6/16/2006

Venda na BIOCOOP

A venda de produtos na Harpa não tem tido muito sucesso - poucas pessoas conhecem a quinta e menos ainda compram os seus produtos quando por lá passam. Por isso decidiu-se vender alfaces e outros produtos da horta na BIOCOOP, que excepcionalmente concordou em recebê-los para venda.
Tem chovido imenso e a horta está um lamaçal, pelo que eu tenho evitado andar por lá a pisoteá-la, mas hoje a chuva deu tréguas durante a manhã e lá fui apanhar umas quantas alfaces e acelgas para entregar na BIOCOOP. Eu queria colher muito mais, até porque tinha ordens de colher o máximo possível, mas o meu carro é pequeno e as alfaces são enormes. Tudo o que consegui levar foram 30 alfaces (25 kg no total) e uma caixa de acelgas (5 kg). Deitei os bancos de trás e enchi a parte traseira do carro com a mercadoria.

A minha tia Elisa apareceu para me ajudar e lá fomos nós até à BIOCOOP.
Quando lá chegámos, deram-nos uma lição de como apresentar as hortícolas para venda, pois da maneira como estavam, segundo o Fernando, ninguém sequer lhes iria pegar. Entre a risota, chamaram-nos aprendizes de agricultoras, o que não considerei ofensivo, pois é a mais pura das verdades :)))
Antes de colocarmos as alfaces e acelgas à venda tivémos que as lavar, cortar restos de raízes e caules e encaixotá-las de novo.
Enquanto iniciávamos esta tarefa, começaram a surgir interessados nas nossas alfaces: primeiro uma senhora que queria 4, depois outra que queria 3, depois um casal de boca aberta com o tamanho delas e que queria a maior que lá tivéssemos (infelizmente não havia sacos onde elas coubessem e as pessoas acabavam por levar das mais pequenas)! Não conseguíamos lavá-las e prepará-las ao ritmo a que as pessoas as compravam. Eu diria que foi um sucesso :)
Já me pediram que levasse mais coisas para vender.

6/09/2006

Quinta da Harpa II

Quando comecei a trabalhar na quinta da Harpa, o Zé já tinha cultivado, entre outras coisas, couves, cebolas e alhos. Ele queixava-se que todas as semanas tinha que arrancar ervas do meio destas hortícolas, por isso decidi fazer mulching nestes canteiros. Arranquei as ervas, deixei-as no solo, cobri com jornais e por fim tapei com palha. Quando ele viu o que eu tinha feito, ia-lhe dando uma coisa... :)




Ele não confia muito na inocuidade dos jornais e cartões, os primeiros por terem tintas e os segundos por terem colas. Mas eu tentei assegurá-lo de que qualquer impacto menos bom que estes compostos tenham no solo, são largamente compensados pelo trabalho que nos poupam e pela retenção da humidade no solo. Quanto à redução do trabalho ele já se convenceu, pois desde que fiz o mulching, há cerca de um mês, nunca mais tivémos de nos preocupar com ervas daninhas. Quanto à humidade do solo, não está tão convencido.
Infelizmente, a rega da horta é feita por aspersão, o que significa que só após haver encharcamento dos jornais é que a água chega ao solo e como resultado disso, muitas vezes observamos que após a rega, o solo fica pouco húmido e apenas junto da superfície. Não sei se em resultado disso, mas parece que sim, as couves em que apliquei o mulching estão a desenvolver-se muito pouco.
Penso que a solução ideal não será eliminar o mulching, mas sim mudar o tipo de rega para gota-a-gota, até porque poupa bastante mais água relativamente à rega por aspersão. Já lhe falei nisso, mas esse investimento está em lista de espera nas prioridades da quinta.
Também cobri o solo onde foi cultivado milho e apesar de aqui ter usado cartão em vez de jornal, o milho tem crescido muito bem, porque a rega aqui faz-se com mangueira, directamente sobre as plantas e não por aspersão. Penso que isto confirma que o mal não é do mulching mas sim do tipo de rega.



Existem algumas pilhas de composto em diversos pontos da quinta. Tenho usado algum desse composto e gostava que houvesse mais disponível. Ofereci-me para iniciar uma outra pilha de composto, maior que as existentes, mas o problema é que o composto na quinta é produzido segundo o modo biodinâmico e portanto precisa de levar preparados biodinâmicos específicos. Não temos destes preparados na quinta e sempre que são necessários, é preciso pedir a quem os tenha. O Zé disse-me que esperasse pelos preparados antes de fazer a pilha de composto, mas eu ando a pensar fazer uma sem eles. Mais vale composto não-biodinâmico que composto nenhum.
Eis uma foto de uma das pilhas de composto, com cerca de 6 meses, de onde tenho estado a retirar composto.



