daí derivadas e também com a finalidade de direccionar essas águas para depósitos, para serem usados em regas. Depois de vistos muitos tipos de depósito diferentes, estamos a pensar optar por aqueles quadrados de plástico com 1m3, para colocar em diferentes locais e servirem diferentes áreas. Para reduzir o impacto visual, vou tentar escondê-los atrás de plantas trepadoras e até mesmo envolvê-los em tela verde que além de os camuflar, poderá reduzir a formação de limos no seu interior. É outra questão ainda em estudo.




10/30/2014

Galinheiro

Ainda não me virei muito para o trabalho da quinta, apenas arranquei algumas ervas e plantei e semeei algumas PAM (plantas aromáticas e medicinais) num canteiro. Mas tenho feito observações e planos de acordo com os princípios da Permacultura.
Planos à parte, quando soube que um amigo iria matar as galinhas dele, eu ofereci-me para lhas comprar, vivas! Por causa dessa precipitação, tive de colocar a preparação do galinheiro como prioridade número um.

A quinta já possuía uma estrutura bastante razoável que deve ter albergado patos e galinhas. Estava envolta num matagal de silvas, as telas de ensombramento estavam rasgadas e no interior eram necessários muitos melhoramentos.


O espaço foi limpo e está ainda em processo de reparação, mas entretanto o meu amigo mudou de ideias e já não quer matar nem vender as galinhas. A urgência, portanto, é menor, mas a ideia de vir a ter galinhas permanece. 

Eu sou praticamente vegan e a família também é praticamente vegetariana, mas existe alguma procura de ovos e mesmo eu consumo-os com alguma regularidade. Tento que sejam biológicos e caseiros, mas estou ciente de que a sua produção implica sempre a morte dos animais. Os pintos machos são mortos, salvo raras excepções quando há interesse em que se reproduzam e quem vende ovos, mata as galinhas aos 2 anos, quando deixam de ser tão produtivas.
É a "recompensa" que damos a estes animais pelo serviço que nos prestam... Mas eu seria incapaz de tal gesto e quando tiver galinhas, pretendo deixá-las morrer de velhas. Acho que merecem uma reforma digna depois de trabalharem para mim.

Entretanto comecei à procura de galinhas para comprar e foi então que percebi  que existem pelo menos 4 raças autóctones portuguesas consideradas raras e que precisam de ser promovidas e preservadas.

Reportagem sobre galinhas portuguesas ameaçadas de extinção

Info sobre as raças portuguesas autóctones

Eu não tenho uma fixação por conservar espécies "per se", apesar da minha formação de bióloga. Preocupo-me mais com o bem-estar dos indivíduos, sejam de que espécie for, do que na conservação de uma espécie ou raça. No entanto compreendo o valor de se preservar a biodiversidade como forma de resiliência dos ecossistemas e o valor de se utilizarem raças autóctones, mais adaptadas e resistentes a condições locais, como forma de se fazer uma agricultura ecológica e de menor impacto. 
Por isso estava a pensar comprar umas galinhas de alguma ou algumas destas raças. Mas entretanto já tive várias ofertas de amigos com quintas que me dão galinhas ou as trocam por outros produtos da minha quinta, e eu estou a pensar aceitar, sem preocupação com a raça. Veremos. Por agora, a adopção das galinhas está adiada até à Primavera.

9/16/2014

Um novo capítulo

Finalmente mudei-me para o campo. Vou iniciar um novo capítulo, o tão ansiado projecto de permacultura que torne a família mais resiliente e auto-suficiente.

É claro que, entre o sonho e a dura realidade de trabalho que me espera pela frente, há um mundo inteiro por desbravar. Vai ser difícil, poderei falhar redondamente, mas tenho de tentar. Na pior das hipóteses, fico com uma agradável casa no campo rodeada de mato e vida selvagem. Na melhor das hipóteses, talvez consiga que esse campo produza comida e outros recursos para a minha família. De qualquer forma, não perco nada em tentar.  

Ainda estou a desencaixotar as tralhas que trouxe comigo e pouco pude observar ou trabalhar no exterior. Já apanhei frutas que estavam maduras nas árvores, comecei uma pilha de composto perto da cozinha e está em curso a abertura dum caminho para um galinheiro pré-existente no terreno. Entretanto começaram as chuvas outonais, cedo demais comparativamente a anos anteriores, mas apesar do incómodo de não me deixarem fazer os primeiros trabalhos ainda em tempo seco, estou grata por elas, pois ainda não tenho forma de regar as árvores e arbustos que começavam a mostrar sinais de sede.

Vou seguir o exemplo do caracol, sair devagarinho da casca e avançar lentamente para a chuva.

7/31/2014

Óleo hidratante natural para o corpo

Na continuação da produção caseira de produtos de higiene e cosmética, deixei de usar cremes ou óleos hidratantes de qualquer espécie no corpo. Interiorizei um princípio muito importante: se não se poder comer, não se deve pôr na pele! Ainda não aplico isso a 100%, mas aos poucos vou-me convertendo.
Fica aqui então a receita para um óleo corporal que apetece (e se pode) comer, e também deixa a pele maravilhosamente suave e cheirosa.

