5/24/2012

Andorinha Primavera

Ao sair de casa, a minha mãe encontrou uma andorinha moribunda, literalmente a ser devorada por insectos. Percebeu que a coitadita ainda mexia, pegou-lhe e removeu os bicharocos todos que a atormentavam. Quando a trouxe para casa, estava tão chochita que não acreditávamos que pudesse recuperar. Apenas esperávamos poder dar-lhe algum conforto.

Coloquei-a numa cesta de verga aconchegada por uma toalha. Dei-lhe água com uma seringa mas ela mal parecia sorver alguma coisa. Pesquisei na net sobre a o que dar de comer a uma andorinha resgatada. Algumas pessoas sugeriam papa de pão com leite se fosse uma cria, mas isso pareceu-me inadequado a um animal insectívoro. Encontrei então uma sugestão de fazer uma papa com ração seca de gato, especialmente uma que fosse à base de carne e não de cereais. Inicialmente dei-lhe a papa muito diluída através da seringa, porque ela continuava a não querer comer. 
Dei-lhe muito quentinho e carinho, mantendo-a grande parte do tempo enroladinha num pano de encontro ao peito. Se há coisa que aprendi ao tomar conta de muitos animais doentes, foi que acima de tudo eles precisam de estar em contacto connosco. Diz-se sempre que se devem deixar os pássaros num local escuro, silencioso e sem interacção, mas eu descobri que aquilo que lhes posso dar melhor que comida e água, é a minha energia. Muitos animais que eu sei que teriam morrido mesmo com os melhores cuidados médicos, só se safaram porque lhes dediquei essa atenção carinhosa. 
Mesmo sem comer grande coisa, a andorinhita arrebitou muito durante a primeira tarde. Como receei que morresse durante a noite, fui vê-la de 2 em 2 horas, mas ela ferrou no sono e não acordou toda a noite. Dormiu muito melhor que eu.
No segundo dia já mostrou mais interesse na comida e já começava a dar às asas. Percebi então que tinha uma das asas magoada e que não conseguia voar. Quando ela própria percebeu essa situação, rendeu-se aos meus cuidados e durante alguns dias ficou perto de mim enquanto eu trabalhava, pedindo-me comida e água de hora a hora.

 

Entretanto comprei numa loja para animais uma ração mais apropriada, para aves insectívoras. Instalei diversas armadilhas para moscas nas janelas e varandas da minha casa, mas durante dias, nem uma lá caiu e a pobrezita teve que continuar a comer papa.
Cada vez que ela se sentia com mais coragem, indicava-me que estava pronta para dar às asas e eu deixava-a esvoaçar pela sala. A recuperação foi lenta. Demorou cerca de 2 semanas e meia até a andorinha começar a voar perto da sua melhor forma. Mas entretanto começou a ter diarreia de estar à tanto tempo numa dieta que lhe era pouco natural.
Consegui reverter isso rapidamente dando-lhe alguns bichos que encontrava esmagados num passadiço junto ao rio onde inúmeros bichos-da-conta e outros insectos são acidentalmente esborrachados pelos transeuntes. 
Um dia ou dois depois, totalmente recuperada da diarreia e a voar aparentemente sem problemas, começou a dar sinais de impaciência, indicando-me que queria ir embora. Eu queria dar-lhe a liberdade, mas já me custava deixá-la ir. Afeiçoei-me muito à pequenita. Passou muito tempo ao meu colo, ou aninhada nos meus ombros e cabeça. Subia para o meu dedo e passeava comigo pela casa. Deixava que lhe fizesse festas e lhe desse beijinhos e fazia um ar muito doce, derretidinha com os mimos.
Mas se não a libertasse, tudo isto teria sido em vão.
Com ela empoleirada no dedo, levei-a até à marquise e abri a janela. Olhou para mim desconfiada como quem dizia "É mesmo a sério? Posso ir embora?". Ri-me e disse-lhe "Vai, és livre de ir para casa." Ela deu uma volta na marquise em jeito de despedida e lançou-se janela fora. No exterior deu umas quantas piruetas de alegria por poder voltar a voar na vastidão do céu e depois juntou-se a um bando de andorinhas que nidificam no prédio do lado. Ainda a segui com o olhar durante um tempo, mas depois perdi-a no meio das outras, mas percebi que tinha voltado a casa e fiquei feliz.
Passados dias, comecei a desconfiar que ela me estava a visitar, ao notar uma certa andorinha a passar todos os dias a rasar a janela da marquise. O "chirp-chirp" dela é-me muito familiar e mesmo que eu esteja dentro de casa distraída com alguma coisa, se ouvir aquele "chirp-chirp" no meio de tantos outros, levanto logo a cabeça e sinto que é ela.
Uma destas manhãs acordei com uma canção maravilhosa no parapeito da janela do meu quarto. Até os meus gatos estavam em polvorosa, como se reconhecessem aquele canto. Então vimos que era a nossa andorinhita que nos tinha vindo visitar. No dia seguinte a mesma coisa e ficou durante bastante tempo ali a cantar. Agora deixo-lhe sempre no parapeito um pequeno recipiente de água e outro de comida (caso queira um suplemento ou sobremesa), mas ela não tem dias certos para vir. Deve ser quando lhe dá jeito lá na sua agenda :)

