3/29/2011

Obstáculos à mudança

Há cerca de 3-4 meses que começámos a busca daquela que esperamos venha a ser a nossa casa. no campo Primeiro procurámos terrenos pequenos com casas modestas dentro de uma área a cerca de 1 hora de Lisboa. Os preços são exorbitantes, mas depois de muita procura encontrámos finalmente o que parecia um sonho tornado realidade. Terreno e água com fartura e uma casa modesta mas com muito potencial ,a menos de 1 hora de Lisboa, por um preço muito abaixo do seu valor real. Mas o dono adoeceu, hesitou, o processo ficou empatado. Durante semanas não quis sequer pensar em procurar outra coisa - já sabia que não iria encontrar nada tão bom e tão barato como esta, na zona de Lisboa.
Então depois de mais umas quantas visitas infrutíferas a terrenos, surge uma outra oportunidade, desta vez bem longe de Lisboa, mas com um preço irresistível e um potencial agrícola e turístico fabuloso. Começámos logo a fazer planos mais ousados de criação de um turismo rural como complemento ao projecto agrícola que tínhamos em mente. Apesar de ser o mesmo preço da casa perto de Lisboa, tem três vezes a área de terreno e uma casa três vezes maior. Decidimos que estávamos dispostos a lançar-nos de cabeça. Então surge novo obstáculo. O banco só empresta dinheiro para a casa e como o terreno é imenso, falta mais ou menos a mesma quantia para poder cobrir o valor total da propriedade. 
Não queria desistir, pelo que procurei informar-me sobre apoios à criação de emprego ou criação de empresa de turismo rural. De facto existem apoios para isso, mas só depois de se ter a terra, porque o dinheiro só pode ser investido na recuperação da casa, mas não na compra do terreno. Os bancos também têm linhas de crédito para negócios deste tipo, mas só emprestam a quem já tiver um percurso empresarial de sucesso. Ou seja, a pescadinha de rabo na boca do costume: o estado e os bancos só emprestam ou dão dinheiro, a quem já o tem! Quem não tem, chucha no dedo e fica a ver navios. 
Dizem que há muitas oportunidades por aí para quem queira criar o seu negócio, mas eu há anos que as procuro e investigo e na hora de avançar fico sempre apeada, porque exigem-me sempre ter já milhares ou dezenas de milhares de euros para investir do meu bolso.
Depois destes reveses ficámos um pouco desanimados sem saber que passo dar a seguir. Mas há-de surgir uma luz ao fundo do túnel.

3/07/2011

Mudar de vida

Em Dezembro de 2007 deixei aqui uma mensagem sobre mais uma interrupção abrupta dos meus planos de pôr em prática a permacultura. A minha horta de varanda no Porto foi interrompida ao fim de apenas 2 meses de vida, porque tive que me mudar.
Fui viver para Lisboa com o meu companheiro, onde tentei reiniciar uma  nova horta de varanda, mas o resultado foi sempre tão deprimente que nem me dei ao trabalho de partilhá-lo aqui. De momento tenho três vasos com ervas daninhas, uma sardinheira, um feijão-verde e alguns coentros. E acho que este é o ponto máximo de produção que já consegui aqui ter. Por desleixo, falta de motivação, uso alternativo do espaço... No fundo não quero dedicar-me muito a reverdescer a varanda, sabendo de antemão que mais uma vez estou apenas de passagem por esta casa.
Desde que aqui chegámos que estamos a planear a nossa próxima mudança. Desta vez pretendemos dar o grande salto e viver no campo. Mas como quaisquer outros jovens que não herdaram terra da família, nem têm dinheiro para comprar terra, dar este salto é não só uma grande aventura, como também uma enorme dor de cabeça.
Por um lado gostaríamos de nos afastar da capital e encontrar um sítio sossegado, com muita terra e  preço baixo e contribuir para a repovoação do interior.Por outro lado não queremos estar longe da família, dos amigos e do emprego actual que convém manter perante a incerteza do sucesso ou insucesso inicial do projecto agrícola.
Admiramos os jovens que deixam os seus empregos confortáveis e bem pagos e se atiram de cabeça a recuperar uma ruína em Trás-os-Montes com as suas próprias mãos, aonde vão viver do que a terra dá, por vezes sem água nem electricidade. Mas nós somos um pouco mais cobardes e menos confiantes e receamos dar esse salto sem rede de segurança. Apesar de tudo sentimos a urgência de dar o salto.
O mundo a que estamos habituados a viver está a desmoronar-se mais rapidamente do que alguma vez julgámos possível. O estado já não nos garante protecção nem segurança nem apoio como há apenas alguns anos parecia garantido. O plano poupança reforma com mais futuro é a compra de terra com água e o trilhar o caminho da auto-suficiência. Antes as pessoas eram pobres, mas no geral não passavam fome. Produziam a sua comida e sabiam construir e produzir os bens essenciais de que necessitavam., além de que contavam com o apoio da comunidade e do seu sistema de trocas de bens e serviços. Eram pobres mas não eram miseráveis. Hoje e no futuro, quem viva nas cidades dependente do sistema económico vigente, sem conhecer os princípios básicos da sua sobrevivência, correrá o risco de se tornar miserável se de repente o estado social e mesmo os sistemas de apoio privados colapsarem por completo ou se tornarem impossíveis de sustentar. Felizmente cada vez mais gente, e especialmente os jovens, estão a aperceber-se disso e a tentar inverter a situação voltando às origens, ao mundo rural, a uma vida mais sustentável e sustentada. Por que sei que há um grande interesse por parte desses jovens em saber como os outros deram esse salto, irei tentar partilhar aqui as minhas experiências da minha tentativa (esperemos que bem sucedida) de mudar de vida.