150 ml de azeite virgem (bio)
150 ml de óleo de linho/linhaça (bio)
150 ml de óleo de amêndoas doces (bio)
10 gotas de óleo essencial de alfazema ou outro do agrado pessoal (bio)


4/13/2013

Economia paralela

Há anos que eu tenho anúncios de coisas usadas para venda na net, mas para lá estavam esquecidos e sem grandes ambições.  A "crise" trouxe algo de positivo: uma afluência de gente a comprar e vender usados como nunca antes eu tinha visto. Os portugueses em geral ainda se sentem embaraçados de entrar numa loja de  2ª mão (o que é que os outros vão pensar?), mas na net o negócio é feito de particular para particular e essa discrição parece desinibir uma enorme massa de gente. De repente, o meu negócio de coisas usadas tornou-se os meus 100 EUR/mês de pipocas (wink, wink, say no more).
Mesmo assim, o ritmo de escoamento das tralhas não me estava a satisfazer. Às vezes simplesmente ofereço coisas através do freecycle, só para libertar espaço em casa, mas frequentemente espero ter algum retorno e o freecycle é mesmo só para actos de altruísmo.
Descobri então o troca-se.pt. Parece-se com um habitual site de vendas de usados, com uma lista de itens, sistema de feedback, etc, mas onde não é permitido atribuir valor monetário às peças. É permitido fazerem-se propostas de trocas e negociar mais ou menos itens para se alcançar o valor subjectivo que cada utilizador atribui às suas coisas, mas tentativas de compra e venda são banidas. Já realizei perto de 100 trocas graças a este site, num valor aproximado de 1000 EUR. Mil euros que não ganhei, mas que também não gastei em objectos que de outra forma possivelmente teria comprado. Há pessoas desonestas que tentam impingir-nos bens partidos, avariados ou que nem sequer os enviam (quando a troca se realiza por correio). Já tive três más experiências desse género, mas em 100, representaram apenas 3% de más trocas.
O sistema de feedback dá-nos algumas garantias de honestidade das pessoas, mas é útil ter um bom instinto para se perceber quem é sério e quem não é com apenas duas ou três mensagens trocadas. Há pessoas a desistir das trocas, porque são enganadas todos os dias. Não é portanto para totós, mas quem tenha algum dedo de testa e se saiba precaver contra os aldrabões, pode ser incrivelmente útil.
A todos quantos tenham tralha sem uso em casa, aconselho vivamente a aderirem às vendas ou trocas na internet. Além do dinheiro que se poupa, recupera ou não se gasta, estamos a aliviar o ambiente de um enorme desperdício de bens que iriam para o lixo ou compraríamos novos e ainda temos o prazer de conhecer algumas  pessoas interessantes pelo caminho.

12/27/2012

Natal reinventado


Há alguns anos que abandonei a "tradicional" "celebração" das "Festas"(tradução: febre consumista e bulímica que se vive entre Dezembro e Janeiro).
Comecei por trocar as prendas massificadas por prendas com alguma mensagem positiva (produtos biológicos, de comércio justo, reciclados, etc). Depois fui mesmo reduzindo as prendas a só meia dúzia de pessoas mais importantes. Passados alguns anos de desmame, sinto-me finalmente desintoxicada da obrigação de dar prendas e simplesmente deixei de o fazer e não sinto qualquer tipo de remorsos ou preocupação pelo que os outros possam pensar de mim. Mas foi um processo lento e doloroso. Ah ah ah!
Ocasionalmente sentia vontade de fazer algum tipo de decoração natalícia, mas isso agora tornou-se difícil desde que vendi em 2ª mão todos os enfeites que possuía, pelo que até isso são águas passadas. Ou talvez não ;)
Este ano tinha por aqui uma antena de tv pronta para ser entregue num ecocentro, quando tive uma visão de como ela poderia ser reciclada e tornada útil nesta "época festiva". E surgiu assim a árvore de Natal feita com uma antena de tv, cápsulas de café e cabos informáticos. Pretende ser decorativa e ao mesmo tempo uma crítica artística ao consumo, desperdício e alienação em que todos acabamos por nos ver envolvidos, não apenas no Natal, mas no quotidiano.
Não quero ser o Grinch, não vejo nada de errado na celebração religiosa do Natal para quem isso tem significado, nem vejo nada de errado na festa da família para quem vive o Natal de forma mais secular, mas causa-me alguma perturbação a forma como nós, indivíduos, nos sentimos pressionados a responder às expectativas da família, amigos, conhecidos e sociedade, quando chega esta altura do ano. Eu sei o que isso é, porque já senti essa pressão. Frequentemente
as pessoas confessam-me em surdina que, por elas, gostariam era de aproveitar as pequenas férias de Natal e fim-de-ano para relaxar, em vez de andarem num corre-corre a gastar dinheiro em presentes e a fazer cozinhados. E em surdina dizem-me também que no fundo acabam por o fazer, não porque isso lhes dê muito gozo, mas por causa do papão que são as expectativas dos outros e a ameaça de se tornarem a ovelha negra se não lhes corresponderem.
Por isso digo: tenham boas festas, mas por favor, não tenham medo e libertem-se!



9/01/2012

Pão integral caseiro em máquina de pão

O pão nosso de cada dia cada vez se parece menos com pão. Em vez de água, farinha e fermento, a lista de ingredientes da maioria dos pães, mesmo os que se fazem passar por tradicionais, contém uma dúzia de ingredientes, vários dos quais são "Es" químicos sintéticos. Mesmo os pães mais básicos, com menos artifícios, são feitos de farinha de trigo refinada, desprovida de nutrientes e por isso só serve para encher e dar calorias, mas não verdadeiramente nutrir e alimentar. Por tudo isto, já não dá gozo comprar pão, excepto pão caseiro com farinha integral biológica, mas esse é quase sempre demasiado caro e difícil de obter para a maioria das pessoas. Andei por isso a estudar alternativas e encontrei uma farinha integral não biológica no supermercado, bastante mais em conta que a biológica nas lojas da especialidade e que, não sendo a melhor opção em termos ambientais e de saúde, é talvez a melhor em termos de balanço custo-benefício para quem não pode ter grandes despesas. Perdoem-me a publicidade, mas é tão difícil encontrar farinha integral num supermercado, que fiquei verdadeiramente contente em conhecer a farinha Dona Flor que, ao que parece, não é mistura de farinha branca com farelo como muitas outras supostas farinhas integrais à venda, mas sim farinha integral a sério, da moagem dos grãos de trigo inteiros e com casca.
Uma embalagem de 500g de farinha e um pacotinho de fermento de pastelaria, servem para fazer dois lindos e saborosos pães numa máquina de fazer pão recuperada da casa da minha mãe, por um preço aproximado de 1 EUR.

