3/14/2006

Atraso

A preparação do terreno tem-me dado muito trabalho. Tenho ido à horta 2 a 3 vezes por semana, por períodos de 3 horas e ainda só consegui preparar uma das duas áreas que tinha planeado cultivar esta Primavera. Começo a pensar que talvez só consiga tratar deste bocado de terra e que terei de deixar a outra área para uma outra época.
Devido a este atraso relativamente aos meus planos, comecei a pensar: Porque será que não consigo despachar o trabalho da horta tão depressa como o planeio? Será que sou lenta, preguiçosa, que faço mal as coisas e por isso demoro o dobro do tempo? Se calhar acontece um pouco de tudo isso, mas penso que também será porque o terreno estava tão abandonado e caótico, que eu estou a ter muito mais trabalho do que aquele que esperava só na preparação do terreno, atrasando todos os outros planos que quero pôr em prática.
Por exemplo, após arrancar todas as ervas do terreno (fiz uma pilha de cerca de 1m3 com elas) e de ter cavado (a pouca profundidade) todo o terreno, percebi que tinha de podar uns arbustos que estavam num dos cantos do terreno e a ocupar um bom espaço que podia ser aproveitado para cultivo. Meti mãos à obra e lá se passaram as 3 horas de trabalho... Agora tenho um monte de ramos e troncos da minha altura para cortar, serrar e arrumar algures - mais umas horas de trabalho...
(Uma destroçadora vinha mesmo a calhar, pois por enquanto não tenho destino a dar aos ramos e gostaria de usar aparas desta madeira para cobrir o solo. Mas se nenhuma cair do céu, terei de esperar até poder comprar uma. Embora eu evite comprar máquinas, acho que estas são muito úteis e penso que se incluem no que a Permacultura considera "tecnologia adequada".)
Também aproveitei o terreno estar recém-liberto de ervas, para transplantar heras ao longo de todo o muro frente à casa. Perto duma esquina do muro existe bastante hera, no entanto ela não se tem espalhado pelo resto do muro, o que eu gostava que acontecesse. Dar esta mãozinha à hera custou-me mais uma hora de trabalho. E a horta continua atrasada...

2/28/2006

Preparação para a Primavera

Com a Primavera a chegar, estou dedicada à preparação da horta para as culturas de Primavera-Verão.
Finalmente vou dar uso às parcelas de terreno em que ainda não mexi. Ando a cortar as ervas que lá cresceram durante o Inverno e ando a programar as consociações de plantas e a organização espacial dos canteiros. Já semeei em tabuleiros as hortícolas que precisam de germinar em ambiente protegido antes de serem transplantadas para a terra. Vou cultivar tomates, cenouras, cebolas, couves, alfaces, batatas e várias leguminosas. Também queria dedicar um pouco de espaço a centeio e cevada, mais para perpetuar a semente que por outra razão. O espaço não é muito para tanta coisa, por isso vou ter de optimizá-lo, recorrendo a técnicas usadas na Permacultura. Vou trabalhar nisso e depois dou notícias.

