6/03/2007

Plantas no escritório II

Ainda não tenho muito para dizer, apenas que o esverdeamento da varanda do meu escritório está no bom caminho. O meu patrão deu-me um limite de 200 euros para eu comprar vasos, plantas e terra, mas não contou que eu fosse comprar tudo em 2ª mão, usasse sementes que eu mesma recolhi ou troquei ou recebi de oferta e que no final não gastasse nem 50 euros - mais por causa da terra e de algumas plantas já crescidas que decidi comprar para termos algum verde que se visse de imediato.
Ainda não tirei fotografias, porque as plantas ainda estão a germinar, mas já fiz a minha primeira sopinha com rebentos de nabiças da varanda. Os meus colegas acabaram por aceitar que eu semeasse tomates, cenouras, nabiças, coentros, milho e girassol, mas não se sentem muito confiantes quanto a comê-los. Têm medo da contaminação pelos poluentes do ar da cidade. Mas pelo que sei, apesar de haver alguma contaminação, porque as plantas de facto absorvem poluentes do ar, a contaminação não é pior que a de plantas produzidas no campo, especialmente se forem de modo de produção convencional. Nesse caso a contaminação por pesticidas pode ser bem pior que a contaminação por poluentes na cidade. E há que ter em conta todos os benefícios da agricultura urbana que compensam largamente a poluição dos vegetais. É uma revolução por um mundo melhor e como tal merece toda a dedicação, mesmo que exija alguns sacrifícios, suportar algumas desvantagens. Quando coloco sementes na terra num vaso em 2ª mão que eu mesma pintei de amarelo, cor-de-rosa, verde ou azul, e as vejo germinar contra o cenário cinzento de betão e vidro em meu redor e buzinas de carros durante todo o dia, sinto que estou a transformar o mundo radicalmente, a desafiar os poderes instalados que nos querem arrastar para um mundo cinzento, deprimido e assustado, sem alma, sem destino, sem esperança. Isso vale muito mais que qualquer poluente que tenha contaminado as minhas nabiças.

4/13/2007

Plantas no escritório

Nunca mais aqui escrevi nada, porque pouco se passa que eu possa aqui contar. Desisti do meu plano de fazer compostagem na varanda/terraço do meu escritório. Pensei muito nisso e até descobri que a Comuna de Etterbeek (a freguesia onde se situa o escritório) paga metade do valor dum compostor doméstico a quem adquira um, mas concluí que a quantidade de resíduos orgânicos que se produzem no escritório são tão poucos que demoraria um ano a encher um pequeno caixote do lixo com eles.
Quanto ao plano de encher a varanda e o escritório de plantas foi adiado para o início da Primavera e muito alterado... O meu patrão concorda que devemos ter plantas, mas apenas uma ou duas no interior e poucas mais no exterior e a ideia de ter couves e nabos não lhe parece bem. Ele está demasiado preocupado com as aparências, quer que o escritório tenha um ar normal de escritório em Bruxelas. O que pensariam os convidados ilustres que por lá passam se vissem couves a crescer na varanda? Eu penso que achariam perfeitamente adequado, tendo em conta que estariam no escritório da Federação de Agricultura Biológica, mas o meu patrão tem pouco espaço mental para a imaginação, criatividade e ousadia. Um escritório é um escritório, tem que ser cinzento e geométrico, mesmo que esteja a trabalhar em prol duma visão do mundo que quebre as barreiras do convencional.
Mas penso que lá pelo meio das plantas puramente ornamentais conseguirei integrar algumas hortícolas que também têm valor ornamental. Para o interior do escritório consegui fazer uma lista de plantas que além de ornamentais também são muito eficazes a limpar o ar interior de poluentes. Já comprámos duas ou três e aos poucos penso que ainda iremos comprar mais.
Aqui ficam alguns links para informação sobre plantas de interior que limpam o ar:
http://www.care2.com/channels/solutions/home/392
http://www.zone10.com/tech/NASA/Fyh.htm
http://www.extension.umn.edu/yardandgarden/ygbriefs/h110indoorair.html
http://frugalliving.about.com/cs/cleaning/a/050404.htm
A minha colega Lena quer ajudar-me a povoar a varanda de verde e trocámos livros com ideias - ela emprestou-me um em alemão (pouco mais percebo que as imagens) e eu emprestei-lhe um em francês que comprei numa feira do livro e que é um regalo para os olhos. Nas próximas duas semanas iremos tentar aplicar as ideias dos livros e as minhas próprias ideias e depois conto como correu.