5/06/2012

Leite de aveia cru

Há muitos anos que deixei de consumir lacticíneos e em concreto de beber leite de vaca. Depois de ter deixado de beber o leite materno, biologicamente nunca  mais deveria ter bebido leite e muito menos leite que é naturalmente destinado a bezerros. No entanto - questão  cultural - cresci a beber leite de vaca e ficou-me o hábito de colocar qualquer bebida esbranquiçada no café ou a acompanhar os cereais. Quando decidi deixar os lactcíneos, decidi então virar-me para os leites vegetais.

[Antes que algum purista argumente que leite é só o dos mamíferos, lembro que de acordo com diversos dicionários, qualquer substância leitosa pode ser chamada de leite. Ou também acham que se deve proibir de se chamar leite corporal aos hidratantes ou leite de magnésia ao antiácido? A campanha "anti leite vegetal" foi lançada pelo lobby dos lacticíneos, num esforço para diferenciar as ""bebidas vegetais" do "leite". Embora discorde do argumento linguístico, curiosamente considero que têm razão num ponto: realmente estas bebidas não são comparáveis. Os leites vegetais são bem mais saudáveis!]

Um litro de qualquer leite vegetal é geralmente bem mais caro que um litro de leite de vaca, com excepção actual do leite de soja, que já tem um preço muito mais acessível graças à vulgarização do seu consumo. Por isso, há alguns anos que compro pacotes de leite de soja. Mas para alguém sempre crítico como eu, este consumo levanta-me diversas questões.


Antes de mais, a não ser que o leite seja biológico (logo, mais caro), nunca tenho a certeza absoluta de que a soja utilizada não seja parcialmente transgénica. Na Europa, como os alimentos transgénicos têm de ser rotulados, as empresas optam por não os vender directamente ao consumidor, que os rejeita (vão antes para as rações animais), mas a contaminação acontece e a fiscalização é esporádica, por isso corre-se sempre algum risco no consumo de soja. 

Em seguida, preocupa-me a quantidade de pacotes tetrapak que semanalmente separo para reciclagem e ainda algumas questões por estar tão dependente diariamente de um produto tão "fabricado" ou processado, algo que eu procuro cada vez mais eliminar da minha dieta.

Para garantir que o meu leite de soja não era transgénico, mas também numa tentativa de poupar dinheiro, cheguei a investir numa máquina com a qual fazia leite de soja em casa a partir de grão de soja biológica. Mantive essa rotina durante cerca de um ano, até que uma borracha isolante da máquina se rompeu e ninguém foi capaz de a reparar, ficando a máquina inutilizada. Acho que nunca cheguei a amortizar o valor investido e por isso não senti qualquer motivação para comprar outra máquina. Voltei ao leite de soja convencional de pacote. Até agora.

Decidi tentar fazer o meu próprio leite novamente, sem máquinas especiais e sem complicações. Pesquisei as alternativas e optei por experimentar fazer leite de aveia cru. Razões: facilidade, economia, rapidez, nutrição! 
 
Mais à frente pretendo tentar fazer leite de arroz, amêndoas e nozes, mas para já o de aveia pareceu-me ser o mais adequado e simples.
Guiei-me, grosso modo, por diversas receitas encontradas online, mas na prática fiz tudo um bocado a olho, seguindo o meu instinto em termos de quantidades e foram estas as conclusões a que cheguei. Para 1 litro de leite, basta demolhar cerca de 100 gr de aveia durante 1 a 2 horas (mas também pode ficar de molho da noite para o dia), triturá-la com uma varinha mágica, filtrar o líquido, ajustar o volume de água até perfazer um litro e armazenar! Não é preciso sequer cozer a aveia, poupando-se energia, tempo e preservando mais dos seus nutrientes.