Tenho usado este composto em redor de árvores e arbustos plantados recentemente na quinta e sobre o qual também coloco jornais e palha. Comecei pela fila de arbustos de amoras que estavam a ser engolidos pelas ervas e irei continuar a aplicá-lo noutras árvores e arbustos.


Também apliquei composto num canteiro de morangos que se encontra numa encosta da quinta. Estes morangueiros não foram cultivados da maneira mais favorável e praticamente não deram frutos, mas numa tentativa de ainda os salvar, cobri o solo à volta deles com muito composto e tenho-lhes dado alguma atenção. Os próximos serão cultivados em terraços e com muito composto logo de início.


6/07/2006

Quinta da Harpa

Uma das razões porque deixei de escrever tão frequentemente no blog foi ter começado a trabalhar em part-time na Quinta de São João dos Montes, pertencente à Associação Harpa (onde frequento o Grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica).
Estou a cuidar da horta e ajudo nas diversas tarefas da quinta. Também estou a ajudar na organização de festas de aniversário para crianças na Quinta aos fins-de-semana. Como contrapartida, deixei de ter tempo e vontade para me dedicar à minha própria horta, a qual não visito há quase 2 meses e que deve estar uma desgraça.
O meu projecto de transformação do terreno em À-do-Barriga passou para 2º plano e por razões que revelarei mais tarde, é provável que tenha que o abandonar por completo... Mas estou a aproveitar esta oportunidade de trabalho para continuar com as minhas experiências e aprendizagem em horticultura e permacultura, pelo que continuarei a escrever neste blog.
A Harpa é uma associação com raízes na Antroposofia e dedica-se principalmente à Educação, realizando vários tipos de cursos e seminários para adultos ao longo do ano e tendo também em funcionamento um infantário que segue os princípios da Pedagogia Waldorf. Esta associação pretende pôr a Quinta de São João dos Montes a produzir frutos e hortícolas, segundo os métodos da Agricultura Biodinâmica, para consumo interno e para venda.
Na Quinta, trabalha a tempo inteiro o Zé, que se tem esforçado imenso para pôr as coisas a mexer. Mas o trabalho que tem de ser feito é interminável e nem sempre ele consegue dar conta do recado, por isso a Harpa decidiu contratar-me temporariamente para o ajudar, uma vez que eu andava desesperadamente em busca de um part-time.
A minha principal responsabilidade é fazer a manutenção da horta, que foi em grande parte cultivada pelo Zé e pelo grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica. Também participo em qualquer outra actividade em que a minha ajuda seja necessária: desde a monda de árvores de fruto até à produção de doces e elixires com frutos da Quinta, já fiz de tudo um pouco. Até agora ainda não faltou trabalho para fazer e entusiasmo da minha parte também não :)
Para começar a apresentar a Quinta, mostro aqui uma foto-montagem e uma vista aérea, com uma indicação grosseira dos limites (a vermelho) e o ribeiro que a atravessa (a azul).
A Quinta tem uma zona de patamares junto ao ribeiro, onde se localiza um pequeno pomar de citrinos e a horta. É nesta zona que se encontra também um tanque que vai ser recuperado. Perto dos citrinos foram recentemente transplantadas amoreiras e serão cultivadas leguminosas para adubo verde, pois nessa área o solo é bastante pobre em matéria orgânica. No patamar acima, onde se encontra a horta, estão cultivados neste momento, milho, couves, brócolos, alfaces, cenouras, tomates, pimentos, rabanetes, couves-rábano, acelgas, abóboras, consolda, calêndula, chagas e milefólio. Na zona de encosta, mais afastada do ribeiro, encontra-se um pomar, que devido ao seu estado de abandono e tamanho, precisa de muito trabalho e dedicação. Nessa zona há também uma pequena área de aromáticas e morangos a crescerem em terraços.
Desde que comecei a trabalhar na Quinta, há cerca de mês e meio, que o meu maior contributo foi para a evolução da horta. Em baixo mostro a horta no seu início e como está neste momento.