2/09/2006

Podas e "tesouros" enterrados

Não é fácil fazer horticultura e jardinagem longe de casa. Uma vez comprometidos com as plantas, elas exigem a nossa atenção quase diária, especialmente em certos períodos do ano. E quando temos a horta nem que seja a 10 minutos de carro da nossa casa, acabamos por não a visitar todos os dias e por não lhe dar toda a atenção devida.
Tenho tentado manter as estacas em terra húmida, mas não consigo ir regá-las com a regularidade desejável e já tenho encontrado a terra demasiado seca para o meu gosto. Mas as plantinhas têm-se aguentado verdes. Já as que eu transplantei para o solo não estão com tão boa cara... Nesta fase eu deveria cuidar delas todos os dias, mas não tenho disponibilidade para isso e preocupa-me que elas possam não sobreviver.
Há dias comprei ferramentas para poda e dediquei-me a podar todas as árvores de tamanho pequeno e médio. As grandinhas terão de continuar como estão, porque não tenho nem ferramentas adequadas para as podar, nem vocação para trepar por elas acima e fazer algo potencialmente perigoso.
Já tinha podado um arbusto, mas foi mais um desbaste que uma poda, porque não segui regra nenhuma, só o que o instinto me ditava.
Mas desta vez segui alguns ensinamentos sobre poda que adquiri durante uma sessão do Grupo de Estudos de Agricultura Biodinâmica na Associação Harpa, no qual eu participo.
Além de seguir o instinto para determinar que forma dar à árvore, tentei seguir também estas regras:
- observar toda a árvore atentamente e predefinir o que se vai cortar;
- posicionar de um lado da árvore e escolher um ramo principal desse lado;
- eliminar os ramos cruzados e bifurcados do ramo principal;
- cortar os raminhos que derivam do ramo principal de forma a que eles sejam maiores da ponta para a base do ramo;
- abrir o centro da árvore para deixar entrar a luz;
- cortar os "ladrões" (pequenos ramos que crescem da base ou do tronco da árvore).
Não sei se me esqueci de mais alguma regra importante, mas penso que foram estas que segui.
Tirei fotografias do resultado final, mas como me esqueci de tirar fotografias da situação inicial, terão que confiar em mim em como fez muita diferença :)
Por fim, qual não foi o meu espanto quando, no meio das ervas e meio enterrado na terra, encontrei um molho de colares de missangas todos idênticos. Infelizmente já deviam estar expostos aos elementos há bastante tempo, pois alguns já estavam partidos e os outros estão em risco de se partir. Mesmo assim senti-me como se tivesse encontrado um pequeno tesouro!

1/28/2006

Não são só ervas!!!

Várias pessoas que viram a minha hortinha de leguminosas, gozaram comigo dizendo "É só ervas!!!". A excepção foi a vizinha que me arranjou sementes, que ao ver a horta exclamou "Olha, que lindas ervilhas tens ali!"
Para desfazer esta ideia errada que várias pessoas têm da minha horta, resolvi tirar umas fotografias que provam que aquilo não "é só ervas", mas sim uma futura colheita abundante de leguminosas.
Eu semeei em linhas, mas elas desapareceram por causa das favas que tinham caído no solo e com cuja germinação eu não contei. Mas originalmente as minhas linhas já eram muito pouco distanciadas entre si.
Agora não tenho trabalho a arrancar ervas "daninhas", porque elas simplesmente não tiveram espaço para se desenvolver. Façamos um jogo: onde está a erva daninha?

Eis uma fotografia de pormenor:
Mesmo junto ao solo, quase não há "ervas". Apenas tremoços, ervilhas, feno-grego e calêndulas salpicadas lá pelo meio.

1/25/2006

Sebe e Jardim de Aromáticas

Estou a criar uma sebe e um jardim de aromáticas numa faixa de terreno não murada ao lado da casa. O objectivo principal deste pequeno jardim/sebe é o de segurar o solo, que aqui desliza muito devido à existência de um desnível entre a casa e o terreno do lado.
A sebe será possivelmente composta de arbustos de alecrim, de que possuo estacas em número razoável que o meu pai me arranjou. Na Primavera transplantarei aquelas que pegarem. O jardim irá conter em princípio erva-príncipe, hipericão, salva e alfazema, que são as plantas de que disponho neste momento. Já plantei vários pés de erva-príncipe que o meu pai também me arranjou e o resto das plantas está dependente do sucesso do enraizamento de inúmeras estacas que tenho.
Não vale a pena colocar fotografias enquanto não chega a Primavera, porque não terei quase nenhumas plantas no solo que valha a pena mostrar. Por enquanto mostro apenas o esquema do que pretendo fazer.
Pretendo dispôr as plantas em forma de vilosidades, para facilitar o acesso a todas elas e ao mesmo tempo maximizar o aproveitamento do espaço, ampliar o efeito de orla e dar um aspecto mais natural ao jardim, objectivos que não seriam alcançados com uma disposição em linhas rectas. Esta disposição também permite concentrar o máximo de arbustos junto da sebe, local onde é mais necessário uma concentração de raízes que segurem o solo. Se as plantas fossem dispostas em linha recta, teria de se deixar espaço de passagem entre a sebe e entre as várias filas de plantas, o que não conferiria tanto suporte ao solo naquela zona crítica. Seria de esperar que nessa situação ocorressem deslizamentos de faixas de terra consecutivas, nas zonas de quebra de densidade de raízes.