Há quem não goste do sabor "cru" deste leite e não abdique por isso de cozer a aveia, mas eu adaptei-me perfeitamente bem ao sabor e quando quero que fique mais guloso, contento-me em adicionar-lhe uma colher de mel. 
Com o resto sólido da aveia, faço pequenas sobremesas, misturando fruta, passas, canela, mel ou o que quer que a imaginação dite no momento. 


Em termos de poupança monetária, estes são os resultados dos meus cálculos (não incluindo o custo da água e da energia utilizada, considerado minúsculo).





4/24/2012

Dispensadores de sacos feitos com calças velhas

Este pequeno projecto já o fiz há mais de um ano, mas lembrei-me de o partilhar agora.
Uma vez que costumo levar os meus próprios sacos às compras, não sei como isto sucede, mas tenho sempre imensos sacos de plástico em casa. Dava-me jeito um dispensador de sacos, mas não queria cair no erro de comprar um de plástico, contribuindo ainda mais para a presença deste material no planeta.

Quando umas calças de um pijama de algodão se rasgaram, tive a ideia de fazer dispensadores de sacos com as pernas do dito cujo. Ficaram um bocado grandes, mas na verdade dá imenso jeito que assim sejam.

Deveria postar um guia passo a passo, com fotos bonitas e tal, mas ainda não cheguei a esse nível de refinamento. Além disso, quando há um ano fiz este "projecto", não tinha ideia nenhuma de vir a postá-lo no blog. 

Na foto, um dos dispensadores em acção. Sim, é mesmo grande!


Sumariamente, foram estes os passos deste projecto: 
1 - separei (cortei) as pernas da cintura elástica das calças
2 - separei as pernas uma da outra
3 - ajustei o tamanho de cada perna à altura pretandida
4 - cortei ao meio o elástico da cintura e usei as duas partes para fazer novas "cinturas" nas entradas (topo) de cada dispensador 
5 - usei o cordão que apertava as calças na cintura, para fazer aberturas reguláveis nas saídas (fundo) de cada dispensador 
7 - os dois buracos por onde passava o cordão da cintura original, ficaram localizados convenientemente nas entradas de cada dispensador e serviram na perfeição como ponto de fixação ao porta-panos de parede 

4/19/2012

Higiene oral natural

É impressionante a quantidade de químicos irritantes, cancerígenos e disruptores endócrinos que colocamos voluntariamente no nosso corpo diariamente. Cada vez que vamos comprar uma pasta de dentes, um champô, um óleo de banho, estamos a pagar para que nos envenenem. Depois surpreendemo-nos pela nossa fraca saúde.

Consciente da toxicidade dos produtos cosméticos, há anos que procuro comprar produtos o menos mauzinhos possível, mas nem sempre me mantenho fiel a isso. Mesmo quando consigo resistir à tentação de experimentar o novo champô da marca xyz, que promete revolucionar o meu mundo e espero pelo dia em que passarei no Celeiro para comprar algo mais "natural", acabo sempre desiludida pelo facto de que todos os champôs e, na verdade, todos os produtos cosméticos comercializados, por mais naturais que sejam, por mais ingredientes de origem vegetal que contenham, conterem sempre alguns químicos de síntese altamente suspeitos na sua composição. Há ainda a considerar que a sua produção industrial é sempre causadora de um impacto ambiental não negligenciável, no qual não queremos sequer pensar, dada a conveniência do "pronto a usar". 

Na senda de uma transição para um estilo de vida com um impacto mais reduzido, mais económico e frugal e também mais saudável, decidi progressivamente aprender a utilizar produtos alternativos aos cosméticos comercializados. E comecei precisamente pela pasta de dentes. 
Já usei dentífricos à base de argila e de plantas. Havia um do Celeiro com aroma de anis que era um prazer usar, mas... eram todos ou ainda demasiado químicos ou, simplesmente, demasiado caros! Experimentei um dentífrico japonês em pó, que consistia de beringela torrada e sal, mas também não era propriamente barato e, não raras vezes, deixava-me partículas pretas entre os dentes, o que era um bocado contraproducente. Decidi por isso procurar receitas de dentífricos caseiros e descobri que podemos usar simples bicarbonato de sódio para escovar os dentes. Excelente!