As hortícolas foram transplantadas e semeadas nas datas propícias, segundo um calendário biodinâmico e nelas foi aplicado o preparado 500 (há informação sobre estes preparados na internet). Ainda estou a tentar perceber a forma como funcionam, mas não tenho dúvidas que funcionam, pois tentei transplantar algumas hortícolas sem ligar a estes cuidados biodinâmicos e apesar de algumas terem sobrevivido, os resultados foram muito maus. As alfaces que transplantei e sobreviveram ficaram raquíticas - não tenho fotografias, mas garanto que não passaram dos 12 cms de diâmetro. E em oposição vejam só o tamanho destas alfaces biodinâmicas! Muitas delas têm cerca de 40 cms de diâmetro e algumas campeãs ultrapassam os 50 cms de diâmetro.
Brevemente escreverei mais acerca dos meus trabalhos nesta Quinta.

5/10/2006

Compostores

Já passou muito tempo desde as minhas últimas notícias. Já colhi as minhas favas. Pelos meus cálculos, colhi cerca de 60 quilos de favas. Não tenho espaço no frigorífico nem no congelador para as guardar todas, por isso tenho-as distribuído pela família.
A rama das favas fez uma boa cobertura do solo, até à próxima sementeira naquela parcela.

Como tinha prometido, construí um compostor a partir dos tubos de cimento que tinha encontrado semi-enterrados num canto do terreno. Os tubos serviram de pilares e as paredes do compostor eram de rede. Para o composto não ficar demasiado exposto aos elementos, cobri o compostor com uma tela. Não tirei nenhuma fotografia ao compostor sem a tela, mas também não era nenhuma obra de arte.

Entretanto o meu pai avisou-me que estes tubos poderiam conter amianto. Contactei a Cimianto que me confirmou que de facto havia grande probabilidade de assim ser e me aconselhou a entregar os tubos num aterro para resíduos industriais. Resultado: desmontei logo o compostor e pouco motivada para construir outro, comprei um no LIDL que estava a um preço bastante acessível. Não é tão ecológico como construir o meu próprio compostor com materiais locais, mas sempre é melhor do que tubos com amianto. Este é o aspecto do novo compostor.

3/24/2006

Planos mais detalhados

No início deste blog apresentei um proto-projecto para o espaço que pretendo transformar. Mas passados alguns meses de observações mais detalhadas do espaço e da sua dinâmica, concluí que é preciso alterar o plano inicial de forma quase radical. Passei para o papel as minhas novas ideias e vou explicar o porquê da mudança de planos.
Mas antes de passar às mudanças de planos, começo por mostrar o esquema da parcela da horta a que me tenho dedicado nos últimos tempos. Criei canteiros e caminhos e já semeei pelo menos metade deles com ervilhas, alhos, couves, espinafres, nabiças, alfaces... Optei por um desenho em linhas rectas, porque a presença das árvores (a maior parte delas de copa muito baixa) não facilita a movimentação nesta parcela, nem a criação de um esquema mais fluido. Talvez mais tarde eu tenha alguma ideia de como organizar o espaço de outra forma, mas por enquanto vou experimentar este modelo.
Quanto aos meus novos planos, as maiores alterações que fiz foram passar o lago previsto para a parte da frente, para a parte de trás da casa e passar a pilha de composto que estava na parte de trás, para a parte da frente da casa.
Concluí, após estes meses de utilização, que o local onde iniciei a pilha de composto, apesar de ser óptimo para o composto (é abrigado do vento, do frio e do sol excessivo) não é um local prático e acessível e muitas vezes tenho que me forçar a ir lá colocar a matéria orgânica, porque não me apetece mesmo nada (fica "longe" da casa). Decidi por isso criar um compostor em frente à casa. Neste momento o local previsto é muito exposto, mas pretendo colocar vegetação à sua volta, pelo que ficará mais protegido.Nesta mesma parcela frente à casa, onde colocarei o compostor, pretendo plantar um castanheiro - no último Outono comprei castanhas biológicas e uma delas estava a germinar; coloquei-a num vaso e cresceu uma linda árvorezinha :) Plantá-la-ei no centro e à sua volta criarei canteiros elevados de ervas aromáticas em forma de espiral. O muro à volta será coberto de heras (neste momento é-o parcialmente) e enriquecerei o espaço com mais alguns arbustos de frutos, trepadeiras, enfim, o que a imaginação ditar e o espaço permitir. Decidi colocar o compostor no canto virado para o caminho empedrado, para que possa tirar o composto facilmente e levá-lo para as outras hortas, sem ter de entrar na zona ajardinada.
Quanto à parte de trás da casa, no local onde agora tenho a pilha de composto, irei construir estufins, pela mesma razão porque neste momento tenho lá o composto - porque é abrigado. Para facilitar o acesso a essa zona, e não sentir tanta preguiça de lá ir como sinto agora, pretendo criar canteiros elevados perpendiculares ao caminho cimentado, criando assim também caminhos directos aos estufins. Neste momento esta parcela de horta está a produzir bem, mas tem um aspecto um bocado caótico. Não gostei quando algumas pessoas disseram mal desta minha horta :), mas reconheço que da maneira selvática como se está a desenvolver, não é lá muito prática.
Quanto à parcela ao lado desta, decidi que era a ideal para criação de um pequeno lago e plantação de uma árvore de folha caduca. O primeiro desenho está enganado, pois é precisamente no lado direito e não no lado esquerdo, que pretendo plantar a árvore e posicionar o lago, tal como aparece no 2º desenho. Talvez esteja a cometer um erro grosseiro, mas com base no que estudei sobre ensombramento, reflexão da luz e bioclimatização, penso estar a fazer isto bem. Esta esquina da casa fica virada a sul e recebe em cheio a luz do sol. A combinação do lago e da árvore de folha caduca vai permitir que o sol seja canalizado para a casa no inverno e bloqueado no verão.