9/03/2008

Verde Eufémia II

Curiosamente, parece-me que desta vez o meu paizinho, que geralmente não atina com as subtilezas do meu discurso, foi quem melhor percebeu a ambiguidade que eu queria transmitir no post anterior.
Apesar disso, talvez eu não tenha sido clara o suficiente, considerando os comentários recebidos, por isso aqui fica uma continuação.
Eu também acredito que a violência só deve vir em último recurso ou mesmo em nenhum recurso, e que destruir algo é de facto uma forma de violência, mais que não seja porque gera ódio e agressividade perpetuando a incompreensão e a intolerância.
Se eu tivesse sido convidada para a acção eu teria dito que não e teria feito tudo ao meu alcance para demover os activistas de a levarem para a frente. Também eu argumentaria que há outras armas a usar antes dessa, que só iriam prejudicar a causa e a imagem dos activistas, enfim, os argumentos que vocês tão bem me apresentaram.
Mas eles diriam que já fizeram tudo o que um punhado de pessoas sem poder pode fazer e que após anos de luta infrutífera e incapacidade de despertar as pessoas da sua ignorância sobre o assunto, sentiam que não havia mais nada a fazer senão um acto "simbólico" de oposição a uma agressão gigantesca contra a humanidade e o planeta que decorre há uma década. E eu sinceramente ficaria sem força de argumentos.
Mas não tive que passar por isso, apenas fui informada do caso uma vez o mal feito.
Para mim o mais bizarro foi ver a onda de solidariedade que se gerou a nível europeu pelo Verde Eufémia enquanto que em Portugal foram outros ecologistas quem mais bateu no ceguinho, em vez de usarem a oportunidade para fazerem um discurso construtivo.
Decididamente não apoio que voltem a destruir-se campos (embora vontadinha não me falte), mas sabendo por dentro o quão injusta é esta luta e a gravidade daquilo que se passa no campo, achei que estes activistas mereciam no mínimo a minha solidariedade por terem ousado opôr-se ao Golias que nos pisa todos os dias. É só isso. Quem sentir o mesmo assina, quem não sentir passa à frente.

8/28/2008

Verde Eufémia

Devido à educação que me deram, estou totalmente condicionada a ficar quietinha no meu cantinho, a fazer coisas que não incomodem ninguém, a não dar nas vistas, a sentir-me embaraçada se ferir susceptibilidades a alguém e por isso nem mesmo gosto de participar em manifestações pacíficas quanto mais aderir a acções mais fortes contra os poderes instalados.
No entanto tenho perfeita noção das manigâncias que se passam no mundo, que muitos classificariam de devaneios de activistas radicais conspiracionistas, mas que são reais e bem documentadas.
Por isso admiro aqueles que têm a coragem de sair do sofá e ir para a rua manifestar-se, protestar, exigir, defender direitos e liberdades e que não receiam ser presos, julgados, marginalizados e, infelizmente ainda em muitos casos pelo mundo fora, torturados e mortos. São os meus heróis e tenho-lhes o maior respeito e devoção por lutarem por todos nós, mesmo por aqueles que lhes fazem mal.
O ano passado quando se deu o caso Verde Eufémia eu estava lá pelos lados de Bruxelas e não assisti às torrentes de veneno que foram distiladas contra os activistas que fizeram a acção, mas quando soube do sucedido fiquei surpreendedida com as reacções completamente descabidas dos portugueses. Diz-se que somos um povo de brandos costumes, mas eu acho que já passámos dessa fase para passarmos a ser simplesmente uns cobardolas. Temos horror absoluto de quem ousa quebrar as convenções e deus nos livre de coisas como "desobediência civil"! Valha-nos mas é Santo Salazar para meter na ordem estes jovens drogados que não querem mas é trabalhar!
Aqui fica um video elucidativo sobre a famosa acção de Silves e o desejo de que um dia não seja mais preciso que as pessoas tomem este tipo de atitudes, pois quem estiver no poder estará lá para garantir as nossas liberdades e direitos e não para servir interesses obscuros e encher os bolsos à grande.
Podem também assinar a petição de solidariedade com o Movimento Verde Eufémia e visitar o seu site.


