8/07/2006

Despedidas!

O meu trabalho na Harpa terminou oficialmente, mas ainda vou lá voltar algumas vezes durante este mês para terminar umas tarefas que ficaram pendentes. O meu último trabalho realizado na quinta foi a adaptação de um canteiro de plantas numa mansão para tartarugas!
Metade do canteiro estava coberto de ervas espontâneas. Aproveitei esse espaço para fazer um laguinho. Cavei o buraco, forrei com um plástico preto resistente, enchi com água e prendi as bordas com terra e pedras. Ficou um bocado improvisado, mas para minha primeira experiência não ficou assim tão mal. Fiz um caminho de lajes de pedra até ao laguinho, para não ser necessário pisotear as plantas quando se anda no canteiro. Ainda falta vegetação em redor do lago e plantas aquáticas no seu interior. Nas zonas do canteiro onde a terra ficou nua semeei luzerna e calêncula, mas não sei se alguém o regou na minha ausência, pelo que pode não ter germinado nada.


Na 2ª foto, do lado direito em baixo, talvez consigam distinguir entre as folhas de uma consolda, uma casinha que fiz com 2 telhas, para a tartaruga se recolher. A ideia foi tão bem sucedida que assim que coloquei a tartaruga no canteiro e após ela tomar a sua primeira banhoca no lago, se dirigiu de imediato para lá onde descansou feliz da vida.
Resta acrescentar que a tartaruga vivia em minha casa há quase dez anos, num aquário que começava a ser uma prisão física e mental. Eu não gosto nem aprovo que os animais sejam mantidos em cativeiro. Acho que toda a gente deveria adoptar pelo menos um cão ou um gato (adoptar e não comprar!), se tiver condições mínimas para lhes oferecer uma vida confortável e com amor, mas não compreendo que se mantenham em cativeiro animais como tartarugas, que dispensam "o nosso amor" e claramente só desejam viver livremente os seus instintos no seu habitat natural.
Mas há cerca de 10 anos atrás uma pessoa ofereceu-me duas tartarugas e como eu nunca as abandonaria por aí, pois não são nativas do nosso país, nem sequer do nosso continente, tive que me responsabilizar pelo seu bem-estar. Uma delas morreu ainda pequenina, mas a outra aguentou-se e já mede cerca de 15 centímetros. Precisava de uma casa nova e mais "natural" e conversa puxa conversa, decidiu-se que a tartaruga iria ser a nova habitante da quinta da Harpa.

Há uma outra razão para que eu tenha entregue a tartaruga à Harpa e que é a mesma razão porque terei de abandonar o meu projecto de Á-do-Barriga, pelo menos por agora. Vou para Bruxelas, pelo menos durante um ano, trabalhar na IFOAM. É uma oportunidade única e estou muito entusiasmada, mas irei sentir muita falta do campo, das hortas, dos trabalhos manuais... Vou fazer Agricultura Biológica de escritório :)
Não sei se irei continuar a publicar textos neste blog, pois não há grandes perspectivas de eu vir a fazer horticultura em Bruxelas, mas nunca se sabe se não irei lá desenvolver algum projecto em permacultura, uma vez que ela se aplica a tudo e não apenas ao cultivo e jardinagem.
Prometo voltar a dar notícias!

7/15/2006

Homenagem aos ténis mais velhos do mundo

Esta semana decidi (finalmente!) fazer o funeral a um par de ténis que me acompanharam durante cerca de 10 anos da minha vida. Comprei-os para praticar aeróbica, depois serviram para tudo um pouco que fosse actividade física e ao ar livre. Usei-os durante estes mesitos de trabalho na quinta, o que os condenou definitivamente à morte, após anos e anos de doença crónica.
Durante estes meses, todos os dias a minha mãe me pediu que não entrasse em casa com eles calçados e me rogava que os deitasse fora. Só acedi a esse pedido agora, pois os buracos de lado deixavam que todo o tipo de picos e espinhos se espetassem nos meus pés, o que estava a começar a ser doloroso.
Mas antes de os deitar fora, achei que a história deles merecia ser contada e que uma última foto merecia ser tirada, pois estes ténis ganhariam concerteza o concurso dos ténis mais velhos, sujos e maltratados do planeta :)


Mudando de assunto, algumas das minhas últimas tarefas na quinta foram o transplante de feijões para o meio dos pés de milho (foto da esquerda), para que possam crescer trepando pelo milho e a plantação de tabaco (é um bom insecticida natural) e abóboras, entre as filas de milho (foto da direita). Tirei os cartões que usei para fazer mulching em redor do milho e reutilizei-os nestas novas plantinhas. Os cartões não estavam já a servir de muito, porque as ervas cresciam debaixo deles e levantavam-nos, mas são muito úteis nas fases iniciais de crescimento das plantinhas, para lhes dar avanço sobre as ervas espontâneas.