1/18/2007

Comida biológica

Não tenho muito para contar, porque não tenho tido tempo nem condições para me dedicar à permacultura ou à horticultura. Estou mais dedicada ao meu desenvolvimento pessoal e à minha aprendizagem noutros campos.
Por enquanto tudo o que posso dizer é que a minha experiência de consumo ecológico e biológico teve um resultado positivo. Consegui com o meu pouco dinheiro comprar apenas alimentos biológicos e produtos ecológicos. Tornei-me cliente habitual das lojas Bioshop e Shanti, onde compro semanalmente a minha comida, mas também dentríficos, shampôs, produtos de limpeza, papel higiénico, etc, sempre ecológicos. Estranhamente não notei grande diferença nos meus gastos ao fim do mês. Deve haver muitas razões para isso, começando pelo facto das diferenças de preço não serem assim tão significativas e acabando no facto de que quando nos tornamos consumidores conscientes além de consumirmos melhor passamos a consumir menos, o que acaba por equilibrar as finanças.
Continuo espantada com o consumo vestigial de frutas e hortícolas da maioria das pessoas. Comem abundantemente massa, arroz, batatas, pão com charcutaria e queijo e tudo o mais que que seja rico em calorias mas não em nutrientes, acompanhado por vezes de algum tipo de alimento vegetal em quantidades muito, muito reduzidas. Fruta é coisa que comem apenas de quando em quando.
A desculpa das pessoas nunca é que não gostam de vegetais, é sempre a de que são caros, o que me deixa ainda mais incrédula, pois não só eu consumo 10 vezes mais vegetais e fruta que a pessoa média, como agora só compro produtos biológicos e mesmo assim com o pouco dinheiro que tenho, consigo não passar fome e ainda ter dinheiro para viajar, sair com os amigos, ir ao cinema, etc.
Antes achava que havia razão nesse argumento, mas agora sei que excepto para quem é verdadeiramente muito pobre, a desculpa do dinheiro é muito esfarrapada e uma escapatória fácil a ter que se reflectir sobre o que se come.

11/03/2006

Vida simples

Como disse, consigo ter uma pegada ecológica muito menor aqui em Bruxelas do que quando vivia em Portugal. Por várias razões, algumas delas que me foram impostas e não voluntariamente aceites, mas que eu resolvi abraçar como uma oportunidade de recuperar um estilo de vida mais simples.
Estou a viver num mini-mini-mini-apartamento, que não mede mais de 7m2 e que é basicamente um quarto com casa-de-banho, um micro-ondas e um frigorífico. O meu dia-a-dia sofreu uma simplificação muito grande graças a isto, porque o espaço é limitado para a acumulação de bens e eu tenho que possuir apenas o essencial. Além de cama, o material de cozinha mínimo indispensável, um guarda-roupa com muito menos roupa do que eu estava habituada a ter e uma estante com livros, só tenho o meu portátil e um pequeno rádio. Ah, também tenho uma gaiola com um rato albino que encontrei perdido na rua, mas estou a pensar dá-lo a alguma família adoptiva que prometa tratar bem dele, porque neste momento não posso ter nenhum animal dependente de mim.
Tenho poupado muita água, por várias razões. A água do meu banho é aquecida numa pequena caldeira com pouco volume de água, por isso se eu quero evitar terminar o meu banho com água fria, tenho que gastar apenas a água essencial para me molhar e enxaguar rapidamente. Depois não tenho lava-loiça, apenas o lavatório da casa-de-banho e é lá que tenho que lavar a loiça e os legumes. Para evitar situações menos higiénicas, comprei dois alguidares para colocar no lavatório alternadamente: um para quando lavo a cara e os dentes e outro para quando lavo a loiça. Como resultado, recolho toda a água consumida e desde que aqui cheguei há 2 meses, praticamente só usei o autoclismo 5 vezes, porque todas as outras vezes utilizei a água recolhida nos alguidares.
Por questões económicas fui forçada desde o início a procurar lojas e feiras de produtos em 2ª mão para comprar o máximo daquilo que necessitava, o que tem sido excelente, porque desde o ferro de engomar, passando pelos tachos e panelas e acabando em roupas e sapatos, tenho comprado quase tudo em 2ª mão, o que é bastante mais ecológico do que comprar novo.
Este mês vou fazer a experiência de comprar apenas produtos biológicos e ecológicos. Obviamente toda a gente me diz que o dinheiro que eu recebo por mês não chega para isso. Talvez não, mas eu estou convencida que sim e vou tentar provar isso. Claro que se a meio do mês já não tiver mais dinheiro para isso, vou ao mercado comprar legumes cheios de pesticidas, mas vou tentar. Acho que se me focar no essencial e cortar nas coisas que não são realmente necessárias, isso é possível. O problema das pessoas é que antigamente praticamente todo o seu rendimento era gasto na alimentação, mas hoje em dia querem ter dinheiro para ir ao cinema, para andarem de automóvel, para comprarem cds e jogos para a Playstation e já não estão dispostos a dar mais que uma percentagem mínima do seu rendimento para se alimentarem como deve ser. Lembrei-me agora mesmo do comentário duma colega minha aqui do escritório que diz que eu como demasiada fruta e verduras. Quando eu lhe perguntei o que raio queria dizer com isso, uma vez que a fruta e as verduras nunca são demais, ela diz que são alimentos muito caros comparados com cereais, feijões, batatas, etc, que enchem mais a barriga. Ela é quase vegetariana, praticamente não come carne, no entanto nunca a vejo comer fruta e verduras, apenas glúcidos e mais glúcidos. Se eu comesse como ela, neste momento pesava 80 kilos, mas penso que ela tem um metabolismo mais acelerado que eu, por isso continua magra. Mas a questão não é essa, a questão é que as pessoas só pensam no balanço dinheiro/calorias e acham que gastar dinheiro em nutrientes em vez de calorias é dinheiro mal gasto. Esquecem-se que a coisa mais preciosa que temos é a nossa vida e que para ela ser longa e frutífera, temos que ser saudáveis e que para sermos saudáveis não são as calorias ingeridas que contam, mas a quantidade de nutrientes.
Não sei para onde vou e fazer o quê, depois desta minha experiência em Bruxelas, mas seja aonde for, quero prosseguir com este estilo de vida: sem carro, sem tv, com o mínimo de produção de resíduos e de consumo de água e electricidade, com uma pegada ecológica bem mais reduzida, porque dá-me muita tranquilidade finalmente viver como sempre desejei mas nunca consegui.