4/23/2008

Publicidade Não!

Há tempos recebi um email com uma sugestão engraçada sobre o que fazer com a publicidade recebida na caixa de correio. O email incentivava a que usássemos os envelopes RSF que tantas vezes acompanham os mailings publicitários, para enviarmos a publicidade dumas empresas de volta para outras.
Obviamente, eu adorei a ideia, mas tal como foi contra-argumentado numa série de fóruns e mailing-lists, apesar de divertida, essa proposta não é a melhor maneira de se acabar com a praga da publicidade.
Se querem combater a publicidade nas caixas de correio, antes de mais nada devem colocar na vossa caixa de correio um daqueles autocolantes amarelos que se pedem nos correios, dizendo "Publicidade, Não!".
Depois devem evitar ir atrás de todas as ofertas, concursos e promoções em que nos pedem os dados pessoais, pois é assim que passam a ser inundados por publicidade endereçada que consegue ser ainda mais irritante.
Finalmente, para se livrarem dessa publicidade, devem procurar as letras miudinhas que vêm algures nos folhetos publicitários, dizendo que se querem que os vossos dados sejam removidos da base de dados daquela empresa, devem enviar o vosso pedido para a morada tal. É uma grande seca, mas façam isso. Se puderem usem então os envelopes RSF para enviar esse pedido.
Mas eu acho bem mais piada gastar dinheiro num selo para enviar essa carta e usar os RSF para pôr em prática aquela genial sugestão de pub-terrorismo.
Comecei hoje mesmo. Recebi publicidade da General Motors - queriam impingir-me um automóvel novo - e eu peguei no RSF, que por acaso é um postalinho - e escrevi a letras garrafais vermelhas para pararem com a publicidade. Questionei-os sobre se não estavam satisfeitos com a poluição causada pelos automóveis que produzem, que ainda tinham que contribuir com mais um bocado enviando cartas com 5 folhas de papel brilhante e a cores para as pessoas impingindo os ditos bólides.
Duvido que a mensagem chegue a quem devia, mas hoje foi uma, amanhã serão milhares e aí talvez comecem a causar algum impacto.

12/24/2007

Impermanência

Como prometido, andei a coleccionar garrafas e garrafões e já estava a fazer vermicompostagem numa caixa de cartão há cerca de um mês. Mas a impermanência é rainha e fez das suas na minha vida. Arranjei novo emprego e mudei novamente de casa.
Tive que me livrar dos garrafões todos, das minhocas e até do primeiro saco de terra que já tinha em casa para o meu projecto de horta na varanda.
C'est la vie.
Acho que enquanto não tiver morada fixa, não posso voltar a fazer planos deste tipo. Perco tempo e acabo por não terminar nada.

11/14/2007

Planos para uma nova brincadeira verde

Decidi usar garrafões e garrafas de plástico como vasos. Vou pôr em prática a sugestão que o Anderson deixou num comentário aqui no blog e semear cenouras em garrafas de 1.5 lts (uma planta por cada), pois achei fascinante a ideia. Já comecei a arrebanhar garrafas na ESB e a cortar-lhes os gargalos.
A solquartocrescente questionou-me sobre o tamanho dos vasos que eu utilizo para as plantas. Bem, não tenho medidas concretas para dar, é preciso seguir um pouco a intuição consoante o tamanho que sabemos que as plantas podem atingir.
Eu cultivei milho num vaso bem grande, para aí com 1 metro de diâmetro e ele deu-se bem (cresceram uns 3 ou 4 pés), mas tenho noção de que é forçar um pouco a "convivencia" entre as plantas.
As cenouras que cultivei em vaso não chegaram a desenvolver raízes, porque o vaso era demasiado baixo e apesar de eu ter aproveitado a rama, desta vez vou tentar o método das garrafas para ver se obtenho melhores resultados.
Ah, também estou a pensar iniciar vermicompostagem numa caixa em casa, para ver se reciclo eficazmente os meus resíduos orgânicos :)
Agora só preciso de tempo para fazer tudo isto. E parece que cada vez tenho menos...

Número total de visualizações de página