7/19/2012

Barras de cereais caseiras

Precisava de preparar comida para 3 dias sem acesso a cozinha, restaurante ou supermercado. Uma das ideias que tive foi levar comigo barras de cereais, mas confesso que não sou fã de nenhuma das que já comi até hoje, mesmo as das lojas de produtos naturais, que apesar de menos enjoativas e menos artificiais, são carrérrimas. Então decidi tentar produzir as minhas próprias barrinhas.
Não segui nenhuma receita. Improvisei a 100%.
Triturei uma mistura de frutas secas (alperces, ameixas, maçãs, passas), juntei-lhe flocos de aveia, sementes de sésamo e mel e mexi até ficar bem homogéneo.




Coloquei esta mistura numa caixa de plástico rasa (que serviu de forma). Depois de bem comprimida a mistura, virei a caixa e coloquei esta placa de cereais e fruta num tabuleiro.




Repeti a tarefa e enchi dois tabuleiros. Um levei ao forno durante uma meia hora, o outro deixei secar ao ar.
No fim, cortei as placas em barrinhas e fiquei com um fornecimento que me deu para os 3 dias e para distribuir pela família e amigos.
Ambas as versões ficaram saborosas, mas a melhor foi a que secou ao ar. A que foi ao forno acabou por cozer e ficou tipo bolo. A outra deu origem a verdadeiras barrinhas de cereais, com as quais me deliciei!
 

5/31/2012

Frescos, biológicos e locais

"Locavore" é o termo inglês que designa quem procura consumir alimentos produzidos na sua área de residência, como forma de apoiar a economia local, consumir produtos frescos e nutritivos e reduzir a pegada ecológica (especialmente em termos de CO2 que é poupado, com a redução significativa das distâncias de transporte dos alimentos).  Não existe um termo equivalente em português, seria algo como locávoro, que soa mesmo muito mal, mas já existe muito boa gente que tenta aplicar este princípio na hora das compras.
Uma das minhas mais recentes preocupações era precisamente passara consumir mais localmente, mas hoje em dia mesmo nos mercados só se encontram basicamente produtos importados. Aminha mãe costuma comprar a alguns poucos velhotes que ainda têm as suas hortinhas e garantem não usar químicos, mas são uma espécie em vias de extinção.
Eis quando - estando eu ainda a planear um dia pensar melhor no assunto - o homem dos sete ofícios que veio fazer algumas obras a casa da minha mãe mencionou ter iniciado uma pequena produção biológica de hortícolas, no seu terreno a escassos 2-3 kms da nossa casa. Adoptado!
Visitamos o blog dele para saber das novidades, mas ele também nos liga quando tem algo para vender. Mais ou menos a cada semana e meia vamos buscar a nossa encomenda. 


E é um prazer consumir estes produtos fresquinhos, nutritivos e locais. 
Em troca levamos-lhe os nossos resíduos orgânicos, para juntar à sua pilha de composto. Numa família de 4 pessoas que consomem imensos frutos e vegetais, chegam a ser cerca de 75 lts (3 sacos grandes) de resíduos. Estamos a negociar com ele um descontozinho com base nessa troca, mas sabemos que será apenas simbólico. O maior valor ganho com este negócio é a satisfação de apoiarmos um agricultor local e consumirmos Alimentos com "A" grande, não aquelas coisas que se parecem vagamente com comida, mas são basicamente celulose com água e nitratos.

5/27/2012

Café bio em cápsulas

Esta nova moda dos cafés em cápsula que servem exclusivamente na máquina de café de determinada marca, incomodou-me desde o primeiro dia.
Primeiro, quem compra uma máquina de determinada marca, fica obrigado a consumir exclusivamente café daquela marca, o que é um atentado à liberdade de escolha. Se a empresa falir ou por alguma razão deixar de fabricar aquele tipo de cápsulas, será que reembolsa o cliente pelo investimento na máquina? Ou se simplesmente decidir subir o preço das cápsulas e a pessoa quiser mudar de sistema, quem a reembolsa do investimento na máquina?
Segundo, o custo ambiental de se fazerem cápsulas de plástico ou alumínio para cada dose de café, mais o custo ambiental destas irem para o lixo ou mesmo serem recicladas é muito superior ao de uma embalagem de café com 30 ou 40 doses.
Claro que ninguém é obrigado a aderir a estes sistemas de cápsulas, mas com a explosão de marcas que agora oferecem esta opção, há a possibilidade de um dia não termos senão essa opção. O pensamento monopolista por trás de todo este conceito está errado.
Curiosamente, apesar das questões que me incomodam com estas máquinas, acabaram por vir parar uma a casa da minha mãe e outra à minha.
Claro que eu não podia deixar de fazer alguma coisa para contornar os problemas que elas levantam. Experimentei vários métodos de piratear as cápsulas usadas para poder usá-las com outro café, especificamente café biológico e de comércio justo. E depois das contas feitas, não é que fica 3 a 4 vezes mais barato do que o café convencional de comércio "injusto"?


Uma das máquinas é da Nespresso e o método que funcionou melhor com estas cápsulas foi colocar um pedaço de filtro de café entre a cápsula e a grelha em que esta encaixa. [É preciso retirar o depósito de cápsulas usadas e colocar a cápsula e o filtro na posição certa, ajudando a posicioná-la por cima e por baixo]. Tentei com papel de alumínio, mas era frágil de mais e encarquilhava em vez de furar. Talvez resulte se for um papel de alumínio forte e não aquele que se usa para embrulhar sanduíches, mas eu prefiro o filtro de café, pois é biodegradável.



A outra máquina é da Lavazza e com esta o papel de alumínio funciona muito bem e permite que se preparem as cápsulas com antecedência e se coloquem de reserva, ao contrário das outras que têm que ser preparadas na hora, mas também hei-de experimentar com papel de filtro.