Quer no caminho de entrada a partir do portão, como no caminho cimentado atrás da casa, gostava de colocar pérgolas e formar 2 túneis verdes.
Por enquanto são estas as melhores ideias que já tive. Não significa que não sofram novas mudanças pelo caminho :)

3/21/2006

Puxar o céu para baixo

Continuo a cavar. Neste momento dói-me o corpo todo, mas sinto-me satisfeita com os resultados. Não tenho fotografias para mostrar, porque queria esperar até a horta ficar toda verdinha, mas sou capaz de ainda tirar uma fotografia antes disso, só para verem os canteiros preparados e as árvores em flor.
Estes momentos de trabalho mais intensivo na horta têm-me permitido um maior contacto com os vizinhos.
Uma senhora de 86 anos que passava e me viu cavar, disse-me que sempre cavou, que ainda hoje cava um pouquinho e que isso só lhe fez bem. Encorajou-me a continuar a cavar e disse-me que "cavar é puxar o céu para baixo". Não conhecia esta expressão e achei muito bonita. Acho que além da referência óbvia ao movimento que se faz a cavar, a expressão tem também algum significado místico, pois ao trabalhar a terra o ser humano torna-se um intermediário entre as forças do céu (sol, chuva, vento, lua) e da terra. Mas se eu expusesse essa ideia à senhora, o mais certo era ela considerar-me maluquinha...
Um outro vizinho viu-me cavar e veio dar-me uma lição de como cavar correctamente e com o mínimo de esforço. infelizmente não nos entendemos muito bem pois ele insistia que a mão que aplica a força é a direita e eu insistia que apesar de não ser canhota, tenho mais força na mão esquerda. Incorporei alguns dos conselhos dele, mas continuo a cavar com as mãos "trocadas", porque a forma que ele me ensinou custa-me muito mais esforço.
E um terceiro vizinho viu-me cavar mesmo no limite do terreno que faz fronteira com o dele e veio interpelar-me com maus modos. Disse-me que eu não tinha nada que andar ali com a enxada, que aquele pedaço de terra (para aí 30 cms para lá da fronteira) lhe pertencia. Não gostei dos modos dele, mas como eu sou muito diplomata, mantive o meu sorriso e com voz cândida pedi-lhe desculpa, disse-lhe que ele tinha razão, mas que não se preocupasse pois não só eu não pretendia destruir-lhe a propriedade, como pretendia definir melhor a fronteira e plantar ali arbustos que reforçassem a estabilidade do solo e demarcassem claramente os limites do terreno de cada um. Aos poucos ele acalmou-se e pediu-me desculpa pela sua atitude. Disse-me que já tinha tido uma zanga com o dono anterior do terreno, pois este usou e abusou do que não era dele e daí ele já vir desconfiado das minhas intenções.
É impressionante este sentimento de posse que as pessoas sentem em relação à terra, que por vezes as leva a matar outras por meros 30 cms de terreno. No entanto, apesar de o repudiar, eu própria já provei desse sentimento.
Ainda não o mencionei, mas uma família vive no 2º andar da casa dos meus avós e apesar de eles só terem direito a usufruir do interior da casa, eles estão mais ou menos habituados a usar o espaço exterior sem restrições e sem autorização. Têm o hábito de usar o alpendre para estenderem roupa, de cavar a horta em busca de minhocas para a pesca e de espalhar ratoeiras e restos de comida para gatos pela horta fora. Têm filas de vasos com plantas em frente à casa (que gostaria que lá não estivessem, para que eu pudesse usar o espaço da forma que entender), mas como é algo positivo, tento não implicar com isso. Por fim têm o péssimo hábito de mexer nas minhas coisas: se coloco um vaso num sítio, da próxima vez está noutro, se encontro um bom local onde colocar sacas de terra, da próxima vez encontro-as empilhadas noutro local diferente, etc. Já lhes foi dito que não mexessem no que não lhes pertence e que se moderassem nas suas atitudes expansionistas, mas sem grandes resultados. Por isso às vezes dá-nos vontade de os expulsar dali para fora.
O meu instinto leva-me a desejar que eles desapareçam dali e que não mexam na "nossa" terra, mas eu quero ser melhor que isso, quero ser capaz de ultrapassar esse sentimento. Não quero ser como o meu vizinho do lado que ameaça os outros por causa de 30 cms de terra nua.
Por isso o melhor será tentar ter uma boa relação com eles. Estou esperançada que consoante eles forem vendo o meu projecto tomar forma, se sintam menos à vontade para mexer nas coisas sem autorização. Gostaria também de os envolver nos meus planos e transformá-los de "inimigos" a colaboradores. Uma vez que eles estão presentes todos os dias, podem melhor do que eu guardar o espaço, regar as plantas, observar se está tudo bem e o que precisa de ser feito.
Afinal de contas a Permacultura também trata de relações humanas, vida em comunidade, partilha de recursos e eu gostaria de desenvolver também essa faceta de permacultora, além das habilidades de horticultora. Mas isso será talvez a tarefa mais complicada, porque sou muito tímida, introvertida e bicho do mato e não tenho facilidade em relacionar-me com as pessoas que não conheço.