A minha nova rotina de higiene oral!

Mais eficaz será uma mistura de bicarbonato de sódio com cloreto de sódio (vulgo sal de cozinha), numa proporção de 1 para 4, pois o sal, ligeiramente mais abrasivo, ajuda a remover as impurezas dos dentes, além de coadjuvar o bicarbonato como bactericida. Quem faz questão de ter um dentífrico em pasta e não em pó, pode simplesmente adicionar 3 ou 4 colheres de chá de glicerina a 1 copo deste pó, misturar bem, et voilá! Em ambos os casos, pó ou pasta, pode-se ainda adicionar umas gotinhas de óleo essencial de menta, anis, limão, ou outro que se goste e que não seja tóxico para as mucosas, para um toque aromático que torne a escovagem ainda mais agradável. 

Como complemento a este dentífrico natural, um elixir bucal à base de água oxigenada diluída em água na proporção de 1 para 10, ajuda a manter os dentes mais brancos e a boca mais desinfectada. O ideal será bochechar antes da escovagem ou mergulhar a escova no elixir antes de usar o pó ou a pasta, pois a acção combinada dos elementos tem um efeito sinergístico e diz-se que deixa os dentes ainda mais brancos (sem no entanto destruir a camada de esmalte necessária à saúde dos nossos dentes). 

Fiz uma pequena comparação de custos, com base nos preços de dentífricos e elixires à venda num hipermercado e dos ingredientes alternativos à venda no mesmo espaço, tendo em conta as diferenças de preço entre os mais baratos e os mais caros. Não garanto a correcção absoluta dos cálculos e convido-vos a fazerem-nos vós mesmos, mas pretendi ter em conta uma aproximação em termos de quantidades dos produtos comercializados prontos a usar e as suas contrapartes fabricadas em casa (pós mistura e/ou diluição dos ingredientes) e penso que os valores são indicativos daquilo que se pode poupar com esta mudança de hábitos.
 

4/10/2012

Transição

Quem me conhece sabe que eu sou extremamente atenta aos meus hábitos de consumo e que procuro sempre fazer as escolhas com menor impacto ambiental. Mas ninguém é de ferro e cheguei a uma altura em que, parecendo humanamente impossível ir mais além, dei por mim a pensar "mas porque raio hei-de eu esgotar-me com tanto esforço, se eu sozinha não posso "salvar o mundo" e os outros em redor parecem não querer saber de fazer a sua parte?".

Não deixei de fazer o que já era meu hábito, mas não tive coragem de ir mais além. Esse "mais além" seria passar a fazer os meus próprios cosméticos e produtos de limpeza caseiros em vez de comprar versões "amigas do ambiente" nas lojas. Era gradualmente comprar alimentos directamente a pequenos agricultores em vez de ir procurar biológico e português ao supermercado. Era procurar aprender artes e ofícios que me permitissem ser mais auto-suficiente.


O plano sempre esteve na minha mente, mas cansada da dedicação que isso exigia e das constantes mudanças na minha vida que me impediam de desenvolver uma rotina, decidi adiar isso para quando um dia tivesse a minha vida mais "arrumada" e, idealmente, uma casinha no campo.
Mas com a crise económica que grassa por este país - fruto do "capitaclismo" que foi sendo varrido para debaixo do tapete na esperança de ninguém desse por isso - a moda da poupança e da auto-suficiência anda por aí à solta. Os grupos de trocas de bens e serviços multiplicam-se. Os blogs com dicas para uma vida mais auto-suficiente e artesanal crescem como cogumelos. O movimento de transição e permacultura deixou de ser coisa de hippies e começou a sair à rua. E eu comecei a sentir que fazia menos para reduzir a minha pegada ecológica que a tiazinha da esquina que descobriu que fazer carteirinhas com pacotes tetrapak está muito in.
Decidi por isso ganhar novo fôlego e retomar a minha caminhada para uma vida pós-carbono. Estou oficialmente em Transição.