As marcas destes cafés desaconselham a reutilização das cápsulas argumentando que o método poderá estragar as máquinas. Não vou dizer que é mentira, pois poderá acontecer, uma vez que estes sistemas estão desenhadas para funcionar a certas pressões e qualquer perturbação poderá causar desarranjos a longo prazo. Mas até agora não tive qualquer problema, excepto durante as minhas primeiras experiências em que entupi a máquina Nespresso algumas vezes (mas nada que uma passagem de água não resolvesse) e desde que encontrei o método mais adequado, não voltou a acontecer.

5/24/2012

Andorinha Primavera

Ao sair de casa, a minha mãe encontrou uma andorinha moribunda, literalmente a ser devorada por insectos. Percebeu que a coitadita ainda mexia, pegou-lhe e removeu os bicharocos todos que a atormentavam. Quando a trouxe para casa, estava tão chochita que não acreditávamos que pudesse recuperar. Apenas esperávamos poder dar-lhe algum conforto.

Coloquei-a numa cesta de verga aconchegada por uma toalha. Dei-lhe água com uma seringa mas ela mal parecia sorver alguma coisa. Pesquisei na net sobre a o que dar de comer a uma andorinha resgatada. Algumas pessoas sugeriam papa de pão com leite se fosse uma cria, mas isso pareceu-me inadequado a um animal insectívoro. Encontrei então uma sugestão de fazer uma papa com ração seca de gato, especialmente uma que fosse à base de carne e não de cereais. Inicialmente dei-lhe a papa muito diluída através da seringa, porque ela continuava a não querer comer. 
Dei-lhe muito quentinho e carinho, mantendo-a grande parte do tempo enroladinha num pano de encontro ao peito. Se há coisa que aprendi ao tomar conta de muitos animais doentes, foi que acima de tudo eles precisam de estar em contacto connosco. Diz-se sempre que se devem deixar os pássaros num local escuro, silencioso e sem interacção, mas eu descobri que aquilo que lhes posso dar melhor que comida e água, é a minha energia. Muitos animais que eu sei que teriam morrido mesmo com os melhores cuidados médicos, só se safaram porque lhes dediquei essa atenção carinhosa. 
Mesmo sem comer grande coisa, a andorinhita arrebitou muito durante a primeira tarde. Como receei que morresse durante a noite, fui vê-la de 2 em 2 horas, mas ela ferrou no sono e não acordou toda a noite. Dormiu muito melhor que eu.
No segundo dia já mostrou mais interesse na comida e já começava a dar às asas. Percebi então que tinha uma das asas magoada e que não conseguia voar. Quando ela própria percebeu essa situação, rendeu-se aos meus cuidados e durante alguns dias ficou perto de mim enquanto eu trabalhava, pedindo-me comida e água de hora a hora.

 

Entretanto comprei numa loja para animais uma ração mais apropriada, para aves insectívoras. Instalei diversas armadilhas para moscas nas janelas e varandas da minha casa, mas durante dias, nem uma lá caiu e a pobrezita teve que continuar a comer papa.
Cada vez que ela se sentia com mais coragem, indicava-me que estava pronta para dar às asas e eu deixava-a esvoaçar pela sala. A recuperação foi lenta. Demorou cerca de 2 semanas e meia até a andorinha começar a voar perto da sua melhor forma. Mas entretanto começou a ter diarreia de estar à tanto tempo numa dieta que lhe era pouco natural.
Consegui reverter isso rapidamente dando-lhe alguns bichos que encontrava esmagados num passadiço junto ao rio onde inúmeros bichos-da-conta e outros insectos são acidentalmente esborrachados pelos transeuntes. 
Um dia ou dois depois, totalmente recuperada da diarreia e a voar aparentemente sem problemas, começou a dar sinais de impaciência, indicando-me que queria ir embora. Eu queria dar-lhe a liberdade, mas já me custava deixá-la ir. Afeiçoei-me muito à pequenita. Passou muito tempo ao meu colo, ou aninhada nos meus ombros e cabeça. Subia para o meu dedo e passeava comigo pela casa. Deixava que lhe fizesse festas e lhe desse beijinhos e fazia um ar muito doce, derretidinha com os mimos.
Mas se não a libertasse, tudo isto teria sido em vão.
Com ela empoleirada no dedo, levei-a até à marquise e abri a janela. Olhou para mim desconfiada como quem dizia "É mesmo a sério? Posso ir embora?". Ri-me e disse-lhe "Vai, és livre de ir para casa." Ela deu uma volta na marquise em jeito de despedida e lançou-se janela fora. No exterior deu umas quantas piruetas de alegria por poder voltar a voar na vastidão do céu e depois juntou-se a um bando de andorinhas que nidificam no prédio do lado. Ainda a segui com o olhar durante um tempo, mas depois perdi-a no meio das outras, mas percebi que tinha voltado a casa e fiquei feliz.
Passados dias, comecei a desconfiar que ela me estava a visitar, ao notar uma certa andorinha a passar todos os dias a rasar a janela da marquise. O "chirp-chirp" dela é-me muito familiar e mesmo que eu esteja dentro de casa distraída com alguma coisa, se ouvir aquele "chirp-chirp" no meio de tantos outros, levanto logo a cabeça e sinto que é ela.
Uma destas manhãs acordei com uma canção maravilhosa no parapeito da janela do meu quarto. Até os meus gatos estavam em polvorosa, como se reconhecessem aquele canto. Então vimos que era a nossa andorinhita que nos tinha vindo visitar. No dia seguinte a mesma coisa e ficou durante bastante tempo ali a cantar. Agora deixo-lhe sempre no parapeito um pequeno recipiente de água e outro de comida (caso queira um suplemento ou sobremesa), mas ela não tem dias certos para vir. Deve ser quando lhe dá jeito lá na sua agenda :)

5/06/2012

Leite de aveia cru

Há muitos anos que deixei de consumir lacticíneos e em concreto de beber leite de vaca. Depois de ter deixado de beber o leite materno, biologicamente nunca  mais deveria ter bebido leite e muito menos leite que é naturalmente destinado a bezerros. No entanto - questão  cultural - cresci a beber leite de vaca e ficou-me o hábito de colocar qualquer bebida esbranquiçada no café ou a acompanhar os cereais. Quando decidi deixar os lactcíneos, decidi então virar-me para os leites vegetais.