As fotografias que tenho apresentado não têm boa qualidade - na verdade têm muito má qualidade - e peço desculpa por isso a quem se queixou desse facto. A minha máquina digital estava com problemas (entretanto já está a ser arranjada) e entretanto comecei a fotografar com a câmera do telemóvel, que tira fotos ainda piores. Espero que mesmo assim percebam as ideias que quero transmitir e assim que tiver a minha máquina a funcionar em pleno, espero começar a ter fotografias melhores para apresentar.

6/28/2006

Colheitas, sementes e germinados

Depois de colhidas as alfaces, algum alho-francês, rabanetes, acelgas, ameixas e alperces, que estavam prontinhos a ser consumidos, estou agora dedicada à recolha de sementes de couves, alfaces e aromáticas e a acompanhar atentamente a evolução do milho, tomates, pimentos e couves, que são as próximas principais colheitas.
As abóboras estão a crescer bem e sem necessidade de cuidados, os alhos e cebolas estão já bons para ser consumidos e têm sido apanhados consoante as necessidades.
As couves que foram plantadas este ano não têm tido muito sucesso. Mesmo onde aplicámos composto elas não se têm desenvolvido muito e nalguns locais foram vítimas de piolho. Tenho-as pulverizado com chorume de urtiga e estou a preparar mais chorume para adubo líquido, na tentativa de lhes dar uma "forcinha" extra ao seu desenvolvimento.
Também temos cenouras, mas praticamente não cresceram, tal como os rabanetes e as batatas, pois a terra é muito argilosa e compacta e tudo o que são tubérculos e raízes não consegue expandir-se.
As aromáticas estão bem e recomendam-se. Temos coentros, salsa, menta, hortelã, alecrim, salva, erva-príncipe, funcho, tomilho, arruda, rúcola. Ainda são pequenas quantidades, mas estão a crescer bastante bem.
Uma vez que tenho mexido em sementes, lembrei-me das minhas tentativas falhadas de fazer germinados em casa e senti vontade de tentar novamente. Em tempos tinha comprado um germinador de barro, mas nele as sementes acabavam sempre por se encher de fungos e estragar-se antes de estarem consumíveis. Então procurei desenvolver uma alternativa caseira e descobri que posso germinar sementes em caixas de cd's!
Tinha algumas caixas redondas de 50 cd's vazias guardadas, porque tinha a certeza de que iria descobrir-lhes uma qualquer utilidade e finalmente descobri a função ideal para elas.

Para germinar as sementes eu inverto as caixas, coloco as sementes na caixa transparente, cubro-as com àgua e no dia seguinte escorro-as apenas invertendo a caixa, pois a tampa deixa sair a água facilmente. Depois viro novamente a caixa e deixo as sementes germinarem. Geralmente ao fim de 2 dias já estão prontas para serem consumidas numa bela salada. Outro facto interessante destas caixas é o facto de poderem ser empilhadas umas em cima das outras, formando uma torre que cabe em qualquer canto da cozinha. E nunca mais tive problemas com fungos.

6/16/2006

Venda na BIOCOOP

A venda de produtos na Harpa não tem tido muito sucesso - poucas pessoas conhecem a quinta e menos ainda compram os seus produtos quando por lá passam. Por isso decidiu-se vender alfaces e outros produtos da horta na BIOCOOP, que excepcionalmente concordou em recebê-los para venda.
Tem chovido imenso e a horta está um lamaçal, pelo que eu tenho evitado andar por lá a pisoteá-la, mas hoje a chuva deu tréguas durante a manhã e lá fui apanhar umas quantas alfaces e acelgas para entregar na BIOCOOP. Eu queria colher muito mais, até porque tinha ordens de colher o máximo possível, mas o meu carro é pequeno e as alfaces são enormes. Tudo o que consegui levar foram 30 alfaces (25 kg no total) e uma caixa de acelgas (5 kg). Deitei os bancos de trás e enchi a parte traseira do carro com a mercadoria.

A minha tia Elisa apareceu para me ajudar e lá fomos nós até à BIOCOOP.
Quando lá chegámos, deram-nos uma lição de como apresentar as hortícolas para venda, pois da maneira como estavam, segundo o Fernando, ninguém sequer lhes iria pegar. Entre a risota, chamaram-nos aprendizes de agricultoras, o que não considerei ofensivo, pois é a mais pura das verdades :)))
Antes de colocarmos as alfaces e acelgas à venda tivémos que as lavar, cortar restos de raízes e caules e encaixotá-las de novo.
Enquanto iniciávamos esta tarefa, começaram a surgir interessados nas nossas alfaces: primeiro uma senhora que queria 4, depois outra que queria 3, depois um casal de boca aberta com o tamanho delas e que queria a maior que lá tivéssemos (infelizmente não havia sacos onde elas coubessem e as pessoas acabavam por levar das mais pequenas)! Não conseguíamos lavá-las e prepará-las ao ritmo a que as pessoas as compravam. Eu diria que foi um sucesso :)
Já me pediram que levasse mais coisas para vender.