10/29/2006

Compras em Bruxelas

Em Bruxelas é muito mais fácil ser-se ecológico e ter uma menor pegada ecológica do que em Lisboa. No entanto a pegada ecológica dos Bruxelenses é uma das mais altas da Europa. Alguém tem que puxar as orelhas aos bruxelenses...
Hei-de falar um pouco de várias questões relacionadas com a ecologia em Bruxelas, mas hoje começo pelas compras.
Aqui os mercados, feiras e lojas em 2ª mão são inúmeros e muito frequentados e toda a gente tem carrinhos para transportar as suas compras, que em Portugal só as velhotas usam para ir ao mercado. Também há uns quantos supermercados, mas parece-me que os mercados e feiras têm mais sucesso e ao domingo o metro enche-se de pessoas com os seus carrinhos, a irem ou a virem dum mercado local ou duma feira.
As lojas e feiras de produtos em 2ª mão são um sucesso. Abundam e vendem de tudo um pouco. A mais conhecida é Le Petit Riens, pertencente a uma associação que aceita roupas, móveis, electrodomésticos, cds, bibelots, brinquedos e tudo o que se possa imaginar, para vender depois em 2ª mão. Os lucros revertem a favor de pessoas sem-abrigo e carenciadas, algumas das quais estão directamente envolvidas no funcionamento das várias lojas por todo o país. A associação possui uma oficina que recupera móveis e li que, por exemplo, das 100 toneladas de móveis que recolheram o ano passado, 95% foi recuperada ou reciclada e apenas 5% teve mesmo que ir para o lixo. Esta associação é um exemplo excelente de permacultura em acção.
Passado algum tempo em Bruxelas percebi que o carrinho de compras era mesmo essencial, mas os que se encontram à venda ou são demasiado pequenos ou demasiado caros (alguns chegam a custar 150 euros). Decidi construir o meu próprio carrinho. Comprei uma estrutura metálica com rodas no IKEA por 5 euros, para transportar sacos e caixotes e comprei duas mochilas em 2ª mão no Petit Riens por outros 5 euros, et voilá, montei o meu próprio carrinho de compras, muito mais original que todos os outros que encontro na rua. Já fui várias vezes às compras com ele e funciona perfeitamente. Só tem um defeito - faz um bocado de barulho em piso mais acidentado, um chocalhar metálico que ainda não consegui eliminar por completo, mas quando está carregado de compras o barulho desaparece.

Entretanto já convenci o meu chefinho a ter um compostor na varanda e estou a fazer planos para encher o resto do espaço com legumes. Houve alguma oposição à ideia, porque estes ecologistas de trazer por casa acham que isso é excelente quando se está no campo mas não num escritório em Bruxelas. Mas se tivessem feito um curso de Permacultura iriam perceber porque é que é mais importante compostar e ter legumes numa varanda em Bruxelas do que numa horta no campo. Mas vão acabar por perceber, quando virem na prática o que isso representa.

9/28/2006

Canteiros na cidade

Bruxelas tem uma coisa que me agrada imenso: além dos muitos espaços verdes e da imensidão de árvores e pequenos jardins em frente às casas, as pessoas ainda aproveitam os pequenos canteiros em redor das árvores nos passeios para plantarem flores, tomates, couves, aquilo que lhes apetecer. E para marcarem o seu território constroem cercas em redor estes pequenos canteiros, que vão desde os mais improvisados aos mais "profissionais.
Ainda só tenho 2 exemplos para mostrar, mas gostaria de fazer uma colecção de fotos destes canteiros, pois são verdadeiramente inspiradores. Só é pena que haja mais com flores do que com couves, mas que tenham flores já é uma maravilha, comparado com o betão que prolifera nas cidades portuguesas.


9/21/2006

Voltei!

Olá amigos! Perante tantos pedidos insistentes, cá estou eu a dar notícias novamente (como aliás tinha prometido fazer).
Já estou em Bruxelas e apesar de andar bastante ocupada com o trabalho, em breve vou voltar a postar coisas neste blog. Já tenho algumas ideias a cozinhar no forno ;) Até breve.

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