[Antes que algum purista argumente que leite é só o dos mamíferos, lembro que de acordo com diversos dicionários, qualquer substância leitosa pode ser chamada de leite. Ou também acham que se deve proibir de se chamar leite corporal aos hidratantes ou leite de magnésia ao antiácido? A campanha "anti leite vegetal" foi lançada pelo lobby dos lacticíneos, num esforço para diferenciar as ""bebidas vegetais" do "leite". Embora discorde do argumento linguístico, curiosamente considero que têm razão num ponto: realmente estas bebidas não são comparáveis. Os leites vegetais são bem mais saudáveis!]

Um litro de qualquer leite vegetal é geralmente bem mais caro que um litro de leite de vaca, com excepção actual do leite de soja, que já tem um preço muito mais acessível graças à vulgarização do seu consumo. Por isso, há alguns anos que compro pacotes de leite de soja. Mas para alguém sempre crítico como eu, este consumo levanta-me diversas questões.


Antes de mais, a não ser que o leite seja biológico (logo, mais caro), nunca tenho a certeza absoluta de que a soja utilizada não seja parcialmente transgénica. Na Europa, como os alimentos transgénicos têm de ser rotulados, as empresas optam por não os vender directamente ao consumidor, que os rejeita (vão antes para as rações animais), mas a contaminação acontece e a fiscalização é esporádica, por isso corre-se sempre algum risco no consumo de soja. 

Em seguida, preocupa-me a quantidade de pacotes tetrapak que semanalmente separo para reciclagem e ainda algumas questões por estar tão dependente diariamente de um produto tão "fabricado" ou processado, algo que eu procuro cada vez mais eliminar da minha dieta.

Para garantir que o meu leite de soja não era transgénico, mas também numa tentativa de poupar dinheiro, cheguei a investir numa máquina com a qual fazia leite de soja em casa a partir de grão de soja biológica. Mantive essa rotina durante cerca de um ano, até que uma borracha isolante da máquina se rompeu e ninguém foi capaz de a reparar, ficando a máquina inutilizada. Acho que nunca cheguei a amortizar o valor investido e por isso não senti qualquer motivação para comprar outra máquina. Voltei ao leite de soja convencional de pacote. Até agora.

Decidi tentar fazer o meu próprio leite novamente, sem máquinas especiais e sem complicações. Pesquisei as alternativas e optei por experimentar fazer leite de aveia cru. Razões: facilidade, economia, rapidez, nutrição! 
 
Mais à frente pretendo tentar fazer leite de arroz, amêndoas e nozes, mas para já o de aveia pareceu-me ser o mais adequado e simples.
Guiei-me, grosso modo, por diversas receitas encontradas online, mas na prática fiz tudo um bocado a olho, seguindo o meu instinto em termos de quantidades e foram estas as conclusões a que cheguei. Para 1 litro de leite, basta demolhar cerca de 100 gr de aveia durante 1 a 2 horas (mas também pode ficar de molho da noite para o dia), triturá-la com uma varinha mágica, filtrar o líquido, ajustar o volume de água até perfazer um litro e armazenar! Não é preciso sequer cozer a aveia, poupando-se energia, tempo e preservando mais dos seus nutrientes.



Há quem não goste do sabor "cru" deste leite e não abdique por isso de cozer a aveia, mas eu adaptei-me perfeitamente bem ao sabor e quando quero que fique mais guloso, contento-me em adicionar-lhe uma colher de mel. 
Com o resto sólido da aveia, faço pequenas sobremesas, misturando fruta, passas, canela, mel ou o que quer que a imaginação dite no momento. 


Em termos de poupança monetária, estes são os resultados dos meus cálculos (não incluindo o custo da água e da energia utilizada, considerado minúsculo).





4/24/2012

Dispensadores de sacos feitos com calças velhas

Este pequeno projecto já o fiz há mais de um ano, mas lembrei-me de o partilhar agora.
Uma vez que costumo levar os meus próprios sacos às compras, não sei como isto sucede, mas tenho sempre imensos sacos de plástico em casa. Dava-me jeito um dispensador de sacos, mas não queria cair no erro de comprar um de plástico, contribuindo ainda mais para a presença deste material no planeta.

Quando umas calças de um pijama de algodão se rasgaram, tive a ideia de fazer dispensadores de sacos com as pernas do dito cujo. Ficaram um bocado grandes, mas na verdade dá imenso jeito que assim sejam.

Deveria postar um guia passo a passo, com fotos bonitas e tal, mas ainda não cheguei a esse nível de refinamento. Além disso, quando há um ano fiz este "projecto", não tinha ideia nenhuma de vir a postá-lo no blog. 

Na foto, um dos dispensadores em acção. Sim, é mesmo grande!


Sumariamente, foram estes os passos deste projecto: 
1 - separei (cortei) as pernas da cintura elástica das calças
2 - separei as pernas uma da outra
3 - ajustei o tamanho de cada perna à altura pretandida
4 - cortei ao meio o elástico da cintura e usei as duas partes para fazer novas "cinturas" nas entradas (topo) de cada dispensador 
5 - usei o cordão que apertava as calças na cintura, para fazer aberturas reguláveis nas saídas (fundo) de cada dispensador 
7 - os dois buracos por onde passava o cordão da cintura original, ficaram localizados convenientemente nas entradas de cada dispensador e serviram na perfeição como ponto de fixação ao porta-panos de parede 

4/19/2012

Higiene oral natural

É impressionante a quantidade de químicos irritantes, cancerígenos e disruptores endócrinos que colocamos voluntariamente no nosso corpo diariamente. Cada vez que vamos comprar uma pasta de dentes, um champô, um óleo de banho, estamos a pagar para que nos envenenem. Depois surpreendemo-nos pela nossa fraca saúde.