6/09/2006

Quinta da Harpa II

Quando comecei a trabalhar na quinta da Harpa, o Zé já tinha cultivado, entre outras coisas, couves, cebolas e alhos. Ele queixava-se que todas as semanas tinha que arrancar ervas do meio destas hortícolas, por isso decidi fazer mulching nestes canteiros. Arranquei as ervas, deixei-as no solo, cobri com jornais e por fim tapei com palha. Quando ele viu o que eu tinha feito, ia-lhe dando uma coisa... :)




Ele não confia muito na inocuidade dos jornais e cartões, os primeiros por terem tintas e os segundos por terem colas. Mas eu tentei assegurá-lo de que qualquer impacto menos bom que estes compostos tenham no solo, são largamente compensados pelo trabalho que nos poupam e pela retenção da humidade no solo. Quanto à redução do trabalho ele já se convenceu, pois desde que fiz o mulching, há cerca de um mês, nunca mais tivémos de nos preocupar com ervas daninhas. Quanto à humidade do solo, não está tão convencido.
Infelizmente, a rega da horta é feita por aspersão, o que significa que só após haver encharcamento dos jornais é que a água chega ao solo e como resultado disso, muitas vezes observamos que após a rega, o solo fica pouco húmido e apenas junto da superfície. Não sei se em resultado disso, mas parece que sim, as couves em que apliquei o mulching estão a desenvolver-se muito pouco.
Penso que a solução ideal não será eliminar o mulching, mas sim mudar o tipo de rega para gota-a-gota, até porque poupa bastante mais água relativamente à rega por aspersão. Já lhe falei nisso, mas esse investimento está em lista de espera nas prioridades da quinta.
Também cobri o solo onde foi cultivado milho e apesar de aqui ter usado cartão em vez de jornal, o milho tem crescido muito bem, porque a rega aqui faz-se com mangueira, directamente sobre as plantas e não por aspersão. Penso que isto confirma que o mal não é do mulching mas sim do tipo de rega.



Existem algumas pilhas de composto em diversos pontos da quinta. Tenho usado algum desse composto e gostava que houvesse mais disponível. Ofereci-me para iniciar uma outra pilha de composto, maior que as existentes, mas o problema é que o composto na quinta é produzido segundo o modo biodinâmico e portanto precisa de levar preparados biodinâmicos específicos. Não temos destes preparados na quinta e sempre que são necessários, é preciso pedir a quem os tenha. O Zé disse-me que esperasse pelos preparados antes de fazer a pilha de composto, mas eu ando a pensar fazer uma sem eles. Mais vale composto não-biodinâmico que composto nenhum.
Eis uma foto de uma das pilhas de composto, com cerca de 6 meses, de onde tenho estado a retirar composto.



Tenho usado este composto em redor de árvores e arbustos plantados recentemente na quinta e sobre o qual também coloco jornais e palha. Comecei pela fila de arbustos de amoras que estavam a ser engolidos pelas ervas e irei continuar a aplicá-lo noutras árvores e arbustos.


Também apliquei composto num canteiro de morangos que se encontra numa encosta da quinta. Estes morangueiros não foram cultivados da maneira mais favorável e praticamente não deram frutos, mas numa tentativa de ainda os salvar, cobri o solo à volta deles com muito composto e tenho-lhes dado alguma atenção. Os próximos serão cultivados em terraços e com muito composto logo de início.