1/20/2006

Favas, tremoço e ervilhas

Tinha planeado arrancar ervas na horta, mas tive que desistir dessa intenção. A horta está de tal forma atulhada de favas que nem consigo meter-me no meio delas sem destruir parte da futura colheita. Concluí que as ervas não são um verdadeiro problema e que mais vale deixá-las estar.
Parece que não só germinaram todas as favas que semeei como germinaram também todas as favas que já tinham caído na terra antes de eu ter começado a colhê-las. Parece-me que se eu quisesse uma cultura permanente de favas naquele local, só precisaria de colher as que desejo consumir e deixar as restantes ressemearem a terra para o ano seguinte. É impressionante o sucesso que as favas estão a ter.
Lá pelo meio encontrei filas de ervilhas e tremoços, mas o feijão-frade não fui capaz de o encontrar. Apesar de menos numerosas e mais pequenas, estas leguminosas parecem estar a crescer bem. Ainda não consegui perceber se o tamanho e densidade das favas as protege das condições agrestes ou se pelo contrário estão a abafar o seu crescimento. Para a próxima separarei as filas de favas das restantes leguminosas, em vez de as alternar, para ver como estas se dão.

1/12/2006

Esboço de projecto

Fiz um primeiro esboço de projecto para o espaço em À-do-Barriga. É simples, porque o espaço é pequeno e porque ainda não tenho capacidade para mais :)
Eis algumas ideias inspiradas nas características do sítio e nos princípios da Permacultura que gostaria de pôr em prática:

- criar um túnel de pérgulas a partir do portão, coberto de plantas trepadeiras. O túnel criaria espaço extra de vegetação, que ao nível do solo não poderia ser criado, ao mesmo tempo que embeleza a entrada neste espaço.

- estender as plantas trepadeiras que cobrem parte do muro, ao resto deste e colocar treliças em paredes onde seja possível colocar mais trepadeiras, para aproveitar o espaço vertical da propriedade.

- criar um laguinho de ar natural, com plantas aquáticas que mantenham a água limpa e com um repuxo alimentado a energia solar que oxigene a água.

- cobrir ao máximo o solo com plantas rasteiras e definir caminhos com lajes de pedra.

- criar canteiros elevados na zona frente à casa onde há mais árvores, para plantação de ervas e arbustos aromáticos e medicinais e melhorar o aproveitamento do espaço, através da criação de diferentes estratos vegetais.

- criação de 2 zonas de horta na parte de trás da casa, com as plantas semeadas em linhas perpendiculares ao declive do terreno, para evitar a erosão e o deslizamento de terra.
Outras ideias interessantes para este espaço, mas que implicam maior investimento são:

- a instalação de painéis solares no telhado, passivos e fotovoltaicos, para aaquecimento da água e produção de energia eléctrica.

- instalação de um pequeno gerador eólico como fonte alternativa e complementar de energia eléctrica.

- instalação de caleiras nos telhados para captação de água das chuvas e colocação de depósitos para água no telheiro do lado direito do portão. O desnível entre o telheiro e a horta permitiria a rega com a água dos depósitos, sem necessidade de consumo de energia.

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