9/20/2011

Mar de plástico


Não sou santa. Não compro tudo ecológico, biológico e local. Acabo sempre por fazer algumas compras em grandes superfícies. 
Desde que algumas destas superfícies oferecem a opção de fazermos as compras online e eles entregarem-nas ao domicílio, que me interrogava se seria uma opção sensata e um pouqito mais ecológica. Se em vez de cada indivíduo se deslocar ao hipermercado, uma carrinha distribuir as compras por diversas moradas, poupa-se no consumo de combustíveis. Além disso não temos que perder tempo naquele ambiente deprimente que é um hipermercado e usá-lo a fazer coisas bem mais úteis, como ir à frutaria do velhote da esquina aviar de courgettes ainda cheias de terra.

Quando há tempos o Continente fez uma promoção em que oferecia um desconto de 10 EUR nas compras online com entrega gratuita ao domicílio, decidi que tinha chegado o momento de testar o serviço. 
Tudo correu muito bem, até me ligaram a perguntar se queria alternativa aos produtos que não tinham já em stock e fizeram o belo do desconto. Até que as compras chegaram... Parecia que além da minha encomenda, me tinham trazido mais umas dezenas de coisas que eu não tinha pedido, tal era o número de sacos que deixaram na minha cozinha. Cada produto tinha praticamente "direito" ao seu próprio saco de plástico!
Para uma compra no valor de cerca de 100 EUR, o equivalente a uma ou duas semanas de comida e uns quantos utensílios domèsticos, fiquei a flutuar num mar de plástico no meio da cozinha. 


Ao todo, contei perto de 25 sacos! Em comparação, a mesma quantidade de compras costuma-me caber em 3 sacos grandes reutilizáveis.
Não consegui perceber porquê. Se entregam ao domicílio, porque não trazem as compras dentro de caixotes de cartão, por exemplo? Não eram mais simples de empilhar na carrinha e tudo? Acontece que as compras vêm de facto em caixas, mas as caixas ficam na carrinha e para a nossa mão passam uma avalanche de sacos de plástico.
Não compreendo este desperdício disparatado e decidi reclamar ao Continente.

3/29/2011

Obstáculos à mudança

Há cerca de 3-4 meses que começámos a busca daquela que esperamos venha a ser a nossa casa. no campo Primeiro procurámos terrenos pequenos com casas modestas dentro de uma área a cerca de 1 hora de Lisboa. Os preços são exorbitantes, mas depois de muita procura encontrámos finalmente o que parecia um sonho tornado realidade. Terreno e água com fartura e uma casa modesta mas com muito potencial ,a menos de 1 hora de Lisboa, por um preço muito abaixo do seu valor real. Mas o dono adoeceu, hesitou, o processo ficou empatado. Durante semanas não quis sequer pensar em procurar outra coisa - já sabia que não iria encontrar nada tão bom e tão barato como esta, na zona de Lisboa.
Então depois de mais umas quantas visitas infrutíferas a terrenos, surge uma outra oportunidade, desta vez bem longe de Lisboa, mas com um preço irresistível e um potencial agrícola e turístico fabuloso. Começámos logo a fazer planos mais ousados de criação de um turismo rural como complemento ao projecto agrícola que tínhamos em mente. Apesar de ser o mesmo preço da casa perto de Lisboa, tem três vezes a área de terreno e uma casa três vezes maior. Decidimos que estávamos dispostos a lançar-nos de cabeça. Então surge novo obstáculo. O banco só empresta dinheiro para a casa e como o terreno é imenso, falta mais ou menos a mesma quantia para poder cobrir o valor total da propriedade. 
Não queria desistir, pelo que procurei informar-me sobre apoios à criação de emprego ou criação de empresa de turismo rural. De facto existem apoios para isso, mas só depois de se ter a terra, porque o dinheiro só pode ser investido na recuperação da casa, mas não na compra do terreno. Os bancos também têm linhas de crédito para negócios deste tipo, mas só emprestam a quem já tiver um percurso empresarial de sucesso. Ou seja, a pescadinha de rabo na boca do costume: o estado e os bancos só emprestam ou dão dinheiro, a quem já o tem! Quem não tem, chucha no dedo e fica a ver navios. 
Dizem que há muitas oportunidades por aí para quem queira criar o seu negócio, mas eu há anos que as procuro e investigo e na hora de avançar fico sempre apeada, porque exigem-me sempre ter já milhares ou dezenas de milhares de euros para investir do meu bolso.
Depois destes reveses ficámos um pouco desanimados sem saber que passo dar a seguir. Mas há-de surgir uma luz ao fundo do túnel.

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