6/07/2006

Quinta da Harpa

Uma das razões porque deixei de escrever tão frequentemente no blog foi ter começado a trabalhar em part-time na Quinta de São João dos Montes, pertencente à Associação Harpa (onde frequento o Grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica).
Estou a cuidar da horta e ajudo nas diversas tarefas da quinta. Também estou a ajudar na organização de festas de aniversário para crianças na Quinta aos fins-de-semana. Como contrapartida, deixei de ter tempo e vontade para me dedicar à minha própria horta, a qual não visito há quase 2 meses e que deve estar uma desgraça.
O meu projecto de transformação do terreno em À-do-Barriga passou para 2º plano e por razões que revelarei mais tarde, é provável que tenha que o abandonar por completo... Mas estou a aproveitar esta oportunidade de trabalho para continuar com as minhas experiências e aprendizagem em horticultura e permacultura, pelo que continuarei a escrever neste blog.
A Harpa é uma associação com raízes na Antroposofia e dedica-se principalmente à Educação, realizando vários tipos de cursos e seminários para adultos ao longo do ano e tendo também em funcionamento um infantário que segue os princípios da Pedagogia Waldorf. Esta associação pretende pôr a Quinta de São João dos Montes a produzir frutos e hortícolas, segundo os métodos da Agricultura Biodinâmica, para consumo interno e para venda.
Na Quinta, trabalha a tempo inteiro o Zé, que se tem esforçado imenso para pôr as coisas a mexer. Mas o trabalho que tem de ser feito é interminável e nem sempre ele consegue dar conta do recado, por isso a Harpa decidiu contratar-me temporariamente para o ajudar, uma vez que eu andava desesperadamente em busca de um part-time.
A minha principal responsabilidade é fazer a manutenção da horta, que foi em grande parte cultivada pelo Zé e pelo grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica. Também participo em qualquer outra actividade em que a minha ajuda seja necessária: desde a monda de árvores de fruto até à produção de doces e elixires com frutos da Quinta, já fiz de tudo um pouco. Até agora ainda não faltou trabalho para fazer e entusiasmo da minha parte também não :)
Para começar a apresentar a Quinta, mostro aqui uma foto-montagem e uma vista aérea, com uma indicação grosseira dos limites (a vermelho) e o ribeiro que a atravessa (a azul).
A Quinta tem uma zona de patamares junto ao ribeiro, onde se localiza um pequeno pomar de citrinos e a horta. É nesta zona que se encontra também um tanque que vai ser recuperado. Perto dos citrinos foram recentemente transplantadas amoreiras e serão cultivadas leguminosas para adubo verde, pois nessa área o solo é bastante pobre em matéria orgânica. No patamar acima, onde se encontra a horta, estão cultivados neste momento, milho, couves, brócolos, alfaces, cenouras, tomates, pimentos, rabanetes, couves-rábano, acelgas, abóboras, consolda, calêndula, chagas e milefólio. Na zona de encosta, mais afastada do ribeiro, encontra-se um pomar, que devido ao seu estado de abandono e tamanho, precisa de muito trabalho e dedicação. Nessa zona há também uma pequena área de aromáticas e morangos a crescerem em terraços.
Desde que comecei a trabalhar na Quinta, há cerca de mês e meio, que o meu maior contributo foi para a evolução da horta. Em baixo mostro a horta no seu início e como está neste momento.



As hortícolas foram transplantadas e semeadas nas datas propícias, segundo um calendário biodinâmico e nelas foi aplicado o preparado 500 (há informação sobre estes preparados na internet). Ainda estou a tentar perceber a forma como funcionam, mas não tenho dúvidas que funcionam, pois tentei transplantar algumas hortícolas sem ligar a estes cuidados biodinâmicos e apesar de algumas terem sobrevivido, os resultados foram muito maus. As alfaces que transplantei e sobreviveram ficaram raquíticas - não tenho fotografias, mas garanto que não passaram dos 12 cms de diâmetro. E em oposição vejam só o tamanho destas alfaces biodinâmicas! Muitas delas têm cerca de 40 cms de diâmetro e algumas campeãs ultrapassam os 50 cms de diâmetro.
Brevemente escreverei mais acerca dos meus trabalhos nesta Quinta.

5/10/2006

Compostores

Já passou muito tempo desde as minhas últimas notícias. Já colhi as minhas favas. Pelos meus cálculos, colhi cerca de 60 quilos de favas. Não tenho espaço no frigorífico nem no congelador para as guardar todas, por isso tenho-as distribuído pela família.
A rama das favas fez uma boa cobertura do solo, até à próxima sementeira naquela parcela.

Como tinha prometido, construí um compostor a partir dos tubos de cimento que tinha encontrado semi-enterrados num canto do terreno. Os tubos serviram de pilares e as paredes do compostor eram de rede. Para o composto não ficar demasiado exposto aos elementos, cobri o compostor com uma tela. Não tirei nenhuma fotografia ao compostor sem a tela, mas também não era nenhuma obra de arte.

Entretanto o meu pai avisou-me que estes tubos poderiam conter amianto. Contactei a Cimianto que me confirmou que de facto havia grande probabilidade de assim ser e me aconselhou a entregar os tubos num aterro para resíduos industriais. Resultado: desmontei logo o compostor e pouco motivada para construir outro, comprei um no LIDL que estava a um preço bastante acessível. Não é tão ecológico como construir o meu próprio compostor com materiais locais, mas sempre é melhor do que tubos com amianto. Este é o aspecto do novo compostor.

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