Consciente da toxicidade dos produtos cosméticos, há anos que procuro comprar produtos o menos mauzinhos possível, mas nem sempre me mantenho fiel a isso. Mesmo quando consigo resistir à tentação de experimentar o novo champô da marca xyz, que promete revolucionar o meu mundo e espero pelo dia em que passarei no Celeiro para comprar algo mais "natural", acabo sempre desiludida pelo facto de que todos os champôs e, na verdade, todos os produtos cosméticos comercializados, por mais naturais que sejam, por mais ingredientes de origem vegetal que contenham, conterem sempre alguns químicos de síntese altamente suspeitos na sua composição. Há ainda a considerar que a sua produção industrial é sempre causadora de um impacto ambiental não negligenciável, no qual não queremos sequer pensar, dada a conveniência do "pronto a usar". 

Na senda de uma transição para um estilo de vida com um impacto mais reduzido, mais económico e frugal e também mais saudável, decidi progressivamente aprender a utilizar produtos alternativos aos cosméticos comercializados. E comecei precisamente pela pasta de dentes. 
Já usei dentífricos à base de argila e de plantas. Havia um do Celeiro com aroma de anis que era um prazer usar, mas... eram todos ou ainda demasiado químicos ou, simplesmente, demasiado caros! Experimentei um dentífrico japonês em pó, que consistia de beringela torrada e sal, mas também não era propriamente barato e, não raras vezes, deixava-me partículas pretas entre os dentes, o que era um bocado contraproducente. Decidi por isso procurar receitas de dentífricos caseiros e descobri que podemos usar simples bicarbonato de sódio para escovar os dentes. Excelente!

A minha nova rotina de higiene oral!

Mais eficaz será uma mistura de bicarbonato de sódio com cloreto de sódio (vulgo sal de cozinha), numa proporção de 1 para 4, pois o sal, ligeiramente mais abrasivo, ajuda a remover as impurezas dos dentes, além de coadjuvar o bicarbonato como bactericida. Quem faz questão de ter um dentífrico em pasta e não em pó, pode simplesmente adicionar 3 ou 4 colheres de chá de glicerina a 1 copo deste pó, misturar bem, et voilá! Em ambos os casos, pó ou pasta, pode-se ainda adicionar umas gotinhas de óleo essencial de menta, anis, limão, ou outro que se goste e que não seja tóxico para as mucosas, para um toque aromático que torne a escovagem ainda mais agradável. 

Como complemento a este dentífrico natural, um elixir bucal à base de água oxigenada diluída em água na proporção de 1 para 10, ajuda a manter os dentes mais brancos e a boca mais desinfectada. O ideal será bochechar antes da escovagem ou mergulhar a escova no elixir antes de usar o pó ou a pasta, pois a acção combinada dos elementos tem um efeito sinergístico e diz-se que deixa os dentes ainda mais brancos (sem no entanto destruir a camada de esmalte necessária à saúde dos nossos dentes). 

Fiz uma pequena comparação de custos, com base nos preços de dentífricos e elixires à venda num hipermercado e dos ingredientes alternativos à venda no mesmo espaço, tendo em conta as diferenças de preço entre os mais baratos e os mais caros. Não garanto a correcção absoluta dos cálculos e convido-vos a fazerem-nos vós mesmos, mas pretendi ter em conta uma aproximação em termos de quantidades dos produtos comercializados prontos a usar e as suas contrapartes fabricadas em casa (pós mistura e/ou diluição dos ingredientes) e penso que os valores são indicativos daquilo que se pode poupar com esta mudança de hábitos.
 

4/10/2012

Transição

Quem me conhece sabe que eu sou extremamente atenta aos meus hábitos de consumo e que procuro sempre fazer as escolhas com menor impacto ambiental. Mas ninguém é de ferro e cheguei a uma altura em que, parecendo humanamente impossível ir mais além, dei por mim a pensar "mas porque raio hei-de eu esgotar-me com tanto esforço, se eu sozinha não posso "salvar o mundo" e os outros em redor parecem não querer saber de fazer a sua parte?".

Não deixei de fazer o que já era meu hábito, mas não tive coragem de ir mais além. Esse "mais além" seria passar a fazer os meus próprios cosméticos e produtos de limpeza caseiros em vez de comprar versões "amigas do ambiente" nas lojas. Era gradualmente comprar alimentos directamente a pequenos agricultores em vez de ir procurar biológico e português ao supermercado. Era procurar aprender artes e ofícios que me permitissem ser mais auto-suficiente.


O plano sempre esteve na minha mente, mas cansada da dedicação que isso exigia e das constantes mudanças na minha vida que me impediam de desenvolver uma rotina, decidi adiar isso para quando um dia tivesse a minha vida mais "arrumada" e, idealmente, uma casinha no campo.
Mas com a crise económica que grassa por este país - fruto do "capitaclismo" que foi sendo varrido para debaixo do tapete na esperança de ninguém desse por isso - a moda da poupança e da auto-suficiência anda por aí à solta. Os grupos de trocas de bens e serviços multiplicam-se. Os blogs com dicas para uma vida mais auto-suficiente e artesanal crescem como cogumelos. O movimento de transição e permacultura deixou de ser coisa de hippies e começou a sair à rua. E eu comecei a sentir que fazia menos para reduzir a minha pegada ecológica que a tiazinha da esquina que descobriu que fazer carteirinhas com pacotes tetrapak está muito in.
Decidi por isso ganhar novo fôlego e retomar a minha caminhada para uma vida pós-carbono. Estou oficialmente em Transição.