3/14/2006

Atraso

A preparação do terreno tem-me dado muito trabalho. Tenho ido à horta 2 a 3 vezes por semana, por períodos de 3 horas e ainda só consegui preparar uma das duas áreas que tinha planeado cultivar esta Primavera. Começo a pensar que talvez só consiga tratar deste bocado de terra e que terei de deixar a outra área para uma outra época.
Devido a este atraso relativamente aos meus planos, comecei a pensar: Porque será que não consigo despachar o trabalho da horta tão depressa como o planeio? Será que sou lenta, preguiçosa, que faço mal as coisas e por isso demoro o dobro do tempo? Se calhar acontece um pouco de tudo isso, mas penso que também será porque o terreno estava tão abandonado e caótico, que eu estou a ter muito mais trabalho do que aquele que esperava só na preparação do terreno, atrasando todos os outros planos que quero pôr em prática.
Por exemplo, após arrancar todas as ervas do terreno (fiz uma pilha de cerca de 1m3 com elas) e de ter cavado (a pouca profundidade) todo o terreno, percebi que tinha de podar uns arbustos que estavam num dos cantos do terreno e a ocupar um bom espaço que podia ser aproveitado para cultivo. Meti mãos à obra e lá se passaram as 3 horas de trabalho... Agora tenho um monte de ramos e troncos da minha altura para cortar, serrar e arrumar algures - mais umas horas de trabalho...
(Uma destroçadora vinha mesmo a calhar, pois por enquanto não tenho destino a dar aos ramos e gostaria de usar aparas desta madeira para cobrir o solo. Mas se nenhuma cair do céu, terei de esperar até poder comprar uma. Embora eu evite comprar máquinas, acho que estas são muito úteis e penso que se incluem no que a Permacultura considera "tecnologia adequada".)
Também aproveitei o terreno estar recém-liberto de ervas, para transplantar heras ao longo de todo o muro frente à casa. Perto duma esquina do muro existe bastante hera, no entanto ela não se tem espalhado pelo resto do muro, o que eu gostava que acontecesse. Dar esta mãozinha à hera custou-me mais uma hora de trabalho. E a horta continua atrasada...

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