9/20/2011

Mar de plástico


Não sou santa. Não compro tudo ecológico, biológico e local. Acabo sempre por fazer algumas compras em grandes superfícies. 
Desde que algumas destas superfícies oferecem a opção de fazermos as compras online e eles entregarem-nas ao domicílio, que me interrogava se seria uma opção sensata e um pouqito mais ecológica. Se em vez de cada indivíduo se deslocar ao hipermercado, uma carrinha distribuir as compras por diversas moradas, poupa-se no consumo de combustíveis. Além disso não temos que perder tempo naquele ambiente deprimente que é um hipermercado e usá-lo a fazer coisas bem mais úteis, como ir à frutaria do velhote da esquina aviar de courgettes ainda cheias de terra.

Quando há tempos o Continente fez uma promoção em que oferecia um desconto de 10 EUR nas compras online com entrega gratuita ao domicílio, decidi que tinha chegado o momento de testar o serviço. 
Tudo correu muito bem, até me ligaram a perguntar se queria alternativa aos produtos que não tinham já em stock e fizeram o belo do desconto. Até que as compras chegaram... Parecia que além da minha encomenda, me tinham trazido mais umas dezenas de coisas que eu não tinha pedido, tal era o número de sacos que deixaram na minha cozinha. Cada produto tinha praticamente "direito" ao seu próprio saco de plástico!
Para uma compra no valor de cerca de 100 EUR, o equivalente a uma ou duas semanas de comida e uns quantos utensílios domèsticos, fiquei a flutuar num mar de plástico no meio da cozinha. 


Ao todo, contei perto de 25 sacos! Em comparação, a mesma quantidade de compras costuma-me caber em 3 sacos grandes reutilizáveis.
Não consegui perceber porquê. Se entregam ao domicílio, porque não trazem as compras dentro de caixotes de cartão, por exemplo? Não eram mais simples de empilhar na carrinha e tudo? Acontece que as compras vêm de facto em caixas, mas as caixas ficam na carrinha e para a nossa mão passam uma avalanche de sacos de plástico.
Não compreendo este desperdício disparatado e decidi reclamar ao Continente.

3/29/2011

Obstáculos à mudança

Há cerca de 3-4 meses que começámos a busca daquela que esperamos venha a ser a nossa casa. no campo Primeiro procurámos terrenos pequenos com casas modestas dentro de uma área a cerca de 1 hora de Lisboa. Os preços são exorbitantes, mas depois de muita procura encontrámos finalmente o que parecia um sonho tornado realidade. Terreno e água com fartura e uma casa modesta mas com muito potencial ,a menos de 1 hora de Lisboa, por um preço muito abaixo do seu valor real. Mas o dono adoeceu, hesitou, o processo ficou empatado. Durante semanas não quis sequer pensar em procurar outra coisa - já sabia que não iria encontrar nada tão bom e tão barato como esta, na zona de Lisboa.
Então depois de mais umas quantas visitas infrutíferas a terrenos, surge uma outra oportunidade, desta vez bem longe de Lisboa, mas com um preço irresistível e um potencial agrícola e turístico fabuloso. Começámos logo a fazer planos mais ousados de criação de um turismo rural como complemento ao projecto agrícola que tínhamos em mente. Apesar de ser o mesmo preço da casa perto de Lisboa, tem três vezes a área de terreno e uma casa três vezes maior. Decidimos que estávamos dispostos a lançar-nos de cabeça. Então surge novo obstáculo. O banco só empresta dinheiro para a casa e como o terreno é imenso, falta mais ou menos a mesma quantia para poder cobrir o valor total da propriedade. 
Não queria desistir, pelo que procurei informar-me sobre apoios à criação de emprego ou criação de empresa de turismo rural. De facto existem apoios para isso, mas só depois de se ter a terra, porque o dinheiro só pode ser investido na recuperação da casa, mas não na compra do terreno. Os bancos também têm linhas de crédito para negócios deste tipo, mas só emprestam a quem já tiver um percurso empresarial de sucesso. Ou seja, a pescadinha de rabo na boca do costume: o estado e os bancos só emprestam ou dão dinheiro, a quem já o tem! Quem não tem, chucha no dedo e fica a ver navios. 
Dizem que há muitas oportunidades por aí para quem queira criar o seu negócio, mas eu há anos que as procuro e investigo e na hora de avançar fico sempre apeada, porque exigem-me sempre ter já milhares ou dezenas de milhares de euros para investir do meu bolso.
Depois destes reveses ficámos um pouco desanimados sem saber que passo dar a seguir. Mas há-de surgir uma luz ao fundo do túnel.

3/07/2011

Mudar de vida

Em Dezembro de 2007 deixei aqui uma mensagem sobre mais uma interrupção abrupta dos meus planos de pôr em prática a permacultura. A minha horta de varanda no Porto foi interrompida ao fim de apenas 2 meses de vida, porque tive que me mudar.
Fui viver para Lisboa com o meu companheiro, onde tentei reiniciar uma  nova horta de varanda, mas o resultado foi sempre tão deprimente que nem me dei ao trabalho de partilhá-lo aqui. De momento tenho três vasos com ervas daninhas, uma sardinheira, um feijão-verde e alguns coentros. E acho que este é o ponto máximo de produção que já consegui aqui ter. Por desleixo, falta de motivação, uso alternativo do espaço... No fundo não quero dedicar-me muito a reverdescer a varanda, sabendo de antemão que mais uma vez estou apenas de passagem por esta casa.
Desde que aqui chegámos que estamos a planear a nossa próxima mudança. Desta vez pretendemos dar o grande salto e viver no campo. Mas como quaisquer outros jovens que não herdaram terra da família, nem têm dinheiro para comprar terra, dar este salto é não só uma grande aventura, como também uma enorme dor de cabeça.
Por um lado gostaríamos de nos afastar da capital e encontrar um sítio sossegado, com muita terra e  preço baixo e contribuir para a repovoação do interior.Por outro lado não queremos estar longe da família, dos amigos e do emprego actual que convém manter perante a incerteza do sucesso ou insucesso inicial do projecto agrícola.
Admiramos os jovens que deixam os seus empregos confortáveis e bem pagos e se atiram de cabeça a recuperar uma ruína em Trás-os-Montes com as suas próprias mãos, aonde vão viver do que a terra dá, por vezes sem água nem electricidade. Mas nós somos um pouco mais cobardes e menos confiantes e receamos dar esse salto sem rede de segurança. Apesar de tudo sentimos a urgência de dar o salto.
O mundo a que estamos habituados a viver está a desmoronar-se mais rapidamente do que alguma vez julgámos possível. O estado já não nos garante protecção nem segurança nem apoio como há apenas alguns anos parecia garantido. O plano poupança reforma com mais futuro é a compra de terra com água e o trilhar o caminho da auto-suficiência. Antes as pessoas eram pobres, mas no geral não passavam fome. Produziam a sua comida e sabiam construir e produzir os bens essenciais de que necessitavam., além de que contavam com o apoio da comunidade e do seu sistema de trocas de bens e serviços. Eram pobres mas não eram miseráveis. Hoje e no futuro, quem viva nas cidades dependente do sistema económico vigente, sem conhecer os princípios básicos da sua sobrevivência, correrá o risco de se tornar miserável se de repente o estado social e mesmo os sistemas de apoio privados colapsarem por completo ou se tornarem impossíveis de sustentar. Felizmente cada vez mais gente, e especialmente os jovens, estão a aperceber-se disso e a tentar inverter a situação voltando às origens, ao mundo rural, a uma vida mais sustentável e sustentada. Por que sei que há um grande interesse por parte desses jovens em saber como os outros deram esse salto, irei tentar partilhar aqui as minhas experiências da minha tentativa (esperemos que bem sucedida) de mudar de vida.

9/03/2008

Verde Eufémia II

Curiosamente, parece-me que desta vez o meu paizinho, que geralmente não atina com as subtilezas do meu discurso, foi quem melhor percebeu a ambiguidade que eu queria transmitir no post anterior.
Apesar disso, talvez eu não tenha sido clara o suficiente, considerando os comentários recebidos, por isso aqui fica uma continuação.
Eu também acredito que a violência só deve vir em último recurso ou mesmo em nenhum recurso, e que destruir algo é de facto uma forma de violência, mais que não seja porque gera ódio e agressividade perpetuando a incompreensão e a intolerância.
Se eu tivesse sido convidada para a acção eu teria dito que não e teria feito tudo ao meu alcance para demover os activistas de a levarem para a frente. Também eu argumentaria que há outras armas a usar antes dessa, que só iriam prejudicar a causa e a imagem dos activistas, enfim, os argumentos que vocês tão bem me apresentaram.
Mas eles diriam que já fizeram tudo o que um punhado de pessoas sem poder pode fazer e que após anos de luta infrutífera e incapacidade de despertar as pessoas da sua ignorância sobre o assunto, sentiam que não havia mais nada a fazer senão um acto "simbólico" de oposição a uma agressão gigantesca contra a humanidade e o planeta que decorre há uma década. E eu sinceramente ficaria sem força de argumentos.
Mas não tive que passar por isso, apenas fui informada do caso uma vez o mal feito.
Para mim o mais bizarro foi ver a onda de solidariedade que se gerou a nível europeu pelo Verde Eufémia enquanto que em Portugal foram outros ecologistas quem mais bateu no ceguinho, em vez de usarem a oportunidade para fazerem um discurso construtivo.
Decididamente não apoio que voltem a destruir-se campos (embora vontadinha não me falte), mas sabendo por dentro o quão injusta é esta luta e a gravidade daquilo que se passa no campo, achei que estes activistas mereciam no mínimo a minha solidariedade por terem ousado opôr-se ao Golias que nos pisa todos os dias. É só isso. Quem sentir o mesmo assina, quem não sentir passa à frente.

8/28/2008

Verde Eufémia

Devido à educação que me deram, estou totalmente condicionada a ficar quietinha no meu cantinho, a fazer coisas que não incomodem ninguém, a não dar nas vistas, a sentir-me embaraçada se ferir susceptibilidades a alguém e por isso nem mesmo gosto de participar em manifestações pacíficas quanto mais aderir a acções mais fortes contra os poderes instalados.
No entanto tenho perfeita noção das manigâncias que se passam no mundo, que muitos classificariam de devaneios de activistas radicais conspiracionistas, mas que são reais e bem documentadas.
Por isso admiro aqueles que têm a coragem de sair do sofá e ir para a rua manifestar-se, protestar, exigir, defender direitos e liberdades e que não receiam ser presos, julgados, marginalizados e, infelizmente ainda em muitos casos pelo mundo fora, torturados e mortos. São os meus heróis e tenho-lhes o maior respeito e devoção por lutarem por todos nós, mesmo por aqueles que lhes fazem mal.
O ano passado quando se deu o caso Verde Eufémia eu estava lá pelos lados de Bruxelas e não assisti às torrentes de veneno que foram distiladas contra os activistas que fizeram a acção, mas quando soube do sucedido fiquei surpreendedida com as reacções completamente descabidas dos portugueses. Diz-se que somos um povo de brandos costumes, mas eu acho que já passámos dessa fase para passarmos a ser simplesmente uns cobardolas. Temos horror absoluto de quem ousa quebrar as convenções e deus nos livre de coisas como "desobediência civil"! Valha-nos mas é Santo Salazar para meter na ordem estes jovens drogados que não querem mas é trabalhar!
Aqui fica um video elucidativo sobre a famosa acção de Silves e o desejo de que um dia não seja mais preciso que as pessoas tomem este tipo de atitudes, pois quem estiver no poder estará lá para garantir as nossas liberdades e direitos e não para servir interesses obscuros e encher os bolsos à grande.
Podem também assinar a petição de solidariedade com o Movimento Verde Eufémia e visitar o seu site.


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